Kubo and the Two Strings

Kubo

Sinopse: Kubo vive uma normal e tranquila vida em uma pequena vila no Japão com sua mãe. Até que um espírito vingativo do passado muda completamente sua vida, ao fazer com que todos os tipos de deuses e monstros o persigam. Agora, para sobreviver, Kubo terá de encontrar uma armadura mágica que foi usada pelo seu falecido pai, um lendário guerreiro samurai.

Kubo e as Cordas Mágicas foi nomeado ao Oscar de Melhor Animação e eu ainda estou me perguntando como ele pôde ter perdido esse posto para Zootopia. Sim, Zootopia foi um bom filme, mas só isso. Foi bom. Moana foi infinitamente melhor e mesmo assim não se compara a Kubo!

Kubo passa a primeira parte do filme cuidando de sua mãe, aparentemente apática, e contando histórias para as pessoas que moram na vila. Nunca saindo de casa antes do nascer do sol e sempre voltando para casa antes que o sol se ponha. E é depois do pôr do sol que a magia realmente acontece.

Sua mãe, antes silenciosa e apática, conversa com o filho e conta histórias sobre seu pai, Hanzo, o grande samurai, e como ele deu sua vida para que fugissem das garras do Rei Lua, seu avô materno.

Só que seus momentos de lucidez são poucos e passam muito rápido, deixando em Kubo a impressão que as histórias que ouve de sua mãe são apenas isso, histórias. Começa a duvidar que sua mãe consegue distinguir sonho de realidade e acaba quebrando a promessa de nunca sair depois do pôr do sol.

E é então que ele descobre a verdade. Não são apenas histórias.

Sua vida é a maior história que poderia ser contada e tudo o que sua mãe lhe ensinou era a mais pura verdade. Uma forte magia guia os passos de Kubo, que precisa encontrar a armadura de seu pai e lutar contra seu avô.

GENTE! É muito maravilhoso! ❤

O filme foi feito em stop-motion, que é um estilo de animação que eu simplesmente amo! O Estranho Mundo de Jack Coraline são um dos meus filmes favoritos em todo o universo de filmes em stop-motion e agora dividem esse lugar com Kubo e as Cordas Mágicas.

É um filme que conta sobre a importância da família, das histórias e em como as pessoas podem mudar e escolher o seu próprio caminho, sua própria história.

Chorei demais. ❤

5/5 estrelas.

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Logan

 

Logan

Sinopse: Em um futuro próximo, um cansado Logan cuida do doente Professor Xavier em um esconderijo na fronteira mexicana. Mas as tentativas de Logan de se esconder do mundo e de seu legado são interrompidas com a chegada de uma jovem mutante, perseguida por forças sombrias.

Quando digo que este ano está sendo o ano para quebrar preconceitos e paradigmas, nem eu imaginava que seriam tantos.

Finalmente assisti ao Logan, último filme em que Patrick Stewart e Hugh Jackman atuaram como seus personagens Charles e Logan. E, devo dizer que, me emocionei muito mais do que imaginei que emocionaria com o filme.

Para quem cresceu assistindo aos desenhos e filmes dos X-men, bateu um certo desespero e tristeza em saber que esses atores não mais interpretarão esses personagens, eles são mais do que meros atores – até porque são atores mais do que fantásticos – eles se tornaram seus personagens.

Mas, enfim… Momento tristeza deixado de lado, preciso dizer o motivo pelo qual demorei tanto para assistir ao filme. E voltamos com tudo para o meu problema de ler a HQ.

Quando a Bruna me emprestou a HQ Old Man Logan, que conta a última história sobre o nosso X-men favorito, já imaginei que quando saísse o filme eu não gostaria dele. Afinal, a Fox não tem direitos sobre os outros personagens que aparecem na HQ – Bruce Banner, Hawkeye e outros mutantes – então já esperava que mudassem a história completamente.

E, como já disse e repito, não gosto muito quando os filmes são muito diferentes da história original. E por não gosto muito eu quero dizer que eu odeio essas adaptações.

Então, sim, evitei assistir quando lançou e adiei esse momento o máximo possível, na tentativa de esquecer o suficiente da história original para poder assistir ao filme sem esperar nada.

Acontece que não consegui esquecer, obviamente. Minha mente é simplesmente muito fantástica para guardar os detalhes mais estúpidos das histórias que eu leio agora, medicina que é bom…

E mesmo assim, eu adorei esse filme.

