A Menina do Outro Lado

Sinopse: A Menina do Outro Lado é uma fábula sobre a criação do afeto e o amor entre duas criaturas tão diferentes, mas com muito a compartilhar. Uma trama atual sobre a condição do diferente e da falta de aceitação. Sobre largar seus medos e enfrentar a vida com um novo olhar.
1 – Em um país dividido entre pessoas normais e seres amaldiçoados, Shiva é uma menininha que foi acolhida por uma estranha criatura meio animal e meio humana. Sensei, como é chamado, não pode ser tocado e vive fora da cidade. Afastado do convívio com os demais e ciente dos perigos e maldições que os rodeiam, Sensei alerta Shiva para que ela não saia sozinha. Porém, quando a menininha decide reencontrar sua tia desaparecida, regras são quebradas — e a vida que eles conheciam é colocada em risco. 
2 – No primeiro volume, somos apresentados a um país dividido, onde perigos espreitam na floresta e nas redondezas, e conhecemos a história de Shiva, uma encantadora menininha que foi acolhida pela estranha criatura meio animal e meio humana que ela chama de Sensei. Ela não pode tocá-lo, senão será amaldiçoada. Quando um forasteiro invade a casa que eles habitam e toca no rosto de Shiva, tudo parece estar perdido. Com mais perguntas do que respostas, Shiva e Sensei partem em uma jornada em busca da verdade. Estaria a garotinha correndo perigo? E poderia a floresta revelar tudo aquilo que eles precisam saber? A atmosfera envolvente e cheia de contrastes de Nagabe — sua arte obscura e repleta de sensibilidade, o jogo de luz e escuridão, um mundo assombroso e convidativo — continua sendo sua marca registrada neste segundo volume ainda mais emocionante. 

Nada como brincar de mudar a sinopse dos mangás da Darkside

Resolvi fazer essa postagem conjunta sobre os dois volumes do mangá publicados no Brasil porque a história é curta, querendo ou não a narrativa de histórias em quadrinhos é sempre menor do que de livros, não é mesmo?

Somos apresentados a um universo que se divide entre normais e amaldiçoados. A aparência das pessoas normais é de humanos sem defeitos ou deformações, enquanto os amaldiçoados se assemelham a animais antropomorfizados ou não.

Além da visível diferença de aparência, não há muitas explicações sobre essa maldição. Os amaldiçoados não precisam se alimentar ou dormir, mas não há nenhuma real diferença entre eles.

Pode-se dizer que Sensei é, inclusive, mais humano – no sentido de ter empatia e se preocupar com Shiva, cuidando da garota – do que praticamente todos os outros normais que aparecem na história.

As cidades são muradas para impedir que os amaldiçoados entrem e contaminem seus moradores. E aqueles moradores que por algum motivo aparentam estar amaldiçoados são prontamente levados para fora das muralhas e mortos.

Como eu disse, existe muita coisa que não foi realmente explicado, por exemplo, mesmo que exista uma justificativa “bíblica” para as maldições, não há uma real explicação de como elas surgiram inicialmente e como elas são transmitidas. Se é necessário contato entre um amaldiçoado e um normal, como as pessoas que vivem dentro de cidades sem contato nenhum com amaldiçoados podem ser contaminadas?

E no meio de tudo isso, temos Shiva.

Shiva é a coisa mais fofa do universo. Uma daquelas garotinhas inocentes que a única coisa que queremos fazer é proteger e ver ela crescer e ser feliz. ❤ Meu coraçãozinho congelado sofreu com a Shiva e o Sensei. É muita fofurice pra uma pessoa só, gente!

A personagem principal é, na verdade, a relação entre Shiva e Sensei. Então é muito interessante ver como eles se relacionam e como desenvolvem esse carinho que sentem um pelo outro mesmo sem poder se tocar. E pelo amor dos deuses tudo, sem imaginar um relacionamento amoroso entre os dois, ok?

Agora só nos resta aguardar enquanto o senhor Nagabe termina de escrever sua história e a Darkside publicar os mangás por aqui, afinal, cada final de volume é um plot twist pior que o anterior…

5/5 estrelas e favoritados.

