Bom dia, Verônica

MLI 2017 Bom dia, Verônica

Sinopse: Em “Bom dia, Verônica”, acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.

Andrea Killmore compõe thrillers como os grandes mestres, e sua experiência de vida confere uma autenticidade que poucas vezes encontramos em suspenses policiais, vibrante e cruel — como a realidade.

Devo dizer que discordo da sinopse. Uma das coisas que mais me irritou nesse livro é o fato de que Verônica não é uma investigadora, ela não sabe o que deve fazer e só faz merda a porra do livro inteiro.

Como concepção, eu gostei bastante da história. Um serial killer brasileiro. Certo, a ideia do serial killer brasileiro foi MUITO legal, até porque eu acho que exista até mais do que a gente imagina. O que eu não gostei foi a forma como a história foi colocada.

De certa forma achei que o livro foi uma afronta às polícias civil e militar de uma forma muito gratuita. Não duvido que há corrupção, há abuso de poder e tudo o mais, mas colocar o serial killer como o policial militar? Tinha mesmo necessidade disso?

O outro caso que Verônica investiga, o do suicídio de Marta Campos, o suspeito também faz parte do serviço da polícia, mas agora é do IML.

Além de tudo isso, temos uma narrativa que aparenta querer empoderar uma mulher, mas que para fazer isso a coloca como a única que pode fazer as coisas erradas na história.

O que eu quero dizer com isso é que além de todo o problema que Verônica enfrenta para investigar muito mal os dois casos que foram apresentados para ela, ainda precisa enfrentar seu relacionamento com o marido se deteriorando. Por escolhas dela.

Fiquei com a impressão durante a leitura deste livro que: justiça pelas próprias mãos é algo aceitável, mulheres traírem seus maridos “só pelo tesão” é válido, mas AI DE QUEM FIZER O MESMO COM ELA!

Como história? Gostei, foi razoavelmente interessante. Agora, como um livro para tirar conclusões para a vida? Para achar que esse deve ser o papel da mulher na sociedade? HELL NO.

3/5 estrelas bem controversas.

J.R.R. Tolkien, o Senhor da Fantasia

E, mesmo dizendo que tento ao máximo limpar a lista de livros pra ler – preferencialmente sem comprar livros novos -, devo admitir a minha felicidade quando a Taki leu a biografia do Tolkien para o item de livro baseado em fatos reais. Assim, pude acrescentar esse livro para o item 29. Um livro que conheceu por causa do desafioJ.R.R. Tolkien, o Senhor da Fantasia por Michael White.

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Fazia tanto tempo que queria ler essa biografia. E ela é simplesmente maravilhosa! Mais uma vez a Editora Darkside fez um ótimo trabalho em lançar um livro edição especial dessa vez de verdade, foi um parto encontrar esse livro à venda, comemorando os 125 anos do Tolkien – com direito a pôster dupla face! O mapa da Terra Média de um lado e uma foto clássica do Tolkien do outro. ❤ Um amorzinho.

Sinopse: Para comemorar os 125 anos de nascimento de Tolkien, a DarkSide® Books publica esta edição comemorativa de J.R.R. Tolkien, o Senhor da Fantasia, com nova capa e um mapa pôster exclusivo da Terra Média. A biografia reconta a vida do autor de clássicos como a trilogia O Senhor dos Anéis e O Hobbit, e considerado um dos maiores autores de fantasia de todos os tempos, que em breve vai ganhar uma adaptação para o cinema.

A obra de Michael White acompanha a vida e a trajetória do escritor, começando por sua infância na África do Sul, seguida do retorno da família para a Inglaterra, onde os Tolkien estabeleceram-se em Birmingham, cidade que passava por uma rápida industrialização nos anos 1890, mas ainda era cercada por uma paisagem de tirar o fôlego. Este cenário que reunia e mesclava o coração industrial do Império britânico próximo a bosques e montanhas idílicas e selvagens foi determinante para as ideias e a escrita de Tolkien.

