Laranja Mecânica

Mini 10 - Laranja Mecânica

Quando a Amazon recebeu um ultimato do Dória no começo do ano e decidiu liberar o download de um livro de sua biblioteca gratuitamente, consegui o livro Laranja Mecânica, de Anthony Burgess em versão digital.

Já queria ler esse livro, então, foi uma ótima aquisição, mas devo dizer que agora quero o livro físico for reasons e nada melhor que incluí-lo no Mini Desafio de Leitura para o mês de outubro – Um livro escrito antes de você nascerLaranja Mecânica foi publicado pela primeira vez em 1962, encaixando-se com folga nessa categoria.

Sinopse: Clássico eterno da ficção científica, Laranja Mecânica é um verdadeiro marco na história da cultura pop e da literatura distópica. Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário.
A estranha linguagem utilizada por Alex, conhecida como Nadsat, merece destaque na obra, criada pelo próprio Burgess, fornece ao romance uma dimensão quase lírica.
A trama, que conta a história da violenta gangue de adolescentes que sai às ruas buscando divertimento de uma maneira um tanto controversa, incita profundas reflexões sobre temas atemporais, como o conceito de liberdade, a violência – seja ela social física ou psicológica – e os limites da relação entre o Estado e o Indivíduo.
Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.

A primeira coisa que me chamou atenção nesse livro é que quando foi publicado nos EUA os editores americanos acharam por bem deixar de fora o 21º e último capítulo do livro – o que não fez muito sentido na minha cabeça – e que, portanto, o filme de Kubrick tem um final diferente do livro.

Outra coisa que me assustou foi a linguagem. A tal da linguagem NadSat que as gangues utilizam para se comunicar é extremamente… complexa pra não dizer impossível e chata e precisei ir ao glossário no final do livro mais vezes do que gostaria de assumir.

No geral a história é muito interessante, narrada em primeira pessoa por Alex, vemos o que o motivava a causar tanta ultraviolência, às formas como tratava as outras pessoas, temos a percepção de que para ele, o que era alheio a si próprio não era importante.

Fiquei um pouco indignada com as conclusões a que o livro chega.

Calma, eu explico.

É importante lembrar que o livro é narrado em primeira pessoa, então o narrador não é nem um pouco confiável. Além disso, Alex passa todo o livro tentando convencer o leitor de que ele não era assim o culpado por suas ações. Ah, sim, ele sabe que está cometendo atos horrendos e descreve com muito prazer toda a ultraviolência, os estupros, os ataques, as brigas, tudo muito gráfico – ou o mais gráfico que a linguagem NadSat permite. Então não há como negar que Alex é um personagem mau.

O que também não significa que ele não tem possibilidade de redenção. A esperança de que a sociedade que sofre nas mãos das gangues, dos governos totalitários, das forças policiais extremamente agressivas possui chance de redenção e salvação é o ponto chave do livro.

Só não concordo com a forma como Burgess descreve esse arco da redenção de Alex. Principalmente o último capítulo.

O livro se divide em 3 arcos, cada qual com seu tema e cada um com sete capítulos. No 21º capítulo, o último capítulo do arco da redenção de Alex, é mostrada uma realidade tão discrepante do restante do livro – não em questão temporal, mas em questão interna ao próprio Alex – que me deixou inquieta.

A impressão que eu tive é que Alex não compreende que existe uma necessidade de mudar, ele simplesmente percebe que está velho demais para continuar com sua vida de gangue e que não possui família, que o sentimento de vazio que sente é a falta de compartilhar a vida com alguém. E, por mais que ele conclua que não conseguirá salvar o filho hipotético de uma vida de gangues, não é algo que ele veja como totalmente ruim. Ele toma como a realidade, como o ciclo da vida.

A mensagem do livro, para mim, é que não há uma forma de quebrar o ciclo vicioso da violência e isso me deixou muito triste.

Ainda assim é um livro fantástico.

4/5 estrelas.

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