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Paraíso Perdido

Sinopse: Um clássico da literatura mundial adaptado pela primeira vez em uma graphic novel única e essencial. Há 350 anos, o conflito entre Deus e Satã narrado em Paraíso Perdido, obra-prima de John Milton, virou um marco na literatura. Seus dez mil versos sobre a criação do mundo, a tentação e o desejo por redenção receberam reconhecimento instantâneo e serviram de inspiração para peças de teatro, músicas, pinturas e livros, ecoando na obra de mestres como Mary Shelley, C.S. Lewis, Philip Pullman e Neil Gaiman. Agora, a obra colossal foi reimaginada pelo premiado ilustrador espanhol Pablo Auladell. Com seu traço sombrio, quase desolado, o tributo captura o lirismo de Milton para quem ainda não teve o prazer de ler os cantos originais. Ao mesmo tempo, complementa a experiência do leitor, dando ainda mais vida ao texto. A graphic novel inspirada na grande obra de Milton chega para fazer parte da linha DarkSide Graphic Novel numa edição que deixaria Adão em apuros, com capa dura, bordas douradas e todo aquele cuidado que os fãs já esperam — e merecem. Chegou a hora da redenção.

Estou sem palavras para dizer o quanto essa graphic novel mexeu comigo.

Dividida em 3 partes, ela conta a queda de Lucifer e seus exércitos, o gênesis e a expulsão do homem do Jardim do Éden. Tudo narrado de uma forma lírica – é a adaptação de um poema, afinal – e ilustrada com maestria por Pablo Auladell.

Não conheci a obra original de Milton, e também não conhecia o traço do Pablo, mas posso dizer que foi uma combinação das mais maravilhosas!

Os traços do Pablo, nem sempre tão nítidos assim, traz toda uma ambientação que nos deixa de certa forma livres pra imaginar as coisas, mas que ao mesmo tempo indicam a incompletude de Lucifer e suas hordas e de Adão e Eva. Assim como demonstra a leveza e perfeição do Divino.

Achei bastante interessante o modo como as batalhas se deram, a participação de cada anjo e demônio, a forma como eles se tornam inimigos e o que custa a cada um deles fazer o que acham que é certo.

Gostei bastante da forma como as consequências da desobediência de Adão e Eva surgiram no mundo.

4/5 estrelas e muita confusão mental.

Francis

Sinopse: Uma bruxa e uma raposa sobrevoam uma floresta. Lá do alto, pouco antes de traçarem seu destino inevitável, elas admiram os contornos do Monte Orfano, uma montanha verdejante que esconde mistérios em cada canto. Juntos, elas criam caos e liberdade, mas até onde podem ir antes da escuridão as alcançar? 
Reserve um canto especial na estante e separe os melhores ingredientes na bancada. Ao lado da talentosa quadrinista italiana Jessica Cioffi, que atende pelo nome mágico Loputyn, prepararemos uma poção que vai abrir os caminhos mais sombrios dos corações dos leitores da DarkSide® Books. E tudo começa com uma raposa. Anote aí para não esquecer: seu nome é Francis. 
Francis é uma fábula encantada em que doçura e escuridão existem lado a lado. Com seu traço aquarelado, rico em tons pastéis, Loputyn apresenta uma aventura fascinante com elementos mágicos e mostra que todos temos luz e trevas dentro de nós. 

Segunda sinopse que precisei censurar… Honestamente não estou entendendo se são as sinopses da Darkside ou se é o Skoob, mas as sinopses das HQs da Darkside estão todas LOTADAS de spoilers…

Vou começar falando sobre os traços dessa maravilha que foi Francis! Assim como em Floresta dos Medos existe uma doçura, uma beleza inerente ao traço da Loputyn. A narrativa aqui não é tão macabra, mas trata de um tipo diferente de terror.

O terror interno, aquele que trazemos dentro de nossos corações.

Acompanhar Melina nessa história foi ao mesmo tempo maravilhoso e tão difícil. Melina é aquela garota que tem um potencial incrível dentro de si, que se ela se esforçasse conseguiria alcançar todos os seus sonhos e desejos, porém… Ela se auto-sabota a cada passo que dá durante toda a sua vida.