Já é clássico o momento inspirador quando era professor em Oxford e um dia, corrigindo exames, ao se deparar com uma página em branco que um aluno havia deixado no caderno de exercícios, Tolkien escreve de repente: “Em uma toca no chão vivia um Hobbit”. Bem à sua maneira, ele fica intrigado com aquilo e decide descobrir mais a respeito dos hobbits. Escrito para os seus filhos, O Hobbit tornou-se um sucesso imediato quando foi publicado em 1937. Vendeu milhões de exemplares mundo afora desde então e estabeleceu-se como “um dos livros mais influentes de nossa geração”. Influência e paixão que só aumentaram com as adaptações para o cinema da trilogia de O Senhor dos Anéis, por Peter Jackson, e que voltam a atrair a atenção de todos novamente com o começo da nova trilogia de O Hobbit.

Assumo que, mesmo com toda a vontade louca de ler esse livro, tive receio. Senti muito medo de saber mais sobre a vida de Tolkien. Meu amor pelos escritos dele vem de muito tempo e, sim, eu o idolatro. A saga da Terra Média é minha saga favorita, O Senhor dos Anéis é meu livro favorito e eu o leio ao menos uma vez por ano.

Então, sim… Tive medo de ler sobre Tolkien e destruir um pouco da imagem que tinha dele em minha mente, de me decepcionar e de acabar quebrando o encanto que tenho pelo seu trabalho.

E é com um imenso alívio que digo que não. Isso não aconteceu. Ufa.

De certo modo, fiquei ainda mais apaixonada por seu trabalho. E me reconheci muito na forma como ele criava, ou melhor, subcriava. Seu modo perfeccionista de ser, seu alto nível de exigência e, porque não, sua forma “superior” de ser – talvez beirando a mesquinhez(?) – acertou em cheio no meu processo criativo. Então… é.

Não estou dizendo que meus trabalhos – poucos, falhos e ínfimos – sejam equiparáveis aos do mestre, mas que passo pelo mesmo caminho no processo criativo. Vocês não fazem ideia de quantas vezes eu escrevi, reescrevi e acabei por deletar contos que postaria aqui…

Suspiro.

De qualquer forma, essa resenha obviamente não é sobre mim, então que voltemos ao assunto principal.

A biografia me mostrou um lado humano de Tolkien, a forma como ele se relacionava com sua esposa, seus filhos, seus amigos e seu trabalho. Como ele sofria para pagar as contas, como se esforçava para ser um bom pai e um bom marido, e como ele realmente se importava com o seu épico.

Descobrir a face humana, frágil, quebradiça e cheia de defeitos do mestre só serviu para me inspirar e para dar um ar mais palpável sobre ele. Posso reafirmar com toda a certeza, adoraria ter o conhecido – mesmo que ele não conseguisse compreender a necessidade dos fãs de sua obra de conhecê-lo.

4/5 estrelas.

Em Algum Lugar nas Estrelas

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Querida Editora DarkSide, puqe fais içu? Olha essa capa! Olhem pra esse livro tão lindo e maravilhoso! Como acreditar que uma pessoa obsessiva por coisas bonitas eu não compraria ele só pra deixar a estante mais bonita?

E a história ainda é magicamente maravilhosa!

Isso já é jogar sujo… Ainda não descobri um livro publicado por vocês que eu não queira ler. Hunf… Só falta a verba pra conseguir comprar…

Anywho… Vamos adiante com essa resenha.

Sinopse: EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS é um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai… bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden.

Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor.

Obsessivo, Early Auden tem regras específicas sobre que músicas deve ouvir em cada dia da semana: Louis Armstrong às segundas; Sinatra às quartas; Glenn Miller às sextas; Mozart aos domingos e Billie Holiday sempre que estiver chovendo. Seu comportamento é um dos muitos indícios da síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo que só seria descoberta muito tempo depois da Segunda Guerra, e que inspirou personagens já clássicos como o Sr. Spock (Star Trek), o Dr. House e Sheldon Cooper (The Big Bang Theory).

Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam paracasa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz.

EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS é uma daquelas grandes histórias que permanecem com você por muito tempo, perfeita para ler entre amigos ou passar de pai para filho. Tudo que é real pode ser uma grande fantasia ou uma coincidência inevitável. Somos muito mais que um simples desejo do acaso. Nossos caminhos vão se cruzar no primeiro semestre de 2016 nesta obra premiada com o Printz Honow Award em 2016, indicada a outra dezena de prêmios e eleita o livro do ano em dezenas de listas preparadas pelos leitores.

