Roleta Russa

Roleta Russa

Respira fundo, Alessandra, respira fundo.

Eu devo dizer que aguardei muito tempo para esperar um pouco o que eu sentia passar para poder escrever essa resenha. E eu vou explicar pra vocês o que me incomodou nesse livro em detalhes, então, sinto muito, essa resenha conterá spoilers.

Sinopse: Você já parou para se perguntar se tem o controle total da sua vida? Nunca se sentiu como uma marionete com cada passo meticulosamente planejado por outras pessoas? Já ficou sem saída?
Minha vida sempre foi cercada de perigo, crimes e violência. Tive a alma marcada pela morte. Nunca acreditei que tivesse direito à luz depois de andar pelas sombras… Sempre soube qual era o meu destino e aprendi a me ajustar ao que não tinha opção.
Então, tudo se tornou um tabuleiro de xadrez. Você precisa dar o xeque-mate ou é eliminado.
Quando não se tem muito, não há nada a perder.
Sou Enzo Gazzoni, meu nome é como uma oração para alguns e uma maldição para outros.
Escolha seu lado da Roleta e torça para não ser o sorteado.

A história do livro não poderia ser mais clichê. O mafioso que não quer ser mafioso, a garota bonita que vem de uma família mafiosa e não sabe. Eles se apaixonam, ficam junto, fazem juras de amor, mas no final ele a abandona para poupá-la dessa vida. No meio do caminho com algumas mortes das pessoas mais próximas do mafioso, de tal forma que ele perde o chão e começa o pânico de perder a mulher amada.

A forma como Carina aceita esse lado da vida do Enzo é simplesmente demais para que eu consiga aceitar sem problemas. Para uma pessoa criada dentro dos padrões do que é certo e do que é errado, a aceitação dela do que há de pior no mundo – drogas, assassinatos e sabe-se lá o que mais – é tão rápida, tão completa, tão sem medos que eu só consigo imaginar que foi um sexo dos mais potentes pra fazer uma pessoa esquecer dos seus valores…

Enfim. Não vou entrar na questão de Carina ser estudante de medicina, porque isso é uma coisa que eu achei desnecessário de ser mencionado, afinal, ela não fez absolutamente nada relacionado à medicina durante o livro todo – e não, eu não conto ter um kit de primeiros socorros no banheiro e limpar um corte no lábio com algodão como usar de seus conhecimentos médicos, sinto muito.

Uma das coisas que me irritou profundamente durante todo o livro é a quantidade de xingamentos que a autora colocou em sua história. Desculpem-me, mas eu não me sinto nem um pouco interessada/excitada ao escutar um cara falando que quer me foder loucamente com seu pau duro. E, por mais que eu não seja uma puritana – adoro xingar quando converso com meus amigos ou quando estou passando por uma situação foda -, mas é tanto xingamento desnecessário durante toda a narrativa que, honestamente, me brochou em ler o livro.

Outra coisa que acontece é o tipo de relacionamento que foi transmitido durante o livro. Já devo ter dito aqui no blog em algum lugar que eu não sou tão feminista assim, mas que há coisas que eu vejo que me irritam profundamente. Durante todo o decorrer da história todos os personagens são extremamente machistas. Todos. Os. Personagens. Incluindo as mulheres.

Carina e Jillian são completamente dependentes dos seus namorados, além de serem tratadas o tempo todo como posses e não como pessoas. E I don’t fucking care se entre quatro paredes os respectivos namorados as tratam como rainhas, para o resto da sociedade elas são tratadas como meros objetos sexuais.

Até mesmo Frabrizio, inicialmente o único personagem – junto com Jill – que eu imaginava prestar na porcaria do livro, disse em um dos seus flashbacks desnecessários que “ganhou a namorada pelo cansaço”. Ou seja, ele insistiu tanto para ficar com a Jill, de formas diretas, dizendo que queria transar com ela até o mundo acabar, e de formas indiretas, demonstrando interesse pelo que ela fazia, que a garota FINALMENTE concordou em ficar com ele.

E entre Carina e Enzo é ainda pior! Eles passam o tempo todo se comendo, LITERALMENTE! Tipo, desde o primeiro momento Enzo trata Carina como um pedaço de carne. Nem olhou para a garota direito – ainda mais porque era inverno em Nova York e ela estava completamente encapotada com mil roupas de frio – e disse que queria aquele corpo gostoso.

Gente, atração sexual você pode sentir por quem você quiser, do jeito que você quiser, mas a partir do momento que todas as conversas, todas as trocas de olhares, todas as suas atitudes se voltam para apenas isso, colega, você tem um problema.

E eu nem preciso dizer que, mesmo em tom de brincadeira, a autora endeusou a característica stalker do Enzo, né? Não, eu não vou tocar nesse assunto, porque eu não consigo mais.

Além de todos esses problemas, ainda há dois problemas da história que na minha cabeça deixa tudo ainda pior.

Primeiro, não há realmente uma passagem de tempo na história. Não há marcação temporal explícita de quanto tempo se passou do momento em que Carina chegou nos EUA até o momento em que ela e Enzo não conseguem se largar, pior do que cães no cio. Em um momento é antes do natal, em um segundo momento passaram-se dias do natal e faltam duas semanas pro ano novo – matematicamente impossível, by the way – depois se passaram meses! E mesmo assim ainda tem neve!

Fora que o fato de que cada capítulo é narrado por um personagem e sempre tem a narrativa do que aconteceu até o momento pela visão do personagem que eu simplesmente desisti de tentar me localizar temporalmente.

E segundo, parece que a autora se esquece do clima com uma facilidade surpreendente, só se lembrando dele quando se tornava necessário para a história.

Eu explico.

Como eu disse, Carina sai do Brasil assim que suas aulas acabam, suponho que no final de novembro/início de dezembro, e se muda para os EUA. Para quem não sabe, no hemisfério norte, nessa época do ano, é inverno. Ou seja, frio com uma alta probabilidade de neve em Nova York. E, mesmo assim, as descrições sobre as roupas e sobre as personagens deixa muito a desejar. Em um primeiro momento, Carina quase congela com a mudança de temperatura, andando sempre o mais agasalhada possível. Enzo, com seus “olhos de raio-x” consegue ver através de todos os agasalhos e descobre ali uma mulher gostosa, e, a partir de então, Carina usa menos e menos roupas. Enzo, Fabrizio e Jillian usam o mínimo de roupas possível. Tipo calça jeans e camiseta num dia que foi dito como com neve.

Respira fundo, Alessandra.

Sobre a Editora Charme, honestamente, não gostei do livro. Cada página tem a marca d’água da árvore ali da capa, o que deixou o texto pesado pra ler. Eu me cansava com cada página virada. No mais não tenho muito a reclamar do livro.

Honestamente, depois de ler esse livro, fiquei com medo da segunda malinha do Estantismo. Tudo bem que a culpa não é lá do grupo, é minha mesmo por ter assinado uma Subscription Mistery Box de romance.

Foi um livro sofrido de ler. Não é meu estilo de leitura, não é meu estilo de livro. Achei que faltou profundidade para os personagens e achei a história superficial e boba. Agradeço todos os dias que a minha xará leu comigo o livro e peço desculpas por fazê-la caminhar comigo durante essa história. Eu vou te recompensar, xará, prometo.

1/5 estrelas e não recomendo esse livro.

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