Cada escolha que ela faz, cada passo que ela dá é justificado por sua mente. Seu pessimismo em relação a si mesma, acreditando que nunca é boa o suficiente para alcançar nada de importante… Foi muito, muito doído.

Porque eu faço exatamente isso.

Fazia bastante tempo que não me reconhecia tão facilmente em uma personagem, ainda mais uma personagem de HQ, então foi uma sensação ao mesmo tempo fantástica e amedrontadora acompanhar Melina e Francis.

Fica o food for thought, até que ponto uma vida de recompensas imediatas é o suficiente para você?

5/5 estrelas e favoritadíssimo!

Floresta dos Medos

Sinopse: Uma garota empunha uma lamparina para vencer os contornos da escuridão. Ali perto, uma floresta. Calada e fantasmagórica, repleta de coisas estranhas. Criaturas misteriosas, sussurros velados, medos inomináveis. Pense naquilo que faz seu sangue correr depressa pelas veias. Uma voz sem corpo? Uma visão fantasmagórica? Ou, quem sabe, a possibilidade de viver algo sobrenatural?
Aguarde na penumbra e fale baixo. A DarkSide® Books convida você para um passeio pela floresta cheia de rostos pálidos e mãos geladas da premiada ilustradora Emily Carroll. Mas tome cuidado: assim como nos contos de fada, nem tudo que habita seus arredores é aquilo que parece ser.
De uma coisa nós temos certeza: as cinco histórias de Floresta dos Medos dão frio na espinha. Nelas, a quadrinista canadense — ganhadora de um prêmio Eisner, um dos mais importantes do universo dos quadrinhos — explora o medo subjetivo e imagético, composto de sensações estranhas que raramente conseguimos explicar. Não espere sustos que farão você pular; aqui, olhares de relance para os cantos do quarto serão muito mais comuns. Será que você está realmente sozinho em casa?
O texto de Emily Carroll é poderoso e poético, e suas ilustrações, carregadas de tons sombrios e avermelhados. Seu trabalho elegante evoca o etéreo dos contos dos irmãos Grimm, o extraordinário de Neil Gaiman, o gótico de Edgar Allan Poe e, principalmente, o realismo mágico de Angela Carter. E, assim como os grandes mestres, incita o leitor a enfrentar seus próprios medos e fraquezas. Você também ouviu uma batida à porta?

Nunca antes precisei censurar uma sinopse. Mas convenhamos, tem hora que sinopse dá mais spoiler que qualquer pessoa.

O desenho dessa HQ é simplesmente maravilhoso! De um cuidado e carinho tão lindos que soma ainda mais para deixar a narrativa assustadora, afinal, nada é mais assustador do que coisas fofas que não são inocentes, não é mesmo?

São 5 histórias avulsas compiladas em um mesmo volume. E cada uma delas lida com o terror de modo diferente. Um o medo é construído pela falta de informação, em outra pelo excesso da mesma…

E assim vemos várias facetas de um mesmo sentimento. ❤

Honestamente, foi uma leitura que não consegui largar, rápida, fluida e ligeiramente angustiante. Já quero continuação pra ontem!

5/5 estrelas e favoritado.

Uzumaki

Sinopse: Kirie Goshima e Shuichi Saito vivem na pequena cidade de Kurôzu-cho, que se vê repentinamente assolada por uma estranha maldição: os seus habitantes tornam-se obcecados por objetos com a forma de espirais (conchas de caracol, remoinhos e padrões) e acabam por morrer misteriosamente. Kirie and Shuichi elaboram um plano para escapar da cidade, mas os seus esforços não têm sucesso e no regresso acabam por descobrir qual é afinal o centro da espiral.

Ganhei de presente da minha Kyun esse mangá enorme e tão traumatizante… ❤

Assim, meu histórico com essa estória é antigo, afinal assisti o filme com uma amiga quando queríamos assistir filmes de terror japonês. Nos arrependemos? Sim. Mas mesmo assim foi uma história que ficou comigo – e acho que a minha amiga também.

Essa história de padrões e maldições é interessante e muito marcante. Porque é impressionante como acabamos procurando padrões nas nossas vidas para continuar com nossos dias. E isso é um pouco assustador.

