Boa Noite Punpun

Meu amigo Flávio me emprestou sua coleção completa de Boa noite Punpun e já deixou avisado que não era um mangá fofinho, mesmo que a ilustração fosse.

A realidade é que essa coleção trata de assuntos muito pesados que as pessoas podem passar durante a sua vida, as in depressão, brigas e separação dos pais, estupro, cultos, assassinatos…

Acompanhamos toda a vida do Punpun, de criança à idade adulta, assim como acompanhamos a vida dos seus colegas de sala, amigos de infância. Achei bem interessante a forma como o autor trata da depressão e dos problemas de socialização que as crianças têm, de forma que tira um pouco o foco de que todo depressivo se exclui, todo “autista” tem dificuldade para se manter na sociedade, toda briga de casal parte do homem contra a mulher.

Aqui os tropes são desconstruídos, acompanhamos a evolução das personagens de um jeito que não deixa margem pra interpretações, foram as escolhas que elas fizeram que as levaram àquelas situações e não só a forma como elas são, as doenças que possuem.

Cada mangá foi uma leitura mais difícil do que eu esperava, cada volume se tornando mais sombrio, mais problemático. Alguns chegam a ser assustadores de tão pesados…

E ao mesmo tempo não conseguia parar de ler. Fiquei completamente envolvida com Punpun e as personagens com quem ele interagia. Cada um sendo especial, com seus trejeitos, seus problemas e suas soluções. Suas crenças.

Para a coleção dou 4,5/5 estrelas.

A Última Colônia

Sinopse: A raça humana tenta expandir seus territórios, mas se depara com um problema: os planetas habitáveis são poucos e a competição por eles é enorme.

Após anos sem expandir suas fronteiras, a União Colonial toma a controversa decisão de iniciar uma nova colônia, e a tarefa de administrá-la é entregue a dois condecorados heróis de guerra: John Perry e Jane Sagan. Inicialmente, o maior desafio é conciliar os interesses de grupos com origens diversas.

Entretanto, logo os heróis se veem isolados em um planeta que não é o que parece e descobrem que são apenas peças no tabuleiro de uma disputa que envolve o destino de toda a humanidade.

Na série Guerra do Velho, best-seller do New York Times, o premiado autor John Scalzi traz ao leitor uma história épica de conquista galáctica e exploração interplanetária, com personagens cativantes, intrigas políticas bem construídas e sem nunca perder o bom humor.

John Scalzi é um dos meus autores favoritos e provavelmente continuará sendo porque, olha, fico impressionada em como ele consegue falar sobre política de uma forma que você não desprega os olhos!

Aqui acompanhamos o encerramento da trilogia d’A Guerra do Velho e, com isso, o protagonismo do John Perry e da Jane Sagan. Eles são personagens completamente fantásticos e que tratam dos problemas políticos de uma forma super interessante.

John e Jane acabam se enfiando no meio de um dos piores problemas políticos intergaláticos que eles poderiam se meter. Ao invés de ficarem quietinhos curtindo sua aposentadoria muito bem merecida, acabam aceitando a missão de cuidarem de uma colônia humana a ser construída.

A criação dessa colônia foi projetada para mostrar a supremacia da humanidade, para mostrar que os humanos não vão se ajoelhar frente a uma força maior. E daí se no meio do caminho existe uma colônia inteira que pode acabar sendo destruída.

Os planos do John são maravilhosos de acompanhar, ele é super centrado e inteligente, conseguindo sair pela tangente de muitos problemas que ele tem que enfrentar.

Mal posso esperar pela Aleph trazer mais livros do tio Scalzi para o Brasil e o sonho de conhecer esse tio em uma das Bienais…

5/5 estrelas e favoritado.

Mentirosos

Sinopse: Na família Sinclair, ninguém é carente, criminoso, viciado ou fracassado. Mas talvez isso seja mentira.

Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence – neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.

Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

Estava com muita vontade de ler esse livro, principalmente porque ele foi muito indicado por bookstagrammers e booktubers, tanto que eu nem vou dizer quem indicou, porque foram muitas indicações. Inclusive a E. Lockhart voltou à hype com a segunda publicação dela Fraude legítima.

