13 Reasons Why

O TEXTO DE HOJE TERÁ GATILHOS (TRIGGERS) PARA ESTUPRO E SUICÍDIO, ALÉM DE CONTER SPOILERS SOBRE A SÉRIE. SIGAM POR SUA CONTA E RISCO.

POR FAVOR CUIDEM-SE, OK?

13 reasons why

Hoje quero conversar com vocês sobre 13 porquês e não acho que será algo que todos devam ler. Então, caso qualquer um de vocês que me acompanham tem algum problema de ansiedade, saibam que este texto terá TRIGGER ESTUPRO E SUICÍDIO. E, para aqueles que ainda não assistiram a série, terá spoilers.

E eu realmente sinto muito por isso.

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Inicialmente tive muitas razões para não assistir a essa série. De forma alguma quero me colocar como alguém superior aos outros ou nada nesse sentido, mas eu não tenho nenhum problema com ansiedade – ao menos não com esses gatilhos que são explorados na série. Convivo com pessoas que sofrem desse mal e sei o quanto esses assuntos podem causar maus momentos.

Então pode-se dizer que em primeiro lugar havia essa questão. Não é porque eu não sofra com esses gatilhos que eu deva me sujeitar a assistir a um seriado que os mostre tão claramente – e tão sem avisos prévios. Chegarei a esse ponto mais pra frente.

Em segundo lugar… Eu já tenho uma tendência a não participar do que é tendência. Assisto aos filmes indicados ao Oscar depois que eles já foram premiados, assisto seriados depois de anos que estão fazendo sucesso, e leio livros muito depois que todos pararam de falar sobre eles. Essa sou eu. A diferentona. A questão é que eu sempre crio muita expectativa e acabo tendo muitas decepções por conta disso, então eu sempre espero. Eu espero até o pessoal deixar de falar para eu poder criar minhas próprias opiniões sobre aquilo.

Só que não consegui fazer isso com 13 Reasons. Sim, fiquei curiosa. E como uma grande amiga disse: “A curiosidade macabra sempre moveu o mundo”. É por isso que quando há acidentes, brigas ou qualquer problema assim, o local enche de curiosos, todos filmam, tiram fotos, assistem. É a curiosidade macabra, é o mórbido.

É saber que aquilo não aconteceu com a gente.

E assim comecei a assistir o seriado.

Eu sei que nos dias de hoje há muitos tópicos que ainda são tabus que precisam ser discutidos, é preciso falar sobre eles. Quanto mais falamos sobre um assunto, mais tiramos o estigma sobre ele.

Mas isso não quer dizer que todas as formas de se conversar sobre o assunto são adequadas.

Para uma pessoa sem nenhum tipo de problemas, que vive de bem com a vida 100% do tempo, que não tem tendências depressivas, crises de ansiedade ou ideações suicidas, esse texto, a preocupação com os avisos de gatilhos (trigger warning) pode ser tomado como só mais uma reclamação da geração mimimi. O livro, o seriado, o filme, aquela piada, aquele jogo… Nada disso é pra você. Isso não vai afetar a sua vida.

Acontece que existem pessoas que sofrem desses problemas, que um comentário maldoso abre espaço para toda uma enxurrada de mal estar, e que pra essas pessoas esses avisos são importantes.

E mais importante do que tudo isso é a EMPATIA. Não é porque você não tem problemas com isso que ninguém vai ter problemas com isso. Tire os olhos do seu umbigo e perceba que há outras pessoas diferentes de você que precisam de um tratamento diferente frente a vida. Não por essas pessoas serem melhores ou piores que você, mas sim porque elas são diferentes.

E esse seriado não é pra todo mundo.

Falar sobre suicídio é algo necessário. É preciso mostrar ao mundo e, principalmente àqueles com ideações suicidas, de que podem falar sobre isso. Podem pedir ajuda, que não vamos julgá-los.

O seriado não faz isso.

