Pastoral Americana

Pastoral americana

Um filme com a Dakota Fanning e o Ewan McGregor não pode ser ruim, certo?

Errado.

Depois de chegar em casa com o objetivo apenas de relaxar por uma semana bem merecida de folga, vamos ao padrão da família: assistir filmes/seriados juntos.

E foi assim que minha mãe escolheu Pastoral Americana para que a gente assistisse.

Pela sinopse do Netflix, parecia ser um daqueles filmes que abordaria o tema de lavagem cerebral que acontece nos grandes cultos que pregam o apocalipse, mas… não foi exatamente esse o enfoque do filme.

Seguindo a história de Seymour Levov, vemos como ele foi um grande jogador na época da escola, como lutou na guerra, como casou-se com a garota mais bonita e como deu início à uma família perfeita. Isto é, até o momento em que sua filha, Mery, começa a falar e percebem que ela era gaga.

Quando levam a garota, ainda pequena, a uma psicóloga já comecei a ter problemas com o filme. Um filme que coloca uma personagem negando todos os conceitos biológicos para o problema de Mery e ainda julgar a situação em que a criança se encontra como justificativa para esse distúrbio me fez ter muita, mas muita raiva.

Além disso, é óbvio que o filme nos quer contra os movimentos contra a guerra do Vietnã, contra os flower power e contra as diferentes formas com que cada pessoa consegue se redimir – por mais estranhas que elas sejam.

Sim! Eu não concordo com o uso da força para conseguir encontrar a paz, isso é no mínimo irônico e hipócrita. Ataques terroristas são ataques terroristas, não importa o quanto as pessoas tentem defendê-los. E eu acredito que qualquer tipo de religião extremista seja, bem, extremista.

Nada do que seja extremo é bom, pessoinhas. Lembrem-se disso.

De qualquer forma, Mery cresce para se tornar uma jovem anarquista. Ela busca o fim pelo fim. E, enquanto acompanhamos a história pelo irmão de Seymour, narrando como foi a busca de Seymour pela filha desaparecida e terrorista, vemos o sofrimento de um pai, a forma como ele e sua família buscam soluções para o problema.

Foi um filme pesado e que não me apeteceu tanto assim.

2/5 estrelas.

Wonder Woman

Mulher Maravilha.jpg

Assistir a esse filme com meu pai foi maravilhoso! Tirando os comentários feitos em voz excessivamente alta que ele soltava nos piores momentos possíveis e as piadinhas de extremo mal gosto.

É claro que o fato de eu não conhecer nada sobre a Mulher Maravilha, também ajudou para que eu gostasse do filme.

E, mesmo assim… Me decepcionei um pouco.

Sim, é o melhor filme da DC. Sim, me deixou numa pilhazinha pra assistir a Liga da Justiça quando ele for lançado.

Ainda assim, achei muito boba a forma como eles colocaram o relacionamento Diana e Trevor.

No auge do feminismo, imaginei que eles colocariam a Diana como uma mulher que não precisa da presença de um homem ao seu lado para decidir seu caminho.

E na maior parte do filme isso é verdade.

Consigo entender a curiosidade inicial, afinal, Diana cresceu em uma ilha povoada de mulheres, sem a presença de nenhum homem. Então uma curiosidade inicial perante um homem é compreensível. – E, convenhamos, as melhores piadas do filme inteiro foram exatamente por conta disso.

Só que a forma como eles colocaram a Diana sendo sensível e o relacionamento com o Trevor eu achei forçado.

Sensibilidade frente as perdas de uma família na guerra? Perfeito. Resolver ajudar aqueles que não conseguem enfrentar a situação? MARAVILHOSO.

Ficar impressionada com a neve e acabar nos braços do Trevor? Chato. Forçado. Bobo.

Eu entendo a importância que esse relacionamento em específico teve para a história do filme, e eu consigo entender que a Diana nunca tinha vivido essas coisas antes, mas achei meh.

All in all. O filme é bom, muito bom, até.

Mas não o achei essa coca-cola toda que o pessoal está falando.

4/5 estrelas.

Omoide Poroporo

Omoide poroporo

Sinopse: Conta a história de Taeko Okajima, uma mulher de 27 anos e ainda solteira, com um trabalho burocrático num escritório em Tokyo, cidade na qual nasceu e cresceu. Quando criança, Taeko morria de inveja das amigas que podiam ir para o campo e visitar os parentes no período de férias. Por não possuir parentes no interior, Taeko tinha de permanecer em Tokyo o tempo todo, sonhando com o dia em que, finalmente, poderia realizar seu desejo de conhecer o campo.

Não sei o que dizer… Achei esse filme chato.

E ao contrário do estilo de criar personagens femininas fortes, que não precisam de um homem ao seu lado para que sejam salvas, ou definidas por ele, temos Taeko, com o grande dilema de ser solteira aos 27 anos.

