Morte dos Reis

18. Morte dos Reis

Ah! Tio Bernard, só você mesmo pra ser o coringa na categoria de número 18. Um livro baseado em fatos reais ou uma biografia. Como amo poder colocar seus livros mais do que maravilhosos no Desafio de Leitura e, devo dizer, quão grande é a surpresa de relembrar o quanto amo seus livros. ❤

Morte dos Reis continua com a história de Uhtred de Bebbanburg, um guerreiro saxão criado por dinamarqueses e que acredita nos deuses antigos, que luta a favor do reino de Alfredo e do seu sonho de unir todas as terras que falam inglês sob uma única bandeira.

Acontece que, por ser pagão, Uhtred nunca está nas boas graças do reino de Alfredo, muitas vezes tendo que mendigar – de certa forma – para poder cuidar de suas terras – arrendadas – e do pequeno exército particular que possui. É inegável que a coroa menospreza Uhtred nos períodos de paz, mas depende demais de sua espada nos tempos de guerra.

E há, também, a questão da proximidade de Alfredo com a morte. Cheio de doenças, Alfredo está a cada dia mais próximo da morte, os dinamarqueses apenas a aguardam para poder pilhar e matar todos os saxões. E mesmo assim, mesmo após a morte de Alfredo, nada acontece.

Por muitas vezes o livro é confuso frente o que está acontecendo – não porque a narrativa torna-se lenta ou porque não sabe como seguir adiante -, simplesmente porque Uhtred, o narrador, não sabe o que pensar das atitudes de seu rei e dos dinamarqueses. E essa inquietação perpassa todas as páginas do livro.

Não que o livro seja parado, veja bem, estamos falando de Uhtred de Bebbanburg, o escudo dos saxões. Ele não consegue simplesmente aguardar o destino alcançá-lo. Não senhor. Uhtred, mesmo seguindo seu lema de que o destino é inexorável, não fica contando suas cabeças de gado – ou ovelha – e descansando à espera do que quer que venha na sua direção. Ele é um guerreiro nato e por assim ser, sempre espera pela guerra, por problemas.

O que se mostra acertado time and time again.

Ler esse livro, reencontrar Uhtred, foi mágico demais. Havia me esquecido do quanto Uhtred pode ser apaixonante e do quanto a criação da Inglaterra é mágica. E, a quem quero enganar?, sou completa e absolutamente apaixonada pela narrativa do Tio Cornwell. ❤

Valeu a pena ler loucamente esse livro e espero que não vá aguardar um ano inteiro para ler o próximo.

5/5 estrelas.

Doze Contos Peregrinos

Mini 04 - Doze Contos Peregrinos

Para o mês de Abril – Um livro de um autor vencedor do Nobel li o livro Doze Contos Peregrinos de Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura em 1982.

Sem sinopse, porque no Skoob não havia uma sinopse decente para colocar aqui, sorry.

Esse é mais um daqueles livros que eu deveria ter lido para o pré-vestibular – há muitos e muitos anos – e passei batido. Novamente às custas do meu preconceito e preguiça de ler o livro.

Acontece que esse ano está sendo o ano. O ano para quebrar preconceitos literários – e para comprovar minhas escolhas em relação aos tipos literários que leio. E, somando-se a isso o fato de que este ano a verba está contada, acabei escolhendo livros que tinha para poder enquadrar em ambos os desafios.

E foi assim que comecei a minha peregrinação pela biblioteca de casa atrás de um livro de um autor que ganhou o Nobel de Literatura. Após uma rápida pesquisa na internet, eis que descubro que Gabriel García Márquez é um representante desta categoria.

Li os doze contos de maneira até relativamente lenta – para um livro de 200 e poucas páginas, demorei três dias – e aproveitei cada momento, cada página, cada conto. Adorei a introdução que ele fez, explicando o processo de criação, de escolha e de produção desse livro.

E tiveram contos que eu adorei! Mas a grande maioria deles? Não fez tanto sentido assim para mim.

All in all, é um livro bem gostoso de ler, rápido e divertido. Fiquei com mais vontade de ler mais coisas do autor.

3/5 estrelas.

Encontro com a Morte

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E começamos o Desafio de Leitura 2017 com o item 25. Um livro de capa dura. Para este item escolhi a minha edição de Encontro com a Morte da Agatha Christie. Nessa edição, da Editora Altaya/Record, o texto é em estilo de roteiro e, no livro, vem duas histórias: Encontro com a Morte e O Refúgio.