Comecei a ler o livro sem fazer ideia do que seria sobre, literalmente tendo me apaixonado pela capa e tendo a total e absoluta certeza de que precisava lê-lo. Então, inicialmente, me deparei com Jack Baker terceiro e sua repentina mudança do Kansas para o Maine. Senti seus medos, sua vergonha e seu desejo de voltar para casa – mesmo não tendo exatamente uma casa para voltar.

É o clássico problema que uma criança tem que enfrentar. A mudança. Começar uma nova vida em outro lugar, descobrir novos amigos, novos hobbies. Uma nova vida que nem sempre queremos dar início.

Acontece com todos, em algum momento acabamos nos encontrando nessa situação e, convenhamos, não é das melhores. Mesmo empolgados para dar um novo passo em nossas vidas, temos receio em deixar para trás aquela outra, aquela que nos acompanhou por tanto tempo. E temos que aprender a viver em harmonia entre essas duas situações. O novo e o velho.

Mas estou me adiantando… E fugindo um pouco da resenha.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

Quando começa suas aulas no colégio interno, Jack encontra-se à deriva. Não (re)conhece o pai que voltou da guerra, não tem ao seu lado a presença reconfortante da mãe e deixou para trás tudo o que era conhecido e familiar, entrando em águas desconhecidas e sem meio de se encontrar.

Suas tentativas desafiadoras e orgulhosas de se encontrar em um mundo do qual não faz parte e que é completamente desconhecido para ele, acabam em falhas vergonhosas, tornando-o como um náufrago.

Isto é, até encontrar Early Auden.

Early é uma criança diferente. Não assiste a aulas que não concorda com o que está sendo ministrado, tem músicas específicas para escutar durante os dias da semana e não gosta de ser desafiado quanto ao que tem como verdade.

E, é claro, consegue ver nos números que compõem o pi uma história assim como nós conseguimos ler um livro.

Não sei exatamente o que foi que me chamou mais a atenção em Early, se sua forma diferente de lidar com o mundo ou a história maravilhosa de Pi. Talvez mesmo a sua cruzada pessoal para encontrar o irmão.

O interessante é ver como Jack e Early conseguem se comunicar, como eles precisam um do outro para continuar seguindo adiante, como eles contam um com o outro para alcançar seus objetivos.

E mesmo que Early seja diferente, que ele veja o mundo de uma forma diferente, isso não significa que ele esteja errado, que a forma como ele vive é errada. Ou que a nossa forma de viver seja a certa. São apenas… pontos de vista diferentes.

[FIM DOS SPOILERS]

Este livro trata sobre superação, amizade, companheirismo e família de uma forma tão genial e simples que tocou meu coração e chorei com o final do livro. Mereceu suas 4/5 estrelas.

Um livro que aconselho a leitura a todos. Um amorzinho! ❤

Labirinto

Eu e minha maravilhosa mania de entender/supor coisas erradas. Honestamente, me senti como Sarah à medida que caí em mim e percebi que, ao contrário do que eu imaginava, Labirinto não é “o livro que deu origem ao filme”, mas sim a romantização do script do filme.

Vê como não devemos supor como as coisas realmente funcionam, Sarah?

Farei essa resenha, então, de uma forma ligeiramente diferente do meu padrão resenha livro-filme. Iniciarei com o filme, para depois falar sobre o livro.

Labirinto – A Magia do Tempo Por que sempre com o subtítulo, Brasil?

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Sinopse: Totalmente frustrada por ter que cuidar do irmão mais novo em mais um final de semana, a adolescente Sarah (Jennifer Connelly), que possui muita imaginação, acaba dando vida aos duendes personagens do seu livro favorito “Labirinto”, para que eles sumam com o bebê. Mas quando o pequeno Toby (Toby Froud) realmente desaparece, Sarah precisa ir atrás dele neste mundo de conto de fadas e tentar resgatá-lo das mãos do maldoso Rei dos Duendes (David Bowie). Protegendo o castelo, encontra-se o labirinto – um emaranhado de armadilhas repleto de estranhos personagens e perigos desconhecidos. Com o intuito de salvar Toby a tempo, Sarah terá que enganar o rei ficando amiga dos duendes que o protegem, na esperança de que a fidelidade deles não passe apenas de uma ilusão num lugar em que nada parece ser o que é!