Claro que o filme não roda essencialmente ao redor disso, afinal, passamos mais tempo nas memórias de Taeko quando criança do que com ela aos 27, mas… Ao final, é isso que move o filme.

Confuso, eu sei, mas é a realidade.

Consigo entender que mulheres solteiras ainda são um choque para a sociedade – ainda mais para a sociedade oriental e em 1991 -, só que achei tão enfadonho 50% das falas de Taeko adulta serem, de alguma forma, sobre isso. Seja se justificando, pessoas comentando sobre ela, ou enfim, o pedido de casamento arranjado…

Foi um filme muito bonito de se ver e que continua a discussão homem versus natureza, mas ter reduzido a personagem principal ao papel de esposa – e que se ela não conseguisse esse papel ela estaria errada – me deixou muito triste.

3/5 estrelas.

Contos de Terramar

Contos de Terramar

Sinopse: Em meio a uma tempestade marítima, os tripulantes de um barco não conseguem controlar o vento e o mar. Enquanto isso, dois dragões saem das nuvens escuras devorando um ao outro. Estes estranhos incidentes levam o mago Ged a investigar o que estaria afetando o equilíbrio das coisas. Em sua jornada, ele encontra o príncipe Arren, que diz estar sendo perseguido por uma sombra. Os dois seguem viagem juntos. Por onde passam, encontram sinais de que algo vai mal no mundo.

Para um mundo permeado por magia e que ela se tornou algo corriqueiro, imagino o quão assustador deve ser um dia acordar e estar novamente fadado a cuidar de tudo sem o auxílio daquele poder.

E é assim que começamos o filme. Magos estão perdendo o seu poder em todo o reino.

Achei inicialmente o filme confuso, pois não somos apresentados aos personagens principais até, mais ou menos, 20 ou 30 minutos de filme, então fui ficando confusa quando as pessoas começaram a morrer.

E devo dizer que fiquei extremamente irritada quando o Arren perdeu a espada de seu pai e transcorreu dias antes que ela fosse sequer mencionada novamente. Para uma espada que foi tomada das mãos de um morto, vamos combinar que pareceu ser muito banal.

No mais, a história fica um pouco em aberto, não explicando exatamente como os magos estavam perdendo seus poderes, muito menos porque Ged e Cod não foram afetados. Ou ainda o funcionamento dos dragões.

Só que isso são detalhes que não atrapalham o decorrer da história como um todo.

Adorei cada pedacinho da história e com certeza já se tornou um dos meus filmes favoritos.

4/5 estrelas.

Laputa – Castelo no Céu

Castle in the Sky

Sinopse: Essa aventura nas alturas começa quando Pazu, um aprendiz de engenheiro encontra uma jovem garota, Sheeta, flutuando pelos céus e usando um colar brilhante. Juntos eles descobriram que ambos estão procurando por um lendário castelo flutuante, Laputa, e prometem desvendar o mistério do cristal luminoso do colar de Sheeta. Contudo, a aventura deles não será fácil. Há piratas gananciosos dos céus, agentes secretos do governo e obstáculos impressionantes que tentam esconder a verdade e os separá-los.

Fim de semana Studio Ghibli porque, why not?

Juro que estou tentando colocar a leitura em dia, mas filmes são tão mais fáceis de terminar…

Castle in the Air foi o primeiro filme do estúdio, sendo lançado em 1986. Não imaginava que um filme tão antigo seria tão bem feito e tão maravilhoso. ❤

A parte mais divertida de assistir aos filmes do Studio Ghibli é encontrar aqueles personagens que eles usam novamente em outros filmes. Por exemplo, logo quando os meninos chegam em Laputa, há um robô gigante que cuida de todos os animais ali. Em uma das últimas cenas que o robô aparece, ele está com uns animais parecidos com raposas brincando em cima dele. O mesmo bichinho que Nausicäa cuida.

Em resumo, Studio Ghibli é amorzinho. ❤

Acompanhamos Sheeta e Pazu em sua busca por Laputa e temos muitas reviravoltas enquanto eles se aproximam de seu objetivo. Incluindo descobrir que Sheeta é a princesa da cidade do céu.

Impressionante como o ser humano é tão bem caracterizado no filme – e não de uma forma legal – buscando riquezas e armas.

Os filmes do Studio Ghibli costumam ter uma pegada bem naturalista, criticando a busca incontrolável do ser humano pelo poder, por riquezas e as guerras que isso gera. Então é maravilhoso perceber que esse modo de criticar a natureza humana está presente desde o primeiro trabalho do estúdio.

4,5/5 estrelas.