Sim, a história é diferente, não houve a guerra entre os mutantes, não houve divisão dos Estados Unidos entre os mutantes vencedores, não existe um Bruce Banner filho da puta que extorque dinheiro das pessoas que moram no seu lado do país, e não houve assassinato da família do Logan, ou o pedido de ajuda do Hawkeye para encontrar sua filha.

Mas mesmo tendo-se criado uma história completamente nova e diferente da original, ela foi consistente com os personagens, e foi consistente em sua própria narrativa.

No começo achei a ideia de uma filha para o Logan simplesmente demais. Algo muito forçado, ainda mais com o clone e todo o resto, mas… Aí me lembrei que a história inteira de Old Man Logan é baseada na vontade do Wolverine de conseguir dinheiro para salvar sua família das garras dos Banner. E, além disso, há também o desenvolvimento do relacionamento deles.

Afinal, para quem faz experimentos em mutantes colocando adamantium em seu esqueleto, não é muito fora da realidade pensar que poderiam criar mutantes no laboratório, não é mesmo?

All in all, eu ri, eu chorei e eu simplesmente adorei esse filme. 4/5 estrelas.

Doze Contos Peregrinos

Mini 04 - Doze Contos Peregrinos

Para o mês de Abril – Um livro de um autor vencedor do Nobel li o livro Doze Contos Peregrinos de Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura em 1982.

Sem sinopse, porque no Skoob não havia uma sinopse decente para colocar aqui, sorry.

Esse é mais um daqueles livros que eu deveria ter lido para o pré-vestibular – há muitos e muitos anos – e passei batido. Novamente às custas do meu preconceito e preguiça de ler o livro.

Acontece que esse ano está sendo o ano. O ano para quebrar preconceitos literários – e para comprovar minhas escolhas em relação aos tipos literários que leio. E, somando-se a isso o fato de que este ano a verba está contada, acabei escolhendo livros que tinha para poder enquadrar em ambos os desafios.

E foi assim que comecei a minha peregrinação pela biblioteca de casa atrás de um livro de um autor que ganhou o Nobel de Literatura. Após uma rápida pesquisa na internet, eis que descubro que Gabriel García Márquez é um representante desta categoria.

Li os doze contos de maneira até relativamente lenta – para um livro de 200 e poucas páginas, demorei três dias – e aproveitei cada momento, cada página, cada conto. Adorei a introdução que ele fez, explicando o processo de criação, de escolha e de produção desse livro.

E tiveram contos que eu adorei! Mas a grande maioria deles? Não fez tanto sentido assim para mim.

All in all, é um livro bem gostoso de ler, rápido e divertido. Fiquei com mais vontade de ler mais coisas do autor.

3/5 estrelas.

Moonlight

Moonlight

Sinopse: Black (Trevante Rhodes) trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.

Drama. Tinha que ser drama!

Bom… Mais um filme da lista do Oscar, agora o vencedor de melhor filme.

Acompanhamos a história de Chiron, da sua infância à vida adulta. E é essa a história.

Chiron é uma criança que sofre bullying por ser homossexual – fato que o acompanha até a adolescência -, com uma mãe drogada que se prostitui para conseguir dinheiro para comprar suas drogas. Encontra em Juan a figura paterna que nunca teve, recebe ajuda para lidar com seus problemas e um refúgio para os dias em que a vida se torna demais.

Durante sua adolescência, já sem a figura de Juan para ajudá-lo, continua com as visitas a Theresa, esposa de Juan, para conseguir encontrar um lugar para chamar de seu. O bullying torna-se pior, a dependência de sua mãe também, o que o leva a tomar em suas mãos a sua defesa e acaba agredindo seu agressor e indo parar na cadeia.

Na vida adulta, após anos do incidente na escola, Chiron, agora Black, torna-se exatamente aquilo que temia, que tentava fugir. Agora ele é o líder de um bairro, comandando a venda de drogas.

E no meio disso tudo, uma história de alguém completamente instável psicologicamente graças aos problemas que teve com a mãe e na escola. Tentando se encontrar com sua sexualidade.

Foi um filme demasiado parado e chato. Tiveram momentos que quase dormi pelo simples fato de nada acontecer.

2/5 estrelas.

13 Reasons Why

O TEXTO DE HOJE TERÁ GATILHOS (TRIGGERS) PARA ESTUPRO E SUICÍDIO, ALÉM DE CONTER SPOILERS SOBRE A SÉRIE. SIGAM POR SUA CONTA E RISCO.