Durante os 13 episódios que compõem o seriado há a visão da Hannah sobre o que acontece em sua vida – e isso é fantástico! O que muitas vezes todos nós deixamos de perceber é que cada pessoa tem a sua forma de perceber o ambiente ao seu redor, que uma situação para mim não é a mesma situação para meu amigo, meu namorado, minha família.

Só que Hannah, ao gravar as fitas explicando os motivos de sua escolha, tira a culpa de si e a transfere para aqueles 13. Em momento algum ela assume a responsabilidade da sua escolha. Até mesmo na última fita, quando ela finalmente vai pedir ajuda, ela culpa o conselheiro da escola que não foi atrás dela, que não tentou impedi-la de tomar a pior decisão de sua vida.

Bullying é um assunto sério, é uma realidade desde que o mundo é mundo. Porque o ser humano é capaz de coisas muito baixas para se sentir melhor. E, por mais que para mim não tenha sido tão significativo assim – além de ter causado sérios problemas de auto-estima -, para outras pessoas é simplesmente demais.

Escutamos diariamente histórias de crianças e adolescentes que tiram suas próprias vidas por sofrer bullying, isso quando não acabam criando os piores momentos da história da educação e saem atirando em todos dentro da escola para poder se livrar desse sentimento ruim.

As duas situações de estupro que acontecem na história do seriado foram simplesmente chocantes. Chocantes por terem sido cometidas pela mesma pessoa. Chocante por todos que ouviram as fitas terem encobrido os fatos. Chocante por você perceber que aqueles estupradores que possuem condições – contatos, dinheiro, poder – não receberem a punição devida.

É ver que todos AINDA culpam a vítima.

“Você havia consentido e mudou de ideia”, “você não disse não”, “você estava bêbada”, “você estava na jacuzzi de calcinha e sutiã”. Todas frases que Hannah escutou. Todas frases que tantas Hannahs, Jessicas, Marias, Joanas escutam todos os dias. É tão revoltante, é tão assustador saber que nós nunca estaremos seguras.

E ainda assim seguimos com nossas vidas, com nosso dia a dia, fingindo que tudo está bem, que não temos medo de andar por ruas escuras, que dirigir pela cidade de noite sozinha não é assustador.

Enfim.

O seriado tem gatilhos desde o primeiro episódio. Seja pelo bullying, seja pelo fato de escutarmos a história de uma garota morta. Honestamente acho que a Netflix falhou com sua falta de avisos. O primeiro aviso de cenas fortes é no episódio 9, quando Hannah conta sobre o estupro da Jessica. Mas alguns episódios antes a mãe de Clay descreve como Hannah tirou sua própria vida.

E ainda há a inconsistência sobre os avisos. No episódio do estupro da Jessica há aviso, mas no episódio do estupro da Hannah não há. Faltou cuidado e tato para a divulgação do seriado, para o público alvo do mesmo.

O seriado em si é voltado para aquele público mais jovem, os adolescentes, as pessoas que estão passando exatamente por esse momento, o ensino médio. Não quero dizer que todo adolescente é influenciável e que um seriado que trata sobre esses assuntos fará com que todos tomem a decisão de escolher a “saída mais fácil”.

Mas existem aqueles que estão passando por exatamente essas coisas, pelo bullying, pelos estupros, pelas escolhas erradas. E dentre esses, há aqueles que sofrem de ansiedade, sofrem de depressão, têm ideações suicidas.

Para esses, um seriado que romantiza o suicídio, que não só descreve mas MOSTRA exatamente como a personagem se suicida… Ainda mais quando a mídia está fazendo sucesso… Para esses, o seriado não faz bem.

Ele não aponta formas para lidar com o assunto, pelo contrário, todas as personagens assumem que o suicídio é uma escolha plausível. Alex até mesmo fala isso para Clay em um dos primeiros episódios.

Ele mostra uma realidade em que não vale a pena procurar ajuda, porque não vai adiantar mesmo. Porque é isso que Hannah mostra. É a verdade para ela.

Só que não precisa ser a realidade para todos.