Sinopse: Por entre as ruínas antigas de Petra, na Jordânia, jaz morto o corpo de Mrs. Boynton. Uma pequena marca no pulso é o único vestígio da injecção que a matou. Com apenas vinte e quatro horas para descobrir o assassino, Hercule Poirot relembra um comentário que ouvira por acaso, ainda em Jerusalém: “Compreendes que ela tem de ser morta, não compreendes?”. Profundamente odiada, principalmente pela sua própria família, Mrs. Boynton era uma mulher cruel e a sua morte é um alívio para todos os que viviam subjugados pelo seu poder.
Os familiares sentem-se finalmente livres e pedem a Poirot para não iniciar a investigação. O detective terá de lutar contra o tempo e a vontade de todos, para resolver o mistério da morte de uma das pessoas mais detestáveis de que alguma vez ouvira falar

Devo dizer que foi o meu primeiro contato com Christie e gostei bastante da forma como ela narra, gostei das personagens e da história, mas consegui deduzir quem era o assassino – o que foi bom! E ruim ao mesmo tempo, porque ainda estou buscando livros que me surpreendam…

Mesmo tendo gostado da história, não gostei muito da narrativa em roteiro, talvez eu tenha outra experiência lendo as histórias da Christie em forma de romance. Veremos, veremos.

3/5 estrelas.

O Diário de Anne Frank

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Sinopse: Todos conhecem a história profundamente dramática da jovem Anne Frank. Publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, o diário veio revelar ao mundo o que fora, durante dois longos anos, o dia-a-dia de uma adolescente condenada a uma voluntária auto-reclusão, para tentar escapar à sorte dos judeus que os alemães haviam começado a deportar para supostos “campos de trabalho”. Tentativa sem final feliz. Em Agosto de 1944, todos aqueles que estavam escondidos no pequeno anexo secreto onde a jovem habitava foram presos. Após uma breve passagem por Westerbork e Auschwitz, Anne Frank acaba então por ir parar a Bergen-Belsen, onde vem a morrer em Março de 1945, a escassos dois meses do final da guerra na Europa.

Traduzido em 67 línguas, este documento excepcional, de que a Livros do Brasil se orgulha de lançar agora a edição definitiva, vendeu já mais de 31 milhões de exemplares e é, seguramente, um dos livros mais lidos, discutidos e amados de toda a história do mundo. Importa acrescentar que esta edição definitiva contém toda uma série de passos que haviam sido omitidos por decisão do pai, que não tinha querido que alguns comentários de Anne Frank relativos à mãe fossem divulgados. O resultado final é um retrato extraordinário de uma adolescente em busca da sua identidade, durante um dos mais trágicos períodos jamais vividos pela humanidade.

Devo dizer que no início desse livro eu o odiei com todas as minhas forças.

Inicialmente não entendi exatamente o que no livro despertou tamanha fúria, mas, após alguns dias de pausa na leitura e bastante reflexão, cheguei a uma conclusão que nem é tão complexa assim, o início do diário da Anne lembrou-me das minhas primeiras histórias.

Ela tinha 12 anos quando foi obrigada a viver com mais sete pessoas em um espaço reduzido e sem poder sair e, assim, começou a escrever sobre seu dia a dia. Sendo uma criança, ela escreveu sobre seus problemas de criança, sua forma infantil de ver e lidar com o mundo.

E ver todo o começo/meio do livro sendo tão infantil, contraditório e bobo apenas me lembrou como o que eu escrevia quando comecei a me embrenhar por esse caminho era infantil, contraditório e bobo.

Não que eu odeie o que eu escrevi, mas tenho vergonha. Muita vergonha. Agradeço todos os dias por nunca ter postado minha primeira fanfic.

De qualquer forma fiquei muito impressionada com o quanto Anne se desenvolve, ao final do livro ela não se parece com uma garota de 14 anos normal, muito menos com uma garota judia que precisou se esconder durante a Segunda Guerra Mundial para não morrer.

Fiquei sem palavras – e muito tocada – por ver a visão de mundo e sobre Deus que ela possui, uma coisa nitidamente dela e não imposta pela sua família, em que anseia por um mundo onde as pessoas percebam o bem um no outro e que possam se respeitar mutuamente, o cuidado com a natureza…

Devo dizer que, desconsiderando o primeiro e metade do segundo ano em que ela passa no cativeiro, o livro é bom. Talvez muito bom.

3/5 estrelas.

Sangue na Neve

E encerrei o Desafio de Leitura deste ano com o item 12. Um livro originalmente escrito em outra língua (exceto inglês). Para este item escolhi – após sugestão da Natasha – o livro Sangue na Neve do Jo Nesbø. Jo Nesbø é um norueguês, e o livro é escrito em norueguês originalmente.

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Sinopse: Olav tem apenas um talento: matar a sangue frio. Não há nada que preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional à sua habilidade como assassino de aluguel. Ele já tentou roubar bancos, mas não teve muito sucesso – Olav se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas do assalto no hospital. Agenciar mulheres para prostituição, idem –  ele não suportava vê-las apanhando de seus cafetões. O assassinato foi tudo que lhe restou.
Ele levava uma vida solitária em um pequeno apartamento em Oslo até receber uma ligação de Daniel Hoffman, o perigoso chefe do tráfico de drogas na cidade. O novo trabalho não é nada usual: em vez de pedir que elimine um dos homens do Pescador, seu rival em Oslo, ele admite que desconfia de que sua esposa, Corina, o esteja traindo. Olav então é contratado para matá-la por um valor cinco vezes maior que o de um serviço comum.
Mas ele não esperava que, ao aceitar a nova incumbência, fosse conhecer a mulher da sua vida. Corina aparentemente é violentada por seu amante; vítima de um homem que a agride todos os dias no mesmo horário, em sua própria casa. Sua beleza e fragilidade logo encantam Olav, que resolve pegar um atalho e solucionar o problema de seu cliente de outra forma. Mas ele não contava que este seria seu maior erro, e agora precisa se unir a velhos inimigos para salvar a própria pele.

