Pontos

eye

Alguns de seus amigos já perguntaram o que havia de tão interessante passar dia após dia sentado em uma mesa do café, observando a rua. Com certeza existiam lugares melhores para escrever.

Nunca conseguiu exatamente explicar o que o motivava. Só… precisava estar lá, sentia que ali era o melhor lugar para conseguir o que precisava para suas histórias abrirem as asas e voarem para longe, já sem precisar dele.

Chegou assim que o café se abriu, como de costume, o atendente sorriu ao vê-lo e preparou seu pedido – café preto, forte e sem açúcar. Sentou-se na mesa de sempre, abriu seu caderno – outra coisa que seus amigos costumavam apontar como loucura – e deixou que o aroma do café se misturasse às distantes buzinas e trovoadas.

Não havia lugar como nosso lar.

Sorriu ao tomar sua bebida quente, deixando sua imaginação percorrer as ruas, lado a lado com os apressados pedestres, motoristas estressados com o trânsito da manhã e crianças que corriam alegres à procura de abrigo, pulando de poça em poça.

Não precisava de muito para dar vazão ao que tinha em sua mente, não precisava se esconder em uma cabana na floresta, em uma casa afastada no litoral ou em um hotel nos alpes. Não era nesses lugares que se sentia à vontade.

Pegou sua caneta e deixou que as palavras surgissem no papel, tomando seu café, escutando o suave tamborilar da chuva na vidraça. Nada mais do que visões diferentes, realidades discrepantes. Pontos de vista que se alteram, se moldam, tornam-se algo completamente novo.

Graças a algo tão banal quanto tomar um café em um dia de chuva.

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