Francis

Sinopse: Uma bruxa e uma raposa sobrevoam uma floresta. Lá do alto, pouco antes de traçarem seu destino inevitável, elas admiram os contornos do Monte Orfano, uma montanha verdejante que esconde mistérios em cada canto. Juntos, elas criam caos e liberdade, mas até onde podem ir antes da escuridão as alcançar? 
Reserve um canto especial na estante e separe os melhores ingredientes na bancada. Ao lado da talentosa quadrinista italiana Jessica Cioffi, que atende pelo nome mágico Loputyn, prepararemos uma poção que vai abrir os caminhos mais sombrios dos corações dos leitores da DarkSide® Books. E tudo começa com uma raposa. Anote aí para não esquecer: seu nome é Francis. 
Francis é uma fábula encantada em que doçura e escuridão existem lado a lado. Com seu traço aquarelado, rico em tons pastéis, Loputyn apresenta uma aventura fascinante com elementos mágicos e mostra que todos temos luz e trevas dentro de nós. 

Segunda sinopse que precisei censurar… Honestamente não estou entendendo se são as sinopses da Darkside ou se é o Skoob, mas as sinopses das HQs da Darkside estão todas LOTADAS de spoilers…

Vou começar falando sobre os traços dessa maravilha que foi Francis! Assim como em Floresta dos Medos existe uma doçura, uma beleza inerente ao traço da Loputyn. A narrativa aqui não é tão macabra, mas trata de um tipo diferente de terror.

O terror interno, aquele que trazemos dentro de nossos corações.

Acompanhar Melina nessa história foi ao mesmo tempo maravilhoso e tão difícil. Melina é aquela garota que tem um potencial incrível dentro de si, que se ela se esforçasse conseguiria alcançar todos os seus sonhos e desejos, porém… Ela se auto-sabota a cada passo que dá durante toda a sua vida.

Cada escolha que ela faz, cada passo que ela dá é justificado por sua mente. Seu pessimismo em relação a si mesma, acreditando que nunca é boa o suficiente para alcançar nada de importante… Foi muito, muito doído.

Porque eu faço exatamente isso.

Fazia bastante tempo que não me reconhecia tão facilmente em uma personagem, ainda mais uma personagem de HQ, então foi uma sensação ao mesmo tempo fantástica e amedrontadora acompanhar Melina e Francis.

Fica o food for thought, até que ponto uma vida de recompensas imediatas é o suficiente para você?

5/5 estrelas e favoritadíssimo!

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Floresta dos Medos

Sinopse: Uma garota empunha uma lamparina para vencer os contornos da escuridão. Ali perto, uma floresta. Calada e fantasmagórica, repleta de coisas estranhas. Criaturas misteriosas, sussurros velados, medos inomináveis. Pense naquilo que faz seu sangue correr depressa pelas veias. Uma voz sem corpo? Uma visão fantasmagórica? Ou, quem sabe, a possibilidade de viver algo sobrenatural?
Aguarde na penumbra e fale baixo. A DarkSide® Books convida você para um passeio pela floresta cheia de rostos pálidos e mãos geladas da premiada ilustradora Emily Carroll. Mas tome cuidado: assim como nos contos de fada, nem tudo que habita seus arredores é aquilo que parece ser.
De uma coisa nós temos certeza: as cinco histórias de Floresta dos Medos dão frio na espinha. Nelas, a quadrinista canadense — ganhadora de um prêmio Eisner, um dos mais importantes do universo dos quadrinhos — explora o medo subjetivo e imagético, composto de sensações estranhas que raramente conseguimos explicar. Não espere sustos que farão você pular; aqui, olhares de relance para os cantos do quarto serão muito mais comuns. Será que você está realmente sozinho em casa?
O texto de Emily Carroll é poderoso e poético, e suas ilustrações, carregadas de tons sombrios e avermelhados. Seu trabalho elegante evoca o etéreo dos contos dos irmãos Grimm, o extraordinário de Neil Gaiman, o gótico de Edgar Allan Poe e, principalmente, o realismo mágico de Angela Carter. E, assim como os grandes mestres, incita o leitor a enfrentar seus próprios medos e fraquezas. Você também ouviu uma batida à porta?

Nunca antes precisei censurar uma sinopse. Mas convenhamos, tem hora que sinopse dá mais spoiler que qualquer pessoa.

O desenho dessa HQ é simplesmente maravilhoso! De um cuidado e carinho tão lindos que soma ainda mais para deixar a narrativa assustadora, afinal, nada é mais assustador do que coisas fofas que não são inocentes, não é mesmo?