O filme é de 1986 e devo dizer que me impressionei com ele. A atuação de Jennifer Conelly é uma graça mesmo existindo momentos em que eu quis socar a cara dela…, fora que ver David Bowie como Jareth foi algo grandioso. Meu crush por Bowie foi intensificado e acabei me apaixonando pelo Rei dos Duendes – e ele canta! Oh meu Deus, e como canta!

Existiram momentos em que fiquei curiosa em relação a todo esse relacionamento Sarah-Jareth, pois parecia que o Rei desejava a garota ao mesmo tempo em que não queria que ela conseguisse chegar ao centro do Labirinto. Fiquei com aquela ligeira impressão de que alguma cena tinha sido cortada, que o livro original tola poderia me dar mais informações.

Além da atuação, achei interessante como o labirinto foi criado, a forma como os duendes e todos os outros seres que Sarah encontra eram bem feitos. É claro que há algumas cenas meio trash – o filme tem 30 anos! -, mas nada que impeça uma boa apreciação da obra – que permanece sendo uma obra-prima mesmo após 3 décadas.

Recebeu 4/5 estrelas.

Labirinto

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Peço desculpas pelas fotos desfocadas, mas a minha câmera do celular simplesmente não presta… E não achei na internet foto de tudo pra postar aqui, então…

Sinopse: Trinta anos sem perder a magia. Tudo começou em um pequeno “labirinto” real na cabeça de James Maury, mais conhecido pelo nome de Jim Henson. O cartunista, músico, roteirista, designer e diretor sabia acessar como ninguém o coração das pessoas e o seu maior dom foi dar vida a seres inanimados. A nova geração pode não lembrar do seu nome, mas com certeza tem seus personagens gravados na memória: Os Muppets, Vila Sésamo, Muppets Babies e até a inesquecível Família Dinossauro. Além deste, Henson também criou fábulas como “Labirinto”, em parceria com George Lucas, filme que encantou toda uma geração quando foi lançado, há 30 anos, com David Bowie como Jareth, o Rei dos Duendes, e também responsável pela trilha sonora, e uma jovem Jennifer Connelly no papel de Sarah, a protagonista que deseja que os duendes levem Toby, seu meio irmão e – para seu espanto – é atendida. Arrependida, ela é desafiada pelo Rei dos Duendes a atravessar o sombrio Labirinto, repleto de perigos e seres mágicos.

A novelização de Labirinto finalmente é publicada em português, em uma edição à altura do mestre. Escrita por A.C.H. Smith em parceria com Henson, a edição apresenta pela primeira vez as ilustrações dos duendes feitas por Brian Froud, que trabalhou no filme, além de trechos inéditos e nunca vistos com 50 páginas do seu diário, detalhando a concepção inicial de suas ideias para Labirinto, comemorando os 30 anos do filme em grande estilo.

Como podem ver, o livro é a novelização do script do filme, com conteúdo inteiramente novo – ilustrações e diário de criação – e feito de forma magistral pela Editora DarkSide. A capa do livro é idêntica ao livro de Sarah no filme e achei a imagem de Sarah e Jareth dançando simplesmente divina como mais um detalhe a mais do livro.

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A contracapa já traz alguns dos desenhos dos duendes, o que ajuda na hora de imaginá-los – afinal eles são diferentes daqueles que aparecem no filme – e para dar um gostinho de quero mais na leitura.

Da história em si, não tive dificuldades para identificar as cenas extras, até porque eu assisti o filme tem menos de uma semana e achei que cada uma ajudou a entender e desfrutar ainda mais – e melhor – a história.

Como uma narrativa novelizada não gosto deste verbo agora temos acesso ao que os personagens estão pensando e sentindo de uma forma muito mais precisa do que no filme, então o que eu achei estranho no filme – a relação dicotômica Sarah-Jareth – é muito melhor explicada.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

Sarah e Jareth sentem desejo entre si, ambos temendo o poder latente que Sarah demonstra com seus desejos e decisões e, principalmente, com a forma como ela cativa as pessoas ao redor dela. Jareth sente-se ameaçado pelas atitudes dela, ao mesmo tempo em que pensa em como seria tê-la ao seu lado, amando-o, temendo-o.