Para aqueles que chegaram até aqui, só posso dizer que se precisarem conversar, sobre qualquer assunto que seja, eu estou aqui. Mas se uma (des)conhecida que publica textos na internet sobre seriados, filmes e livros não for o que você está procurando ou precisando, não deixe de procurar ajuda.

Entre em contato com o Centro de Valorização da Vida, converse com sua família, amigos, peça ajuda a um profissional capacitado.

Só não tome a pior decisão da sua vida.

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Spectral

spectral

Sinopse: Quando uma força sobrenatural causa estragos numa cidade europeia devastada pela guerra, um engenheiro se une a uma equipe de elite para detê-la.

Spectral é um filme original da Netflix e não se deixem enganar, mesmo com um toque de suspense/terror, é um filme de ficção científica bastante interessante.

Em um futuro pós-apocalíptico, existe uma guerra na Europa tipo, like always e os soldados americanos começam a enxergar com seus óculos de amplo espectro formas humanoides que não deveriam existir. Quando essas formas começam a atacar os soldados é necessário descobrir de onde elas vieram e o que elas querem.

Há muitos atores fantásticos nesse filme, o que só torna o movimento de assistí-lo ainda mais interessante e fácil.

A teoria do filme é até bem simples e muito facilmente comprável, isto é, até o momento em que o doutor começa a falar sobre física quântica e em formas de criar “condensados”. Infelizmente não é leite condensado…

Me diverti muito assistindo esse filme, mas fiquei agoniada com as decisões que os personagens tomavam e com a morte de todos os personagens que eu gostei.

4/5 estrelas.

Luke Cage

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E vamos a mais um seriado da Netflix de mais um personagem da Marvel que eu não conheço. Yay!

Luke Cage é o protagonista a vá do seriado de mesmo nome, entretanto, não foi aqui que o conhecemos. A primeira vez que nos deparamos com este personagem foi em OUTRO seriado da Netflix baseado na Marvel, Jessica JonesJuro que tem hora que eu não sei se fico feliz ou triste ou só cansada mesmo.

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Como no final das contas vão juntar o Demolidor, o Luke, a Jessica e um tal de Punho de Ferro, num outro seriado chamado Os Defensores ou algo nesse sentido, depois eu reassisto Jessica Jones e faço uma resenha sobre ela.

Agora o importante é falar do Luke.

Luke Cage é um homem e que homem a prova de balas. E super forte. Ele não se encontra mais em Hell’s Kitchen, mas sim no Harlem. E ele vai tentar erradicar a corrupção, o contrabando, as drogas e tudo o mais pela raiz.

No processo ele se ferra lindamente, assim como o Matt se ferra em Daredevil e a Jessica em Jessica Jones, creio que uma previsão de que o Punho de Ferro se ferrará no seriado de mesmo nome quase certa.

Como um todo, eu adoro o personagem. E adoro que a Claire (CLAAAAAAIRE ❤ ) tem um papel ainda mais central que em Daredevil e Jessica Jones. Já disse que eu acho que de todos eles a Claire é a melhor personagem? Pois é. Eu acho. Muito amor por ela.

Enfim. Não consegui comprar a história, na real, não é que achei fraca ou boba, mas é só que caímos, novamente, na minha máxima: Não conheço a história original. Não consegui compreender o hype todo. E achei os primeiros 8 episódios sim você leu certo muito parados. Só bem no finalzinho que eu apertava o botão pra continuar assistindo alucinadamente.

Não sei se o problema foi a quantidade de vilões. Mas tiveram muitos. E eu acho que não entendi muito bem a moral dessa primeira temporada. Hmmm… Acho que o problema pode ser eu.

Gostei, como costumo gostar das coisas feitas pela Netflix, e gostei, como costumo gostar das adaptações dos quadrinhos. Dizer que foi a melhor coisa que já assisti na minha vida? É um exagero, com certeza.

3,5/5 estrelas.

Puella Magi Madoka Magica

Se você gosta de anime de garotas mágicas fofinhas, Madoka não é pra você.

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Não se deixe enganar pela aura de fofura, desenho maravilhoso e personagens profundos. Madoka Magica não é um anime fofo.