São 5 histórias avulsas compiladas em um mesmo volume. E cada uma delas lida com o terror de modo diferente. Um o medo é construído pela falta de informação, em outra pelo excesso da mesma…

E assim vemos várias facetas de um mesmo sentimento. ❤

Honestamente, foi uma leitura que não consegui largar, rápida, fluida e ligeiramente angustiante. Já quero continuação pra ontem!

5/5 estrelas e favoritado.

Uzumaki

Sinopse: Kirie Goshima e Shuichi Saito vivem na pequena cidade de Kurôzu-cho, que se vê repentinamente assolada por uma estranha maldição: os seus habitantes tornam-se obcecados por objetos com a forma de espirais (conchas de caracol, remoinhos e padrões) e acabam por morrer misteriosamente. Kirie and Shuichi elaboram um plano para escapar da cidade, mas os seus esforços não têm sucesso e no regresso acabam por descobrir qual é afinal o centro da espiral.

Ganhei de presente da minha Kyun esse mangá enorme e tão traumatizante… ❤

Assim, meu histórico com essa estória é antigo, afinal assisti o filme com uma amiga quando queríamos assistir filmes de terror japonês. Nos arrependemos? Sim. Mas mesmo assim foi uma história que ficou comigo – e acho que a minha amiga também.

Essa história de padrões e maldições é interessante e muito marcante. Porque é impressionante como acabamos procurando padrões nas nossas vidas para continuar com nossos dias. E isso é um pouco assustador.

Os desenhos do senhor Ito são muito bem feitos, não que isso signifique que são bonitos. Eles são bem macabros na verdade. Muito gore e coisas estranhas acontecendo ao mesmo tempo.

No geral, a história é bem… louca. Pra dizer a verdade, não existe muita explicação pra ela… é aquela história que te choca e te deixa mal. Traumatizado mesmo.

4/5 estrelas. E obrigada pelo trauma, Kyun

Maus

Sinopse: Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. 
A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. 
Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. 
Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.
 

Eu gosto muito de ganhar livros e HQs de presente. Particularmente, o Flávio é uma das pessoas que mais acerta nos presentes literários e fico muito feliz com isso. ❤

Histórias sobre as grandes guerras sempre me interessaram, não sei exatamente dizer o motivo, mas é uma leitura que costuma me deixar bastante feliz de fazer. Então já tinha uma expectativa muito grande com este quadrinho.

Felicidade define o fato da expectativa ter sido tão belamente alcançada após a leitura de Maus.

Achei muito bom conseguir perceber as nuances do que aconteceu aos judeus durante o Holocausto, ainda mais sendo narrado por um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial.

A ideia dos personagens serem animais também mostra como eles foram desumanizados por toda uma narrativa criada pelo nazismo. Infelizmente, o fato de serem animais também impede uma grande variedade de expressões.

Não sei se foi proposital ou estudado, mas sinto que existe uma crítica social velada(?) no processo de escolha dos animais que cada nação recebeu… Mas talvez esse tipo de interpretação seja baseado no conhecimento de vida de cada leitor. Ou talvez eu esteja simplesmente lendo demais numa escolha aleatória do artista da obra.

Devo assumir que existiram muitos momentos tensos na narrativa. Momentos em que meu coração sangrou um pouco e que me sentia mal por estar lendo essa história. Só posso agradecer ao Vladek (narrador) por ter alguns momentos de demência senil em que ele parava a narrativa do que aconteceu na guerra para reclamar da vida.

No geral a leitura foi maravilhosa, uma forma fantástica de ganhar tempo pra conseguir me arrastar na leitura de Corte de Asas e Ruínas de terminar as leituras de 2018.

4/5 estrelas.

Um Pedaço de Madeira e Aço

Sinopse: A história de um simples banco de praça pública, que vê pessoas passarem durante horas, dias, estações, anos. Muitas passam, algumas param, outras voltam e há aquelas que esperam.
O banco é um refúgio, uma ilha, um abrigo, um palco. Um balé de anônimos conduzidos por uma coreografia habilmente orquestrada, em que pequenas curiosidades, situações incríveis e encontros surpreendentes dão à luz uma história singular, por vezes cômica, por vezes trágica.
O quadrinista Chabouté (Moby Dick), com sua arte inigualável e seu excepcional domínio do preto e branco, tece uma narrativa gráfica com a magia de Jacques Tati, a beleza de Chaplin e pitadas de Marcel Marceau e Buster Keaton… 340 páginas de um drama cujo herói é um banco.