POR FAVOR CUIDEM-SE, OK?

13 reasons why

Hoje quero conversar com vocês sobre 13 porquês e não acho que será algo que todos devam ler. Então, caso qualquer um de vocês que me acompanham tem algum problema de ansiedade, saibam que este texto terá TRIGGER ESTUPRO E SUICÍDIO. E, para aqueles que ainda não assistiram a série, terá spoilers.

E eu realmente sinto muito por isso.

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Inicialmente tive muitas razões para não assistir a essa série. De forma alguma quero me colocar como alguém superior aos outros ou nada nesse sentido, mas eu não tenho nenhum problema com ansiedade – ao menos não com esses gatilhos que são explorados na série. Convivo com pessoas que sofrem desse mal e sei o quanto esses assuntos podem causar maus momentos.

Então pode-se dizer que em primeiro lugar havia essa questão. Não é porque eu não sofra com esses gatilhos que eu deva me sujeitar a assistir a um seriado que os mostre tão claramente – e tão sem avisos prévios. Chegarei a esse ponto mais pra frente.

Em segundo lugar… Eu já tenho uma tendência a não participar do que é tendência. Assisto aos filmes indicados ao Oscar depois que eles já foram premiados, assisto seriados depois de anos que estão fazendo sucesso, e leio livros muito depois que todos pararam de falar sobre eles. Essa sou eu. A diferentona. A questão é que eu sempre crio muita expectativa e acabo tendo muitas decepções por conta disso, então eu sempre espero. Eu espero até o pessoal deixar de falar para eu poder criar minhas próprias opiniões sobre aquilo.

Só que não consegui fazer isso com 13 Reasons. Sim, fiquei curiosa. E como uma grande amiga disse: “A curiosidade macabra sempre moveu o mundo”. É por isso que quando há acidentes, brigas ou qualquer problema assim, o local enche de curiosos, todos filmam, tiram fotos, assistem. É a curiosidade macabra, é o mórbido.

É saber que aquilo não aconteceu com a gente.

E assim comecei a assistir o seriado.

Eu sei que nos dias de hoje há muitos tópicos que ainda são tabus que precisam ser discutidos, é preciso falar sobre eles. Quanto mais falamos sobre um assunto, mais tiramos o estigma sobre ele.

Mas isso não quer dizer que todas as formas de se conversar sobre o assunto são adequadas.

Para uma pessoa sem nenhum tipo de problemas, que vive de bem com a vida 100% do tempo, que não tem tendências depressivas, crises de ansiedade ou ideações suicidas, esse texto, a preocupação com os avisos de gatilhos (trigger warning) pode ser tomado como só mais uma reclamação da geração mimimi. O livro, o seriado, o filme, aquela piada, aquele jogo… Nada disso é pra você. Isso não vai afetar a sua vida.

Acontece que existem pessoas que sofrem desses problemas, que um comentário maldoso abre espaço para toda uma enxurrada de mal estar, e que pra essas pessoas esses avisos são importantes.

E mais importante do que tudo isso é a EMPATIA. Não é porque você não tem problemas com isso que ninguém vai ter problemas com isso. Tire os olhos do seu umbigo e perceba que há outras pessoas diferentes de você que precisam de um tratamento diferente frente a vida. Não por essas pessoas serem melhores ou piores que você, mas sim porque elas são diferentes.

E esse seriado não é pra todo mundo.

Falar sobre suicídio é algo necessário. É preciso mostrar ao mundo e, principalmente àqueles com ideações suicidas, de que podem falar sobre isso. Podem pedir ajuda, que não vamos julgá-los.

O seriado não faz isso.

Durante os 13 episódios que compõem o seriado há a visão da Hannah sobre o que acontece em sua vida – e isso é fantástico! O que muitas vezes todos nós deixamos de perceber é que cada pessoa tem a sua forma de perceber o ambiente ao seu redor, que uma situação para mim não é a mesma situação para meu amigo, meu namorado, minha família.

Só que Hannah, ao gravar as fitas explicando os motivos de sua escolha, tira a culpa de si e a transfere para aqueles 13. Em momento algum ela assume a responsabilidade da sua escolha. Até mesmo na última fita, quando ela finalmente vai pedir ajuda, ela culpa o conselheiro da escola que não foi atrás dela, que não tentou impedi-la de tomar a pior decisão de sua vida.