Achei a leitura desse livro muito boa! Ela foi super rápida e muito envolvente, a Cadence é uma protagonista do jeitinho que eu curto: confusa, nem um pouco confiável e que não sabe direito o que está acontecendo ao seu redor.

Como ela sofreu um acidente nas férias dos quinze anos, ela sofre de amnésia da época do acidente e se tornou uma pessoa bem diferente depois do fato.

Existem muitos fatos que estão entrelaçados à falta de memória da Cadence. E como ela tem esse rombo no seu passado, ela tem problemas para enfrentar com a família e os problemas de saúde que vieram do acidente, nada faz muito sentido.

Não darei muitos detalhes sobre o livro em si, porque todos os plot twists são importantíssimos para tornar essa leitura uma experiência interessante.

5/5 estrelas.

Os Pequenos Perpétuos

Sou uma fã declarada de Sandman, há mais de dez anos inclusive e devo dizer que amo tanto esse universo que praticamente qualquer coisa que for publicado sobre isso eu estou interessada – nossa comprei!

Além das histórias originais do Neil Gaiman, gosto muito de alguns desenhistasem específico e, dentre esses desenhistas, eu AMO a Jill Thompson!

A Jill tem um traço tão lindo, fofo e amável que me apaixonei completamente por ela. E pela forma como ela percebe as personagens criadas pelo Gaiman.

Porque uma coisa que eu adoro no caso de Sandman é que as personagens foram criadas pelo Gaiman, mas cada desenhista tem sua percepção sobre essas personagens, então eles são diferentes em cada nova história.

Essas duas HQs são sobre a Delirium e o Barnabás, são bem curtinhas e fofinhas, mas não são realmente histórias profundas. É só para se divertir. Coisa bem rapidinha.

É muito amorzinho!

Darkdawn

Comprei a caixa da Faecrate comemorativa do lançamento do último livro da trilogia de Nevernight do JayJay e devo dizer que não me arrependi nem um pouquinho! A não ser que conte o arrependimento de não conhecer os hangover kits da Faecrate conte como arrependimento…

Acompanhei de perto toda a hype relacionada a este livro – principalmente na gringa – e não tive medo de subir nesse bonde, afinal conheço outras obras do JayJay e sei que ele não é de deixar barato métodos os feels. Os livros dele são recheados de momentos de tensão sexual e lágrimas geralmente dos leitores e eu acho isso simplesmente fantástico!

Só que preciso assumir que algo estranho aconteceu nesse livro. E, nesse sentido, devo deixar bem claro aqui que o livro não é ruim de forma alguma, mas que deixou a desejar, isso é um fato.

JayJay prometeu no primeiro capítulo de Nevernight uma história recheada de sangue e sombra, um conto sobre a vida e a morte de Mia Corvere e, até certo ponto, ele cumpre sua promessa.

A questão surge exatamente no certo ponto.

Acabo por me perguntar, quando essas situações acontecem, até que ponto era o plano do autor e até que ponto é exigência dos leitores, editores, personagens… sem dar spoilers, há uma quebra na narrativa desse livro que é nítida, algo que não casa com o restante do livro – e que pode ser explicada se pararmos para analisar quem “escreve” sobre a história de Mia, mas que deixa um gosto agridoce no fundo da garganta.

Não deveria ser nosso papel buscar explicações para um final já previsto.

Tirando esse fato fatídico, foi uma leitura que voou. Mal me percebi passando as páginas desse livro, só não foi mais rápida porque estava fazendo um curso…

No final das contas… 4,5/5 estrelas.

Tropas Estelares

Sinopse: Alistar-se no Exército foi a primeira – e talvez a última – escolha livre que Juan Rico pôde tomar ao sair da adolescência. Apesar do árduo e rigoroso treinamento pelo qual é obrigado a passar, o perseverante recruta está determinado a tornar-se um capitão de tropas. No acampamento militar, ele aprenderá a ser um soldado. Mas apenas ao final de seu treinamento, quando, enfim, a guerra chegar (e ela sempre chega), Rico saberá por que se tornou um. Vencedor do prêmio Hugo e um dos maiores clássicos da ficção científica mundial, Tropas estelares traz um enredo repleto de ação, tecnologia, superação de desafios, guerras espaciais e complexas relações políticas e humanas. A obra foi adaptada para o cinema pelo diretor Paul Verhoeven.