Eu estou shippando hard os dois! E nada me tira da cabeça que o Rei Duende é na verdade a coruja branca, então ele continua por aí! Possivelmente à espera de um novo desejo por parte da Sarah.

O final do filme é ligeiramente diferente do final dado ao livro, o que achei muito mais sensato. Não fazia o menor sentido ao final do filme todos aqueles monstros que ela viu no labirinto fazerem parte da sua vida, sendo que a teoria era que ela estava deixando esse lado mágico da sua vida para trás.

[FIM DOS SPOILERS]

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Adorei poder ver os desenhos originais, a como eles imaginaram cada personagem, como eles mudaram cada um e, até mesmo, os primeiros esboços de como eles se moveriam. O trabalho de Brian Froud é muito lindo e nos transporta para um mundo mágico.

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Na parte do diário de Jim Henson achei muito interessante ver como era o processo de criação dele. Todos os temas, rascunhos, desenhos… Bem, a forma como ele conseguiu criar este – e tantos outros – universo maravilhoso de Labirinto foi simplesmente fantástico. Sendo uma pessoa que tem um pézinho na escrita, me reconheci em seu diário, com todos os rascunhos e ideias desbaratadas anotadas sem uma forma concisa de leitura…

Foi um livro que mereceu suas 5/5 estrelas.

Exorcismo

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(Imagem da internet)

Sinopse (retirada do site GoodreadsSe a ficção consegue ser tão assustadora, imagine o poder contido na história real? Muitos não sabem, mas a obra-prima de W. Peter Blatty, O Exorcista, não se trata de uma invenção. Ela foi inspirada num fenômeno ainda mais sombrio, desses que a ciência não consegue explicar: um exorcismo de verdade.

A história real aconteceu em 1949, e você pode conhecê-la — se tiver coragem! — no livro EXORCISMO, do jornalista Thomas B. Allen, lançamento da DarkSide Books em 2016. Exorcismo narra em detalhes os fatos que aconteceram com Robert Mannheim, um jovem norte-americano de 14 anos que gostava de brincar com sua tábua ouija, presente que ganhou de uma tia que achava ser possível se comunicar com os mortos.

Thomas B. Allen contou com uma santa contribuição para a pesquisa do seu trabalho. Ele teve acesso ao diário de um padre jesuíta que auxiliou o exorcista Bowdern. Como resultado, seu livro é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren definiram a obra de Thomas B. Allen como “um documento fascinante e imparcial sobre a luta diária entre o bem e o mal”.

Tudo se inicia com uma ida não programada para Brasília, onde está acontecendo a III Bienal Brasil do Livro e da Leitura no Estádio Mané Garrincha entre os dias 21 a 30 de outubro de 2016. Como nunca havia ido a uma Bienal do Livro antes, achei uma viagem válida e posso dizer que gostei bastante da experiência.

Além de conhecer novos livros, editoras independentes e poder gastar dinheiros comprando livros, deparei-me com este livro da Editora DarkSide.

Sou uma pessoa crente em Deus, mas que não segue nenhuma religião, mesmo tendo sido criada na Igreja Católica. Posso dizer que sou interessada no tópico exorcismo desde o fatídico – e tenso – dia em que assisti O Exorcista pela primeira vez. Desde então sigo um padrão complexo de assistir a filmes/seriados com o tema exorcismo e ter vários pesadelos por dias sem fim além de um cagaço dos mais intensos até deixar a história cair em certo esquecimento.

Um dos últimos filmes sobre exorcismo que assisti – e que foi fantástico – foi sobre a possessão demoníaca na cultura judaica. O filme se chama Possessão e se encontra disponível na Netflix momento merchan. Achei extremamente interessante – e assustador – porque sempre tive contato com a possessão e exorcismo pela cultura católica-cristã, então… É.

Acho que já deu para perceber que sou um pouco medrosa e masoquista em relação a temas de terror, certo? Sim, eu leio/assisto para ficar assustada. Vai entender.