O Castelo Animado

Howl's moving castle

Sinopse: Sophie é uma jovem de 18 anos que trabalha sem descanso na chapelaria que era de seu falecido pai. Numa de suas raras idas à cidade, ela conhece Hauru, o Mágico. Hauru é extremamente sedutor, mas de caráter duvidoso. Confundindo a relação entre eles, uma feiticeira lança um terrível encanto sobre Sophie, transformando-a numa velha de 90 anos. Aflita com sua situação, Sophie foge e se torna errante em terras desertas. Acaba por se deparar com O Castelo Animado de Hauru e, escondendo sua verdadeira identidade, consegue ser contratada para fazer serviços domésticos. A “velha senhora”, misteriosa e dinâmica, logo dará nova vida à antiga habitação, na qual vivem apenas um jovem aprendiz, Marko e a pessoa responsável pelo Castelo, Calcifer, o demônio do fogo. Cheia de energia, Sophie faz milagres. Que fabuloso destino a espera? E se sua história com Hauru estiver apenas começando?

Já havia assistido O Castelo Animado há muito tempo, mas como esse ano será o ano de reassistir aos filmes do Studio Ghibli, cá estou eu, novamente feliz e encantada com este filme maravilhoso!

Sophie é uma personagem que conseguimos nos relacionar, mesmo com toda magia que acontece ao seu redor e mesmo com ela. Acontece que ela é uma garota comum, com objetivos comuns. E a última coisa em que pensa é encontrar alguém para ter ao seu lado.

Sua vida é trabalhar na antiga chapelaria de seu pai, conversar com sua irmã e se manter bem. É claro que tudo isso muda quando Howl a encontra e a “salva” das investidas de dois soldados. Com isso ela se torna alvo da Bruxa que perseguia Howl.

Sophie, tendo sido transformada em uma velha, resolve deixar sua vida para trás para não causar problemas para sua família e acaba por se encontrar com o castelo de Howl, onde passa a trabalhar como empregada.

É claro que, se fosse um filme típico de animação, Sophie seria salva por Howl, que obviamente veria através do feitiço que transformou Sophie. Só que estamos falando de Studio Ghibli. E para eles, não é bem assim que funciona a realidade.

Sophie salva a si mesma e, no meio do caminho, salva Howl e Calcifer e consegue até mesmo acabar com a guerra que assolava seu país.

Quem tem o papel secundário na história é, na realidade, Howl, o grande bruxo, assim como seu castelo e todos os que ali moram.

E é muito mais interessante acompanhar a história de uma garota comum que descobre que, na verdade, ela não precisa de um príncipe encantado para poder fugir da sua vida, mas sim perceber que o poder de mudança estava dentro dela desde o começo.

Se no final ela encontrou o grande amor da sua vida, bem, isso é apenas um bônus, não o cerne da história.

Well played, Studio Ghibli, well played.

5/5 estrelas!

A Grande Muralha

The Great Wall

Sinopse: No século XV, um grupo de soldados britânicos está combatendo na China, e se depara com o início das construções da Grande Muralha. Aos poucos, percebem que o intuito não é apenas proteger a população do inimigo mongol e que a construção esconde um grande segredo.

A primeira pergunta que passou pela minha cabeça em um filme obviamente chinês foi: O que o Matt Damon está fazendo na China e como eles vão conversar entre si?

O filme tem uma ótima forma de explicar exatamente essa pergunta, então eu não vi muitos motivos pra achar tão ruim assim a presença desses soldados ocidentais ali.

O que mais me chamou a atenção no filme foi a organização fantástica que criaram para o combate. Cada pelotão com sua cor e sua função, de uma forma rígida e bem treinada. Algo que realmente remete à organização do oriente.

Claro que é um filme fictício, que todas aquelas armas e modos de combate são apenas ficcionais – eu acho, porque se for de verdade, SHISUIS como deveria ser “divertido” lutar daquela forma! – e a história também não é nada além do que fruto da imaginação de alguém.

Só que mesmo sendo tudo fictício, é uma história que você consegue comprar.

Isso é… Até a explicação de que os monstros são aliens.

É… Tanta mitologia interessante espalhada por esse mundo e a escolha para os monstros são aliens. Sério?

E esses aliens são máquinas assassinas com o objetivo de destruir a Terra. Simples assim.

Posso dizer que eu me cansei desse tipo de história. Cadê os aliens inteligentes que querem estudar os humanos, entender porque a gente se odeia tanto assim?

E, de novo, acho que estou divagando demais. Com certeza é o sono…

Gostei de ver que as mulheres têm um papel importante na guerra travada contra os monstros, gostei de ver que uma mulher se torna general. E eu adorei ver como ela não precisa que ninguém diga a ela o que fazer ou como lutar. Ela não precisa da permissão ou da confirmação de ninguém para que ela saiba o seu dever.

Mulan for president!

Não, calma… Esse é outro filme.

Achei bastante interessante a forma como eles fizeram a comunicação entre os monstros, só achei muito fácil a forma de conseguir matá-los.

All in all, foi um filme que me divertiu bastante. 3/5 estrelas.