Ok, deixando de lado a tentativa de tornar essa coisa mais gorda daí de cima em algo assustador, precisamos falar sobre Madoka.

Primeiro conheci o anime através de uma grande amiga que o descobriu em um site/blog qualquer. Tem muito tempo mesmo, perdoem-me pela falta de informações consistentes.

A Débora me disse exatamente isso que falei ali em cima. Madoka não é um anime fofo. Não importa que o traço seja magnífico, que as personagens em si sejam fofas e muito menos que elas se transformem em garotas mágicas. O fato é: não é fofo. Nem tudo dá certo no final.

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Acompanhamos, no desenvolver da história, as escolhas de cada uma das garotas. Sim, elas são mágicas e sim, elas lutam contra bruxas – que é by the way a coisa mais linda e psicodélica do mundo -, mas nem tudo o que acontece, nem todas as bruxas com quem lutam, nem tudo é o que parece.

E elas não estão seguras.

É o meu anime favorito dos últimos tempos, um que eu não me canso de assistir – e sofrer, e amar, e chorar… – e que eu indico para todos os meus amigos. E para quem me conhece sabe como é difícil eu assistir/indicar animes.

Se você procura se surpreender com uma história profunda, cheia de tramas e problemas, Madoka é o seu anime. Agora, se procura uma história feliz de garotas mágicas, sugiro que vá assistir Sakura.

Um anime que com certeza merece suas 5/5 estrelas.

E ele está no Netflix ❤

Daredevil

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Em 2015 a Netflix deu início a sua mais nova empreitada: a adaptação de Daredevil (Demolidor) para a TV well, para sistema de streaming, visto que Netflix não é um canal da TV.

Eu devo dizer que, pra variar, não conhecia o personagem antes do filme com o Ben Affleck e, honestamente, gostei do filme. Não tinha muito o que reclamar dele – tirando, é claro, a Elektra que eu achei extremamente fraca como personagem e como atriz.

Então, partindo-se deste pressuposto, não me senti tão empolgada assim quando a Netflix anunciou a sua adaptação. Claro que, sendo uma adaptação pela Netflix e sendo um seriado sobre heróis, lá estava eu satisfeita com o seriado, mas não na hype que todos estavam.

Claro, que isso passou quando comecei a assistir.

Com certeza, hoje, tenho um grande respeito pelo trabalho da Netflix. A escolha dos atores é simplesmente perfeita, a forma e a velocidade com que a história é narrada só ajuda a nos deixar ainda mais ansiosos para fazer aquele bingewatch básico. E sim, eu crushei no Foggy. ELE É UM FOFO!

E, agora com o lançamento do mais novo seriado – Luke Cage – achei que era hora de tirar o atraso e assistir a segunda temporada do Daredevil.

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Enquanto na primeira temporada vemos o nascimento do Daredevil, sua luta constante contra o Rei do Crime e seus capangas e o eterno strugle para manter sua identidade secreta completamente separada de seu alias, na segunda temporada vemos um herói já muito bem formado, caracterizado e atuante nas ruas de Nova York.

Somos apresentados ao Punisher – Shane, você se redimiu, finalmente… – e à Elektra.

A história de Frank Castle me comoveu muito. Fiquei muito triste pelo que aconteceu à sua família e muito impressionada em ter a certeza de que basta um trauma grande para fazer a pessoa se perder de si mesma.

Elektra já me deixou meio… meh. Gostei da atriz escolhida – melhor do que a do filme – e achei a atuação dela muito boa, de verdade. Só que não gostei da reviravolta que deram para a personagem – e acho que é aí que mora o problema de não conhecer os quadrinhos. Não sei se a treta existe nos quadrinhos ou se foi algo criado para o seriado, mas é uma treta que não consegui comprar.

Adorei rever a Claire! Ela é a melhor personagem do seriado inteiro. Ponto final.

De qualquer forma, valeu muito a pena ter assistido o seriado. 4/5 estrelas. ❤