O que mais me chamou atenção nesse livro e o que me motivou a comprá-lo afinal foi saber que é a história original na qual o livro e filme O Exorcista foi baseado. Como eu disse, meu primeiro contato com esse filme deixou marcas eternas no meu inconsciente, então nada mais justo do que ler o relato original. E, falando sério, tem como deixar a história ainda mais interessante e deliciosamente tensa do que saber que o relato do exorcismo foi real? É a máxima das histórias de terror, tudo vai bem e nem tão assustador assim, até que as palavras “baseado em fatos reais” aparecem. E sua coragem vai por água abaixo.

A história do livro, não um romance como eu esperava, mas sim o relato do caso do garoto Robbie, me prendeu de tal forma que não consegui largar o livro até chegar ao final. Fiquei absolutamente transtornada e envolvida com a história ali narrada. Só me convenci a deixar o livro momentaneamente de lado quando vi que era 1:30 da manhã, sabendo que no dia seguinte precisava acordar cedo e ir trabalhar; fora que estava tão envolta com a história que foi difícil dormir e não sonhar com o que estava relatado.

E isso porque nem chegara ao diário verdadeiro que está incluso ao final do livro.

Acho que vou me repetir, mas a minha criação católica foi muito forte, no sentido de que realmente cresci dentro da Igreja. Catequese, Primeira Comunhão, Crisma, you name it, eu fiz tudo o que era esperado pelos meus pais. O problema, entretanto, é que mesmo não acreditando piamente em tudo o que é pregado pela Igreja, a criação ficou ali, arraigada num nível tão basal que acabo me voltando a ela quando estou passando por momentos difíceis. Como ao final da leitura desse livro, por exemplo.

Como diz no livro, é meio que necessário acreditar no Demônio para poder aceitar e acreditar o que é pregado na Bíblia. Então coisas que mexem com essa minha parte – uma parte que eu não costumo dar tanta atenção assim – acabam me deixando um tanto transtornada.

é exatamente o que esse tema de exorcismo faz comigo, ele mexe com esse lado visceral, inominado, profundo. Uma parte grande que me constitui como pessoa. E assim dou início aos spoilers logo abaixo.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

O livro narra a história de Robbie – nome fictício para proteger a identidade da criança – em ordem cronológica, então acompanhamos o desenvolvimento, a piora dos sintomas e a transformação de uma criança comum, educada e feliz, em uma criança apática, indiferente ao mundo ao seu redor e agressiva.

Tia Harriet, irmã do pai de Robbie, é uma mulher espiritualista e apresentou o garoto de 14 anos ao tabuleiro de Ouija. Para o garoto era, inicialmente, mais um jogo de tabuleiro, mas a sua tia realmente acreditava que poderia entrar em contato com espíritos dos mortos e que tal contato não traria nenhum mal para ela ou sua família.

Os primeiros incidentes, que se iniciam após a introdução do tabuleiro de Ouija na vida de Robbie, são tão fracos, tão banais que não convence ninguém do mal – nem mesmo nós leitores. São apenas sons, sem nenhuma outra forma de “contato” com a família. Após alguns dias de sons de arranhões que toda a família escuta, logo começam os incidentes de objetos sendo movimentados sem nenhuma participação de alguém da família.

Todos os incidentes na casa da família, na escola, e até na casa do pastor da igreja luterana – religião a qual a família era devota -, eram centrados em Robbie. Logo não eram apenas objetos que se moviam, o próprio garoto começou a mudar. Tornou-se mais taciturno, recluso à casa por vergonha do que acontecia na escola, e começou a ter problemas físicos para dormir – a cama se mexia, o colchão se debatia, os arranhões eram escutados. A situação ficou tão complexa que ninguém da casa conseguia descansar… E o pastor luterano sugeriu, após convencer a família a levar o garoto a diversos médicos, de que a situação precisava de um padre católico.

Achei deveras interessante perceber que a Igreja Luterana, mesmo acreditando – até certo ponto – na possessão demoníaca, tem uma conduta completamente diferente da Igreja Católica. Interessante foi também aprender um pouco mais sobre os processos para dar início a um exorcismo. Gosto de saber como as coisas funcionam… Mas enfim.

Após um primeiro exorcismo mal sucedido Robbie começou a piorar. Arranhões, que não eram causados pelo garoto, começaram a surgir em seu corpo e já não havia noites de sono para a família. Seus pais criaram, então, um temor pela ideia de exorcismo, já que o filho se mostrou muito mais agressivo após o início da tentativa frustrada de exorcismo.