Bullying é um assunto sério, é uma realidade desde que o mundo é mundo. Porque o ser humano é capaz de coisas muito baixas para se sentir melhor. E, por mais que para mim não tenha sido tão significativo assim – além de ter causado sérios problemas de auto-estima -, para outras pessoas é simplesmente demais.

Escutamos diariamente histórias de crianças e adolescentes que tiram suas próprias vidas por sofrer bullying, isso quando não acabam criando os piores momentos da história da educação e saem atirando em todos dentro da escola para poder se livrar desse sentimento ruim.

As duas situações de estupro que acontecem na história do seriado foram simplesmente chocantes. Chocantes por terem sido cometidas pela mesma pessoa. Chocante por todos que ouviram as fitas terem encobrido os fatos. Chocante por você perceber que aqueles estupradores que possuem condições – contatos, dinheiro, poder – não receberem a punição devida.

É ver que todos AINDA culpam a vítima.

“Você havia consentido e mudou de ideia”, “você não disse não”, “você estava bêbada”, “você estava na jacuzzi de calcinha e sutiã”. Todas frases que Hannah escutou. Todas frases que tantas Hannahs, Jessicas, Marias, Joanas escutam todos os dias. É tão revoltante, é tão assustador saber que nós nunca estaremos seguras.

E ainda assim seguimos com nossas vidas, com nosso dia a dia, fingindo que tudo está bem, que não temos medo de andar por ruas escuras, que dirigir pela cidade de noite sozinha não é assustador.

Enfim.

O seriado tem gatilhos desde o primeiro episódio. Seja pelo bullying, seja pelo fato de escutarmos a história de uma garota morta. Honestamente acho que a Netflix falhou com sua falta de avisos. O primeiro aviso de cenas fortes é no episódio 9, quando Hannah conta sobre o estupro da Jessica. Mas alguns episódios antes a mãe de Clay descreve como Hannah tirou sua própria vida.

E ainda há a inconsistência sobre os avisos. No episódio do estupro da Jessica há aviso, mas no episódio do estupro da Hannah não há. Faltou cuidado e tato para a divulgação do seriado, para o público alvo do mesmo.

O seriado em si é voltado para aquele público mais jovem, os adolescentes, as pessoas que estão passando exatamente por esse momento, o ensino médio. Não quero dizer que todo adolescente é influenciável e que um seriado que trata sobre esses assuntos fará com que todos tomem a decisão de escolher a “saída mais fácil”.

Mas existem aqueles que estão passando por exatamente essas coisas, pelo bullying, pelos estupros, pelas escolhas erradas. E dentre esses, há aqueles que sofrem de ansiedade, sofrem de depressão, têm ideações suicidas.

Para esses, um seriado que romantiza o suicídio, que não só descreve mas MOSTRA exatamente como a personagem se suicida… Ainda mais quando a mídia está fazendo sucesso… Para esses, o seriado não faz bem.

Ele não aponta formas para lidar com o assunto, pelo contrário, todas as personagens assumem que o suicídio é uma escolha plausível. Alex até mesmo fala isso para Clay em um dos primeiros episódios.

Ele mostra uma realidade em que não vale a pena procurar ajuda, porque não vai adiantar mesmo. Porque é isso que Hannah mostra. É a verdade para ela.

Só que não precisa ser a realidade para todos.

Para aqueles que chegaram até aqui, só posso dizer que se precisarem conversar, sobre qualquer assunto que seja, eu estou aqui. Mas se uma (des)conhecida que publica textos na internet sobre seriados, filmes e livros não for o que você está procurando ou precisando, não deixe de procurar ajuda.

Entre em contato com o Centro de Valorização da Vida, converse com sua família, amigos, peça ajuda a um profissional capacitado.

Só não tome a pior decisão da sua vida.

Espumas Flutuantes

Mini 02 - Espumas Flutuantes

Para Fevereiro – Um livro de um autor nacional, li Espumas Flutuantes de Castro Alves. A parte mais interessante da leitura desse livro é que eu nunca o havia lido antes, não o li para o vestibular ou para a escola, devo ter pego apenas a resenha dele na internet ou simplesmente deixado pra lá. Pelo simples motivo de que eu achava um saco os livros nacionais escolhidos pro vestibular.

Mas enfim… I digress.