Meu irmão pegou este livro na minha conta do Kindle Unlimited tem quase um ano – mesmo período de tempo que ele ficou insistindo para que eu lesse – e finalmente pude fazer essa leitura que, honestamente, me tirou o chão.

Eu não esperava me conectar tanto com a personagem principal, mas acho que já era algo esperado – ou até mesmo previsível do tanto que amo esse universo de ficção-científica – inclusive porque o tio Scalzi bebeu muito dessa fonte do Heinlein

É perceptível que o Scalzi trouxe muito do universo de Tropas para o universo de Guerra do Velho e foi uma “adaptação” muito inteligente de ser feita, mesmo que os objetivos se pareçam, não seguem exatamente para o mesmo lugar…

Amei cada minuto dessa leitura, principalmente por ela nos mostrar como Juan se torna um cidadão, como ele se decide por se alistar, como foi seu treinamento e como ele subiu no escalão do exército intergalático. São por essas evoluções que eu vivo, AMO acompanhar o desenvolvimento das personagens. E se a estória deixa o “como” chegou àquele momento de lado, me dando o “porque” já me deixa mais do que satisfeita.

Mais uma leitura finalizada, mais uma ficção-científica incrível para a coleção.

5/5 estrelas e favoritado.

Secrets of the Tau

Como eu disse na resenha de Forest od the Ancients, ou talvez não, porque eu sou uma louca a imersão que tive durante a “leitura” destes dois livros durante meu retorno de Goiânia – em uma viagem de aproximadamente 10 horas dirigindo sozinha – quase me trouxe problemas, já que eu quase fiquei sem combustível no meio do nada PORQUE EU ESTAVA SUPER INVESTIDA NESSES LIVROS!

Honestamente eu estou impressionada em como essa estória está se desenvolvendo. A cada novo livro vamos aprendendo mais e mais sobre cada um dos personagens e, devo dizer, que a falta de conhecimento da Zelia em relação ao passado do Meki me deixa pasma.

Era pra eles se conhecerem pelo menos um pouco, não? Tendo em vista que eles dividiram uma boa parte de sua vida em uma nave…

But I digress

A realidade é que a forma como os personagens são apresentados e como cada um lida com os problemas que eles têm que enfrentar. São nesses pequenos detalhes que podemos ver o cuidado e o carinho para a criação desse universo.

Fora que é uma forma incrível de transformar um RPG em uma estória… ❤

Amo demais!

5/5 estrelas e favoritado.

Forest of the Ancient

No terceiro livro da série Realm Quest acompanhamos a narração da fofa Thanis, a guerreira do grupo, e acabamos descobrindo mais sobre a relação dela com Kaspar e com o restante do grupo.

Aqui continuamos a busca pelo Vertigan e, também, para encontrar uma cura para o ferimento de Elio. Então acompanhamos o grupo indo ao único lugar que não deveria: a Floresta Proibida! Não, calma, essa é outra floresta…

A Floresta dos Anciãos.

Lá eles terão que enfrentar seus medos, lutar contra inimigos e descobrir formas novas de sobreviver aos problemas em seu caminho.

Vou dizer que escutei este audiobook juntamente com o Secrets of the Tau durante meu caminho de volta das férias – são por volta de 10 horas de viagem e estava dirigindo sozinha no carro – e fiquei tão entretida com os dois livros que mal percebi o tempo passando.

Esse é o nível de quão bom este livro é.

Honestamente, estava precisando de verdade de uma história de RPG tão imersiva assim, uma delícia de acompanhar e que me deixa realmente ansiosa para o próximo livro. ❤

5/5 estrelas e aguardando o próximo!

Desaparecidos em Luz da Lua

Sinopse: Quando Ophélie é promovida a vice-contista, ela se vê inesperadamente jogada aos holofotes e escrutínio da corte. Seu dom, a habilidade de ler a história secreta dos objetos, é descoberto por todos, e não há maior ameaça aos nefastos habitantes de seu novo lar gélido do que isso.
Sob os arcos dourados da capital do Polo, ela descobre que a única pessoa em que talvez possa confiar é Thorn, seu enigmático e frio noivo. À medida que influentes pessoas da corte começam a desaparecer, Ophélie se encontra novamente envolvida em uma investigação que a levará além das muitas ilusões do Polo e a uma temível verdade
.