A partir daí, é só ladeira abaixo. O rapaz fica cada vez mais enclausurado, com cada vez mais problemas para dormir e até mesmo para se relacionar com sua família. E a minha angústia só crescia. Era nítido que ninguém realmente sabia o que fazer, como lidar com o que estava acontecendo com o guri, e eles acabavam tomando certas atitudes que me destruíam por dentro. Queria gritar com eles, ajudá-los a entender o que acontecia, o que deveria ser feito.

Quando o exorcismo começa de fato, a situação – que já não era simples – piora de maneira catastrófica. Era exigido muito de todos, principalmente do padre Bowdern e de forma ainda mais drástica do próprio Robbie. Eu me via dividida entre a vontade de abraçar os envolvidos dizendo que ia ficar tudo bem, e o profundo desespero enquanto aguardava, juntamente com todos, o derradeiro fim do caso.

[FIM DOS SPOILERS]

Céus!

Ao terminar de ler o Diário do padre Bishop – que participou como auxiliar do exorcismo do garoto – e todas as notas e bibliografia usadas pelo autor, posso dizer com toda certeza que foi um livro que mexeu comigo de tal forma que ainda não estou sabendo lidar…

Em relação à edição do livro em si, existem alguns erros de digitação que passaram desapercebidos, mas que não alteram em nada a leitura ou a minúcia com a qual o livro foi feito. O trabalho desta publicação foi magistral – como é o padrão da Editora DarkSide -, o livro em capa dura com relevo no local da cruz – como se fosse feita de areia e com o detalhe da cruz de ponta cabeça na parte de trás do livro-, a contra capa com o tabuleiro ouija completo com sua planchette – a peça que o espírito contactado usa para conversar com os participantes do “jogo” -… Tudo se somando para te colocar em contato com um lado mais visceral, mais instintivo. Você ou no caso eu realmente se sente de posse de algo real, palpável, talvez profano.

Quanto às considerações sobre o exorcismo, se a possessão é/pode ser algo real e ter realmente acontecido ao garoto Robbie… Bem, cabe apenas a você decidir no que acreditar.

Mereceu suas 4/5 estrelas.

O Menino que Desenhava Monstros

O Menino que Desenhava Monstros foi o meu primeiro livro de Keith Donohue e, pelo que pude ver nessa história maestral, não será o último.

O Menino que Desenhava Monstros

 Sinopse: Um livro para fazer você fechar as cortinas e conferir se não há nada embaixo da cama antes de dormir. O Menino que Desenhava Monstros ganhará uma adaptação para os cinemas, dirigida por ninguém menos que James Wan, o diretor de Jogos Mortais e Invocação do Mal.

Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.

Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.

Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.

Uma das coisas que me deixou feliz e triste ao mesmo tempo são os narradores. Praticamente cada capítulo é narrado por um personagem diferente, o que é muito interessante e ajuda a compor o clima de estranheza e medo crescente no livro, entretanto, em alguns capítulos há dois ou mais narradores, sem uma distinção explícita de quando eles intercalam entre si, o que me deixou confusa durante alguns parágrafos.

Cada personagem é bem desenhado pun intended e caracterizado, cada qual com sua profundidade, medos, sonhos e desejos.

Devo dizer que enquanto lia o livro, realmente me assustava! O clima é tão bem construído que sofria dos temores de cada personagem, a cada momento em que algo fora do normal acontecia, eu me via lançando olhares para os cantos, esperando ver os monstros ali me observando. Não ajuda em nada o fato de que passei por uns momentos tensos antes de começar a ler o livro associando uma crise de ansiedade com filmes de terror e este livro. Foi um combo que me fez ter pesadelos por alguns dias.

Achei interessante como o autor abordou o tema da Síndrome de Asperger, dando um certo grau de conhecimento sobre o problema à medida que mostrava o relacionamento de Jack com seus pais e com o mundo. Infelizmente não conheço a síndrome à fundo para dar uma opinião médica sobre o assunto.

E, como sempre, devo dizer que a Editora Darkside se superou com esse livro. A capa é muito bem feita, os desenhos em cada página, a forma como a história é dividida e a tradução, foi simplesmente divino. Estou apaixonada.

4/5 estrelas.