A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada

Sinopse: Lovelace já foi a Inteligência Artificial responsável pelo funcionamento da nave espacial Andarilha no passado. Após uma reinicialização completa, ela acorda em um novo corpo e sem nenhuma memória do que veio antes. Enquanto descobre sua essência e aprende a se virar em um universo repleto de artimanhas e novidades, ela faz amizade com Sálvia uma engenheira empolgada com os desafios que se colocam à sua frente. Juntas, Sálvia e Lovelace vão descobrir que não importa qual seja o tamanho do espaço, duas pessoas podem preenchê-lo.
A Vida Compartilhada em Uma Admirável Órbita Fechada é uma sequência independente do aclamado romance de estreia de Becky Chambers, A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil. Com a criatividade e visão inovadora já conhecida entre seus leitores, a autora fala sobre amizade, humanidade, força feminina e também debate as teorias e limites do que é possível realizar com a Inteligência Artificial. Tudo com o apuro exigido pelos fãs de ficção científica, que agora encontram uma nova casa na linha DarkLove, da DarkSide® Books.

Como boa louca das maratona, resolvi continuar participando da MML 2018 – que na minha opinião não tem o melhor dos nomes, já que só vai terminar em 2019 -, e da Maratona Literária Livre Estou 2018 que basicamente consiste em ler a maior quantidade de livros possível em quinze dias.

Problema: estou mudando de cidade para começar um novo emprego e as coisas estão meio caóticas. Mas vamos lendo!

A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada é uma continuação muito gostosa de ler, mesmo não sendo de todo necessária para a história mostrada em Uma Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, e só quero dizer com isso que são histórias quase 100% independentes. Claro que o maior motivo para o enredo de Órbita começa em Planeta, mas não é uma necessidade seguir a ordem cronológica de publicação. Mais ou menos como Guerra do Velho e Brigadas Fantasmas do John Scalzi, são continuações, mas que tratam de núcleos diferentes, então podem ser lidos separadamente.

Vale lembrar também que o foco da série The Wayfarers não é tanto a ficção científica, muito menos alguma trama completamente louca. Essa série trata do interpessoal, da forma como as diferentes espécies e personagens agem entre si, como eles crescem e se desenvolvem juntos.

Achei muito legal conhecer mais sobre a história da Sálvia e de como a Lovelace está se adaptando ao seu novo corpo. Assim como achei fantástico todos os novos personagens apresentados pela Becky Chambers. Infelizmente achei que o plot desse livro foi um tanto mais fraco que do primeiro livro e que a resolução dada a ele foi muito… fácil.

Não que seja um problema de todo, mas creio que esperava mais do livro, tendo em vista como amei o primeiro.

4/5 estrelas e favoritado.

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Um Pedaço de Madeira e Aço

Sinopse: A história de um simples banco de praça pública, que vê pessoas passarem durante horas, dias, estações, anos. Muitas passam, algumas param, outras voltam e há aquelas que esperam.
O banco é um refúgio, uma ilha, um abrigo, um palco. Um balé de anônimos conduzidos por uma coreografia habilmente orquestrada, em que pequenas curiosidades, situações incríveis e encontros surpreendentes dão à luz uma história singular, por vezes cômica, por vezes trágica.
O quadrinista Chabouté (Moby Dick), com sua arte inigualável e seu excepcional domínio do preto e branco, tece uma narrativa gráfica com a magia de Jacques Tati, a beleza de Chaplin e pitadas de Marcel Marceau e Buster Keaton… 340 páginas de um drama cujo herói é um banco.

Mais uma das Graphic Novels do Flávio, já mencionei o quanto amo essas amizades que me proporcionam uma boa leitura?

Em Um Pedaço de Madeira e Aço encontramos a história do dia a dia, da vida, contado através da passagem do tempo de um banco de praça. O personagem principal é o banco, então não há diálogos explícitos, não há uma narrativa linear. Apenas vemos as mudanças das estações e quais pessoas – e como – decidem interagir com o banco.

São longos anos que acompanhamos o banco… E de uma forma magnífica e minimalista, há uma história. Há a história de cada usuário do banco, pode ser de certa forma superficial, mas acompanhamos cada um que interagiu com o banco e vemos a passagem do tempo ali também.

Honestamente, já sabia que a proposta da HQ era diferenciada antes mesmo de a pegar para ler. O que eu não esperava era me emocionar ao ponto de chorar com algumas das histórias que o banco presencia.

E é assim que tenho a certeza de que não é preciso de palavras para comunicar uma história. E como isso é maravilhoso!