Sempre acho interessante livros que não possuem uma narrativa linear comum. Claro que este tipo de narrativa me deixa um tanto quanto confusa, mas me diverte mesmo assim. E, o que eu acho mais importante ultimamente, me surpreende.

Olav não é o típico assassino de aluguel que encontramos por aí. Ele é mais profundo que apenas sua profissão. E passamos a conhecê-lo lentamente. Cada nova informação é dada de forma aparentemente aleatória, como se o personagem, o narrador, só então percebesse que seria interessante ou – talvez – pertinente nos passar a informação.

O livro em si é mais um diálogo do que uma narrativa fixa em que o narrador personagem não percebe que é um livro. Mas não no sentido de quebrar a quarta barreira, e sim como um diálogo, como se Olav contasse sua história para nós, leitores, como se fôssemos amigos.

Adorei conhecer o background do Olav. Como foi sua infância, suas dificuldades, suas características mais primordiais. Ver o que ele acha interessante, seus gostos, anseios, vontades, e, claro, todos os problemas que se mete por conta de suas escolhas.

A história do livro me surpreendeu do início ao fim. Pela sinopse parece algo simples, linear, clichê. Nesbø, entretanto, cria seus personagens, sua narrativa de tal forma que foge do local comum. Não sei se todos os livros dele são assim, mas já fui conquistada através deste.

Adorei o trabalho realizado pela Record com a capa deste livro. A mistura de tons, o alto relevo, a forma como a disposição da imagem ficou ao final… Simplesmente adorei.

All in all, 5/5 estrelas.

E que venha o próximo desafio. ❤

Terra em Chamas

Para o item 23. Um livro baseado em fatos reais ou uma biografia escolhi o quinto livro d’As Crônicas SaxônicasTerra em Chamas do tio Bernard Cornwell.

23. Terra em Chamas

Sinopse: O rei Alfredo está com a saúde debilitada. Seu herdeiro ainda é muito jovem. Seus inimigos, os dinamarqueses, fracassaram em tomar Wessex, mas agora a vitória parece iminente. Lideradas pelo brutal Harald Cabelo de Sangue, as hordas vikings atacam. Mas o rei tem Uhtred, que inflige aos vikings uma de suas maiores derrotas.
No entanto, o gosto da vitória inglesa é ofuscado por uma tragédia que leva Uhtred a jurar jamais servir o reino saxão novamente. Agora o sonho de retomar as terras que lhe são de direito na Nortúmbria parece mais próximo. E para alcançar seu objetivo, o guerreiro se une ao amigo Ragnar e ao antigo inimigo Haesten para tomar Wessex.
Mas o destino tem outros planos. Os dinamarqueses de Ânglia Oriental e os vikings da Nortúmbria pretendem conquistar toda a Inglaterra. A filha de Alfredo então implora pela ajuda de Uhtred e o guerreiro, incapaz de dizer não, toma a frente do exército derrotado da Mércia, rumo a uma batalha inesquecível num campo encharcado de sangue junto ao Tâmisa.
Na série Crônicas Saxônicas, Cornwell narra a história de Alfredo, o Grande, e de seus descendentes, e, nesse quinto volume, apresenta a criação da Inglaterra que conhecemos hoje. Nos Estados Unidos, o livro alcançou o quarto lugar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times.

Acho interessante a forma como o tio Cornwell mescla realidade com fantasia de uma forma tão fantástica quanto n’As Crônicas Saxônicas. Sou apaixonada pelo Uhtred que por muitas vezes confundo com o Ragnar de Vikings desde a primeira vez que li o primeiro livro da saga, O Último Reino. No decorrer da série vemos o crescimento de Uhtred de Bebbanburg até seus trinta e tantos anos, de como tornou-se um verdadeiro guerreiro, de como seu nome é respeitado e de como ele foi imprescindível para a manutenção de Alfredo em seu trono.

Neste livro vemos coisas muito tensas acontecendo. Uhtred torna-se um pária, planeja invasões à Wessex e acaba lutando no lugar do seu primo pela Mércia. Chorei, torci e amei Uhtred, Ragnar e os outros. E é muito provável que este amor permaneça por mais tempo. Ainda há mais 4 livros no mínimo.

A Editora Record fez um bom trabalho com a tradução deste livro não que eu tenha tido acesso aos livros em inglês, mesmo que tenha alguns pontos de falha de impressão, algo que estou acreditando ser comum entre as editoras.

Mais um livro que ganha 4/5 estrelas. E aguardo ansiosamente pelo próximo!