Sinopse: Em ‘Espumas flutuantes’, Castro Alves retoma o tema do amor em sua sensualidade e em sua realização. Transformando o sentimento amoroso em pleno sentido de prazer e sofrimento, descreve cenas oportunas da paixão humana. Em ‘O adeus de Teresa’, em ‘Onde estás?’ e em ‘É tarde!’, por exemplo, percebemos a plenitude do lirismo de Castro Alves.
A presente edição é realmente preparada com vistas a um entendimento integral e eficiente do livro de Castro Alves. Nele, o professor José De Paula Ramos Jr. apresenta um estudo sobre os recursos estilísticos e uma biografia completa do poeta, com notas detalhadas que não deixam nenhuma dúvida a resolver.

Sendo um livro de poesias, se não me engano o único livro de poesias que foi montado pelo autor antes de sua morte, devo dizer que não é meu estilo de leitura favorito. Só que foi um livro que serviu para quebrar meus paradigmas de muitas formas diferentes.

Já disse anteriormente que não sou muito fã da literatura brasileira clássica. E mesmo dentro do período do romantismo há alguns autores que eu não gosto, então é difícil eu começar a ler um livro nacional sem muitos preconceitos.

E é assim que comecei a ler sobre Castro Alves na introdução de seu livro. A sua história de vida já é interessante, é conhecido como o poeta dos escravos, lutava pelo abolicionismo, tinha ideais fortes sobre a vida e, ao contrário de outros autores do período, não tinha uma fixação pela morte.

As poesias que fazem parte desta obra são fantásticas por si só e trazem um novo sabor ao que eu já conhecia. Adorei declamar porque só ler poesia me dá sono cada poesia contida no livro e posso dizer que encontrei uma poesia que me descreve. Vou deixá-la na íntegra aqui.

Hino ao Sono

Ó sono! ó noivo pálido
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.

Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!

Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústias e dor não geme…
É tua mão que espreme
A dormideira ali.

Em tua branca túnica
Envolves meio mundo…
É teu seio fecundo.
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos,
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!…

Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo do viver…

Ó sono! Unge-me as pálpebras…
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha…
Minh’alma é uma andorinha…
Abre-lhe o seio teu.

Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras…
Sem Ela o que é a vida?…
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.

O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno…
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade.
Apaga-me esta dor.

Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito…
É minha aurora linda…
Meu anjo… mais ainda…
É minha amante enfim!

Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu
Ouve!… E se minha súplicas
Em breve realizares…
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!…

Castro Alves

São Paulo, 12 de julho de 1868

E com ela encerro o post de hoje.

4/5 estrelas.

Resident Evil – The Final Chapter

Resident Evil 6

E depois de algum tempo, vamos encerrar a saga de Alice. E eu realmente espero que este seja o último filme. Cagaram ainda mais a timeline da história com esse filme…

Sinopse: Começando exatamente após os eventos de Resident Evil: Retribuição, Alice (Milla Jovovich) é a única sobrevivente do que era pra ser a última fortaleza da humanidade contra os mortos-vivos. Agora, ela precisa retornar para o local que deu inicio a esse pesadelo, a colmeia em Raccon City, onde a corporação Umbrella está reunindo suas forças para atacar os últimos sobreviventes do apocalipse.

Começamos o filme em Washigton que, se vocês não bem se lembram, foi onde o Wesker levou a Alice após salvá-la da base russa da Corporação Umbrella. Lá ele devolveu os “poderes” da Alice e disse que ela era a única que poderia salvar a humanidade.

Até aí, confiar no Wesker NUNCA é uma boa escolha, então nada diferente do esperado quando ele a traiu. Ponto ruim: Ada Wong e Leon morreram – tecnicamente. Já que APARENTEMENTE só a Alice sobreviveu aos ataques em Washington.

Tudo bem, eu compreendo, ela é a personagem principal e tudo o mais, assim como sei que se ela morrer, bem… Não tem mais filme, não é mesmo?

Só que já ficou chato.

Todos os filmes da franquia partem do mesmo pressuposto. Se não a Alice, quem poderá salvar a humanidade?

E, honestamente, isso já deixou de ser sequer interessante.

Ainda mais com todas as reviravoltas insanas que acontecem para que ela consiga salvar todo mundo no final.

E O QUE É PIOR! Ainda termina deixando em aberto se realmente é o Capítulo Final ou não.

Não, eu não compro a ideia de que a Alice é só mais um clone e que a criança doente era, na verdade, a Alícia sei lá do que. Se voltarem ao segundo filme, TEM A ANGELA! ELA ERA A GURIA DOENTE..!

ARGH!

Essas linhas do tempo são mais complicadas que a do novo X-men. Fala sério.

3,5/5 estrelas.