5/5 estrelas.

Wink Poppy Midnight

Sinopse: Um thriller que traz narradores nada confiáveis que vão fazer você duvidar até da sua própria moral. Indicado pela YALSA e pela TeenVogue como um dos melhores livros de ficção jovem-adulta de 2016. Wink é a nova vizinha esquisita e misteriosa, com seus cachos ruivos rebeldes, suas sardas e suas roupas estranhas. Poppy é a rainha do ensino médio, com seu cabelo loiro perfeito, sua beleza estonteante e sua grande habilidade para a manipulação e crueldade. Midnight é o menino doce e inseguro que se vê entre as duas. Wink sabe contar muitas histórias de cor. Ela está ciente de que todas elas precisam de um herói para derrotar o vilão. Poppy não acredita em histórias. Ela acredita acima de tudo, em si mesma e acha que pode conquistar e derrotar qualquer coisa. Midnight até acredita em histórias, mas ele está certo de que nunca vai ser protagonista de nenhuma, mesmo que Wink pense o contrário. Ele não é bom em nada. Poppy é a rainha da escola. Wink é a menina excluída que parece viver em um mundo particular e fantasioso. Midnight é o garoto preso entre elas que se vê obrigado a lidar com as consequências de um trote sombrio. Mas o que realmente aconteceu? Alguém sabe a verdade. Alguém está mentindo. Mas quem?

Acho que esse foi um dos livros mais decepcionantes que eu li na minha vida. Não no sentido que ele tenha sido ruim – pelo contrário, a narrativa e a estória me prenderam de tal forma que o li em apenas um dia -, mas sim pelo fato de que eu esperava mais dele.

Não sei dizer exatamente se foi a sinopse, a capa ou o hype, mas não esperava uma história tão infantil – mesmo com cenas mais erotizadas -, e não esperava que cada narrador fosse tão estranho.

O livro é narrado pelos três personagens e mesmo durante suas narrativas é difícil distinguir o que é real do que é fantasia, o que torna o livro um pouco estranho e com aquela narrativa não linear gostosa.

Como eu disse antes, mesmo não sendo exatamente o que eu esperava, o livro fluiu muito rápido. Infelizmente não existe um aprofundamento de real de nenhum dos personagens, terminei o livro sem realmente sentir empatia por nenhum daqueles narradores.

Foi uma leitura necessária, tendo em vista que estava começando uma ressaca literária e não estava conseguindo ler nada.

3,5 estrelas.

Clara Carcosa

Sinopse: Clara Carcosa conta a história de uma garota que encontra-se perdida, deparando-se com um ambiente repleto de seus maiores medos: solidão, escuridão e silêncio profundo.
Sem nenhuma lembrança do que pode-lhe ter acontecido e até mesmo sem saber que lugar é aquele aonde ela está, Clara sai em uma jornada, percorrendo caminhos hostis para buscar respostas concretas.
No percurso, a protagonista envolve-se em seus piores pesadelos, os quais vão se manifestando aos poucos e, através de flashbacks, Clara vai desconstruindo todo o mistério que a envolve e desvendando os segredos mais sombrios que estão à sua volta.
O que ela não sabe é que há portas que nunca deveriam ser abertas.

Esta foi uma HQ produzida através do crowdfunding, ou seja, foi um projeto de financiamento coletivo pelo site Catarse, uma plataforma inteiramente brasileira.

Infelizmente, eu não conheci o projeto durante o seu financiamento, mas não pude deixar de entrar em contato com a autora Juliana Fiorese pelo seu site e adquirir um exemplar.

A narrativa de Clara Carcosa envolve muitos elementos de inspiração. Há a lenda da mulher de branco, do limbo e até mesmo menções ao Rei de Amarelo. Tudo com um desenho ao mesmo tempo fofo e perturbador, e com uma velocidade de narrativa muito pouco linear.

Clara não é a narradora mais confiável do universo, ainda mais por conta das coisas absurdas que vão acontecendo ao seu redor, e mesmo assim ela consegue te conquistar e te transportar para dentro da narrativa.

Gosto muito do estilo de desenho da Juliana, porém em alguns momentos ele se torna um pouco cansativo e confuso… Talvez por ser tão chibi e sem muitos contornos fixos, só que mesmo assim, é agradável. Casa muito bem com o estilo errático de narrativa – que eu sou apaixonada.

Foi uma leitura rápida e gostosa de fazer. Adorei, particularmente, ler mais sobre a lenda da mulher de branco no forte, foi uma aula de história bem divertida.

4/5 estrelas.