Os desenhos do senhor Ito são muito bem feitos, não que isso signifique que são bonitos. Eles são bem macabros na verdade. Muito gore e coisas estranhas acontecendo ao mesmo tempo.

No geral, a história é bem… louca. Pra dizer a verdade, não existe muita explicação pra ela… é aquela história que te choca e te deixa mal. Traumatizado mesmo.

4/5 estrelas. E obrigada pelo trauma, Kyun

Maus

Sinopse: Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. 
A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. 
Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. 
Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.
 

Eu gosto muito de ganhar livros e HQs de presente. Particularmente, o Flávio é uma das pessoas que mais acerta nos presentes literários e fico muito feliz com isso. ❤

Histórias sobre as grandes guerras sempre me interessaram, não sei exatamente dizer o motivo, mas é uma leitura que costuma me deixar bastante feliz de fazer. Então já tinha uma expectativa muito grande com este quadrinho.

Felicidade define o fato da expectativa ter sido tão belamente alcançada após a leitura de Maus.

Achei muito bom conseguir perceber as nuances do que aconteceu aos judeus durante o Holocausto, ainda mais sendo narrado por um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial.

A ideia dos personagens serem animais também mostra como eles foram desumanizados por toda uma narrativa criada pelo nazismo. Infelizmente, o fato de serem animais também impede uma grande variedade de expressões.

Não sei se foi proposital ou estudado, mas sinto que existe uma crítica social velada(?) no processo de escolha dos animais que cada nação recebeu… Mas talvez esse tipo de interpretação seja baseado no conhecimento de vida de cada leitor. Ou talvez eu esteja simplesmente lendo demais numa escolha aleatória do artista da obra.

Devo assumir que existiram muitos momentos tensos na narrativa. Momentos em que meu coração sangrou um pouco e que me sentia mal por estar lendo essa história. Só posso agradecer ao Vladek (narrador) por ter alguns momentos de demência senil em que ele parava a narrativa do que aconteceu na guerra para reclamar da vida.

No geral a leitura foi maravilhosa, uma forma fantástica de ganhar tempo pra conseguir me arrastar na leitura de Corte de Asas e Ruínas de terminar as leituras de 2018.

4/5 estrelas.

Um Pedaço de Madeira e Aço

Sinopse: A história de um simples banco de praça pública, que vê pessoas passarem durante horas, dias, estações, anos. Muitas passam, algumas param, outras voltam e há aquelas que esperam.
O banco é um refúgio, uma ilha, um abrigo, um palco. Um balé de anônimos conduzidos por uma coreografia habilmente orquestrada, em que pequenas curiosidades, situações incríveis e encontros surpreendentes dão à luz uma história singular, por vezes cômica, por vezes trágica.
O quadrinista Chabouté (Moby Dick), com sua arte inigualável e seu excepcional domínio do preto e branco, tece uma narrativa gráfica com a magia de Jacques Tati, a beleza de Chaplin e pitadas de Marcel Marceau e Buster Keaton… 340 páginas de um drama cujo herói é um banco.

Mais uma das Graphic Novels do Flávio, já mencionei o quanto amo essas amizades que me proporcionam uma boa leitura?

Em Um Pedaço de Madeira e Aço encontramos a história do dia a dia, da vida, contado através da passagem do tempo de um banco de praça. O personagem principal é o banco, então não há diálogos explícitos, não há uma narrativa linear. Apenas vemos as mudanças das estações e quais pessoas – e como – decidem interagir com o banco.

São longos anos que acompanhamos o banco… E de uma forma magnífica e minimalista, há uma história. Há a história de cada usuário do banco, pode ser de certa forma superficial, mas acompanhamos cada um que interagiu com o banco e vemos a passagem do tempo ali também.

Honestamente, já sabia que a proposta da HQ era diferenciada antes mesmo de a pegar para ler. O que eu não esperava era me emocionar ao ponto de chorar com algumas das histórias que o banco presencia.

E é assim que tenho a certeza de que não é preciso de palavras para comunicar uma história. E como isso é maravilhoso!

5/5 estrelas.