Mais uma das Graphic Novels do Flávio, já mencionei o quanto amo essas amizades que me proporcionam uma boa leitura?

Em Um Pedaço de Madeira e Aço encontramos a história do dia a dia, da vida, contado através da passagem do tempo de um banco de praça. O personagem principal é o banco, então não há diálogos explícitos, não há uma narrativa linear. Apenas vemos as mudanças das estações e quais pessoas – e como – decidem interagir com o banco.

São longos anos que acompanhamos o banco… E de uma forma magnífica e minimalista, há uma história. Há a história de cada usuário do banco, pode ser de certa forma superficial, mas acompanhamos cada um que interagiu com o banco e vemos a passagem do tempo ali também.

Honestamente, já sabia que a proposta da HQ era diferenciada antes mesmo de a pegar para ler. O que eu não esperava era me emocionar ao ponto de chorar com algumas das histórias que o banco presencia.

E é assim que tenho a certeza de que não é preciso de palavras para comunicar uma história. E como isso é maravilhoso!

5/5 estrelas.

Clara Carcosa

Sinopse: Clara Carcosa conta a história de uma garota que encontra-se perdida, deparando-se com um ambiente repleto de seus maiores medos: solidão, escuridão e silêncio profundo.
Sem nenhuma lembrança do que pode-lhe ter acontecido e até mesmo sem saber que lugar é aquele aonde ela está, Clara sai em uma jornada, percorrendo caminhos hostis para buscar respostas concretas.
No percurso, a protagonista envolve-se em seus piores pesadelos, os quais vão se manifestando aos poucos e, através de flashbacks, Clara vai desconstruindo todo o mistério que a envolve e desvendando os segredos mais sombrios que estão à sua volta.
O que ela não sabe é que há portas que nunca deveriam ser abertas.

Esta foi uma HQ produzida através do crowdfunding, ou seja, foi um projeto de financiamento coletivo pelo site Catarse, uma plataforma inteiramente brasileira.

Infelizmente, eu não conheci o projeto durante o seu financiamento, mas não pude deixar de entrar em contato com a autora Juliana Fiorese pelo seu site e adquirir um exemplar.

A narrativa de Clara Carcosa envolve muitos elementos de inspiração. Há a lenda da mulher de branco, do limbo e até mesmo menções ao Rei de Amarelo. Tudo com um desenho ao mesmo tempo fofo e perturbador, e com uma velocidade de narrativa muito pouco linear.

Clara não é a narradora mais confiável do universo, ainda mais por conta das coisas absurdas que vão acontecendo ao seu redor, e mesmo assim ela consegue te conquistar e te transportar para dentro da narrativa.

Gosto muito do estilo de desenho da Juliana, porém em alguns momentos ele se torna um pouco cansativo e confuso… Talvez por ser tão chibi e sem muitos contornos fixos, só que mesmo assim, é agradável. Casa muito bem com o estilo errático de narrativa – que eu sou apaixonada.

Foi uma leitura rápida e gostosa de fazer. Adorei, particularmente, ler mais sobre a lenda da mulher de branco no forte, foi uma aula de história bem divertida.

4/5 estrelas.

Juntos

Sinopse: Os autores retornam ao personagem para mostrar o que aconteceu após os eventos de Bidu – Caminhos (2014). Agora, Franjinha conseguiu o cachorro de estimação que tanto queria, e Bidu tem um dono. Nesta nova etapa da vida, os dois terão que se adaptar e conviver com as mudanças que isso traz. E não será tão simples.

Para todos que já adotaram ou compraram algum animalzinho com certeza já passaram por muitos problemas comportamentais dos bichinhos. O período de adaptação varia de animal pra animal e de tutor para tutor…

Eu mesmo já passei por umas poucas e boas com meus gatos, principalmente quando meu segundo gato chegou em casa… Nossa, os gatos se odiavam. Tive muito medo de ter que devolver o Thor para o lar temporário dele, mas lo and behold, logo os bichanos estavam lá, se amando – e se matando -, como dois irmãos mesmo.

E é exatamente esse período de adaptação que acompanhamos durante essa narrativa. Uma narrativa dupla que mostra o lado humano e o lado canino desse momento, muitas vezes tenso, na vida dos bichinhos – e dos tutores.

A história atingiu um ponto muito profundo do meu relacionamento com meus bichanos… Fui tocada por ela e senti um reconhecimento muito intenso com o Franjinha e sua família.

Última leitura para a Mega Maratona Feriado Lit, chegando a um total de 1351 páginas lidas o desafio era ler 550. 5/5 estrelas e favoritado.