Juntos

Sinopse: Os autores retornam ao personagem para mostrar o que aconteceu após os eventos de Bidu – Caminhos (2014). Agora, Franjinha conseguiu o cachorro de estimação que tanto queria, e Bidu tem um dono. Nesta nova etapa da vida, os dois terão que se adaptar e conviver com as mudanças que isso traz. E não será tão simples.

Para todos que já adotaram ou compraram algum animalzinho com certeza já passaram por muitos problemas comportamentais dos bichinhos. O período de adaptação varia de animal pra animal e de tutor para tutor…

Eu mesmo já passei por umas poucas e boas com meus gatos, principalmente quando meu segundo gato chegou em casa… Nossa, os gatos se odiavam. Tive muito medo de ter que devolver o Thor para o lar temporário dele, mas lo and behold, logo os bichanos estavam lá, se amando – e se matando -, como dois irmãos mesmo.

E é exatamente esse período de adaptação que acompanhamos durante essa narrativa. Uma narrativa dupla que mostra o lado humano e o lado canino desse momento, muitas vezes tenso, na vida dos bichinhos – e dos tutores.

A história atingiu um ponto muito profundo do meu relacionamento com meus bichanos… Fui tocada por ela e senti um reconhecimento muito intenso com o Franjinha e sua família.

Última leitura para a Mega Maratona Feriado Lit, chegando a um total de 1351 páginas lidas o desafio era ler 550. 5/5 estrelas e favoritado.

Caminhos

Sinopse: Em Bidu – Caminhos, os autores Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho reimaginam a forma como Bidu e Franjinha – os dois primeiros personagens criados por Mauricio de Sousa – se tornaram melhores amigos. Uma aventura cheia de problemas, surras, desvios de rota, chuva, cachorros, decisões difíceis e ternura.

Nunca imaginei que o pai da Turma da Mônica tivesse começado sua carreira de quadrinista com a dupla Franjinha e Bidu. Essa foi, com certeza, uma descoberta bem interessante e surpreendente.

Como uma pessoa louca por animais, achei tão linda a forma como os autores reescreveram o encontro do Bidu com o Franjinha. Existe uma delicadeza, uma sutileza que transborda amor e cuidado com a história que nos transporta para dentro dela. Não existem muitos diálogos escritos, afinal é a história do ponto de vista do Bidu, mas existe sim uma forma muito bonita de comunicação entre os animais…

Mais uma vez me senti tão inclusa nessa narrativa que chorei em vários momentos durante a história. Adorei todos os personagens e a interação entre eles. Fiquei muito feliz com todos os cães que são apresentados nesse quadrinho e curiosa para saber mais sobre eles.

Penúltima leitura realizada para a Mega Maratona Feriado Lit. 5/5 e favoritada.

Lembranças

Sinopse: Mônica e Cebolinha tinham problemas para resolver. Mas juntos, e acompanhados de Magali e Cascão, eles são praticamente imbatíveis. Após o sucesso de Laços e Lições, Vitor e Lu Cafaggi fecham a trilogia com os clássicos personagens de Mauricio de Sousa com Lembranças, uma aventura cheia de intrigas, sopapos, planos, risadas e, claro, amizade.

Aqui se encerra – pelo menos por enquanto – a participação dos irmãos Cafaggi na produção de HQs da Turma da Mônica, a nós só cabe torcer para que eles voltem qualquer dia desses porque, afinal, essa foi uma das melhores adaptações da turminha que vi por aí. Eu sei que ainda preciso ver as outras adaptações…

Continuamos com a temática de Lições e aqui cada um dos personagens precisa conviver com suas rotinas. Escola, brincadeiras, aulas complementares, ajudar em casa… Tudo isso é uma pontinha de realidade para essas estórias que nos acompanham a tanto tempo.

Em Lembranças vemos as crianças já “conformadas” em seu dia a dia. A distância, as aulas complementares, a rotina e os deveres fazem as crianças aproveitarem ao máximo os fins de semana, que são os momentos em que se juntam para brincar.

Quando se encontram passam algum tempo falando sobre o passado. As últimas festas, brincadeiras, perrengues… Primeiro eles se atualizam sobre o que aconteceu e então se programam para as novas aventuras.

A forma como os irmãos Cafaggi mostram a realidade das amizades, o dia a dia das crianças é tão mágico e maravilhoso, inclusive pelo traço delicado dos desenhos, que sentirei muito a falta de novos quadrinhos publicados pelos dois. O carinho com que trataram a turminha fará falta. ❤

5/5 estrelas e favoritado.