Participei da leitura coletiva deste livro com a Aline, e posso dizer que não esperava que fosse ficar tão deslumbrada com ele como fiquei.

Comecei a leitura deste livro bem despretensiosamente, porque por mais que tenha gostado do primeiro livro – e que a Félix tenha me dito que era um livro bom – me lembrava de como achei o início do livro arrastado e mesmo com uma história interessante, achei o livro lento.

Acontece que aqui não foi exatamente isso que aconteceu.

O livro é intenso do início ao fim, seja pelos problemas que a Ophélie enfrenta ao tentar se manter na corte de Farouk, seja nas tentativas de ela compreender o que Thorn espera dela, ou mesmo sobre o desaparecimento de alguns cortesãos.

O casamento de Ophélie e Thorn se mostra mais próximo, trazendo todas as dores de cabeça possíveis, com a chegada da família de Ophélie à Luz da Lua, as intimidações que ela sofre para que não se case e com as próprias dificuldades de Ophélie se entender com o que sente em relação a Thorn e o que ele sente em relação a ela.

Honestamente, não posso ficar aqui falando tudo o que me cativou e me impressionou na leitura desse livro, simplesmente porque quero falar absolutamente tudo e acabaria dando todos os spoilers do livro. E, convenhamos, isso não é certo.

O que posso dizer, com toda a certeza, é que este livro se tornou um favorito. Foi uma série que se iniciou morna, mas está se desenvolvendo em uma velocidade incrível! E que me deixou absolutamente curiosa para os próximos livros. Só posso esperar que a Editora Morro Branco nos traga logo a continuação! ❤

5/5 estrelas e favoritado. Obrigada pela companhia nesta leitura mais do que incrível, Ali!

Querido Ex

Sinopse: Este livro reúne as cartas Dele, um universitário brasileiro como eu e você, em uma uma história que não é a sua, mas poderia ser. Um jovem gay, cuja vida está sendo definida por um catastrófico acontecimento: seu ex namorado virou, da noite para o dia, a maior celebridade do país.
“Querido ex,” é um registro do luto, caos e poder que vem com o fim de um relacionamento abusivo. As dificuldades da vida acadêmica, a solidão, os encontros entre o racismo e a homofobia e a dor e libertação do descobrir a si mesmo são colocados no papel, enquanto Ele refaz os caminhos pelos quais se perdeu, enquanto amava alguém que agora é somente um estranho com milhões de seguidores.

Durante a FLIPOP 2019 conheci autores fantásticos e revi amigos incríveis! Um desses amigos foi o João Victório e ele me apresentou ao Juan. Conversa vai, conversa vem, o João me contou que este era um dos melhores livros que ele leu este ano e me convenceu a comprá-lo.

Gosto muito de livros que montam suas narrativas de uma forma pouco convencional. Assim sendo, já gostei de Querido Ex porque ele é narrado por cartas! Gente, tem forma mais incrível de narrar do que com cartas?

Honestamente, acho incrível! Porque existem poucas coisas mais íntimas que cartas, afinal, é através delas que acabamos desvelando nossa alma, nosso coração para o destinatário… É uma forma bem realista, simples e orgânica de apresentar os sentimentos de uma personagem frente a um problema, uma situação, outra personagem. Além de aproximar o leitor da estória.

Também achei interessante a escolha do autor de não nomear suas personagens principais, o que proporciona uma ligação ainda mais intensa entre leitor e obra, pois é mais facilmente possível se colocar no lugar das personagens, tanto do remetente quanto do destinatário das cartas.

A estória mostra como um estudante universitário lida com os percalços do dia a dia, como se sente frente ao término do relacionamento, como lida com os problemas da faculdade, de se encontrar como pessoa em um mundo que não é gentil, mas que permite o encontro de pessoas maravilhosas mesmo com todas as dificuldades da vida.

3/5 estrelas e agradeço ao João por insistir que eu conhecesse essa estória.