Exorcismo

exorcismo

(Imagem da internet)

Sinopse (retirada do site GoodreadsSe a ficção consegue ser tão assustadora, imagine o poder contido na história real? Muitos não sabem, mas a obra-prima de W. Peter Blatty, O Exorcista, não se trata de uma invenção. Ela foi inspirada num fenômeno ainda mais sombrio, desses que a ciência não consegue explicar: um exorcismo de verdade.

A história real aconteceu em 1949, e você pode conhecê-la — se tiver coragem! — no livro EXORCISMO, do jornalista Thomas B. Allen, lançamento da DarkSide Books em 2016. Exorcismo narra em detalhes os fatos que aconteceram com Robert Mannheim, um jovem norte-americano de 14 anos que gostava de brincar com sua tábua ouija, presente que ganhou de uma tia que achava ser possível se comunicar com os mortos.

Thomas B. Allen contou com uma santa contribuição para a pesquisa do seu trabalho. Ele teve acesso ao diário de um padre jesuíta que auxiliou o exorcista Bowdern. Como resultado, seu livro é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren definiram a obra de Thomas B. Allen como “um documento fascinante e imparcial sobre a luta diária entre o bem e o mal”.

Tudo se inicia com uma ida não programada para Brasília, onde está acontecendo a III Bienal Brasil do Livro e da Leitura no Estádio Mané Garrincha entre os dias 21 a 30 de outubro de 2016. Como nunca havia ido a uma Bienal do Livro antes, achei uma viagem válida e posso dizer que gostei bastante da experiência.

Além de conhecer novos livros, editoras independentes e poder gastar dinheiros comprando livros, deparei-me com este livro da Editora DarkSide.

Sou uma pessoa crente em Deus, mas que não segue nenhuma religião, mesmo tendo sido criada na Igreja Católica. Posso dizer que sou interessada no tópico exorcismo desde o fatídico – e tenso – dia em que assisti O Exorcista pela primeira vez. Desde então sigo um padrão complexo de assistir a filmes/seriados com o tema exorcismo e ter vários pesadelos por dias sem fim além de um cagaço dos mais intensos até deixar a história cair em certo esquecimento.

Um dos últimos filmes sobre exorcismo que assisti – e que foi fantástico – foi sobre a possessão demoníaca na cultura judaica. O filme se chama Possessão e se encontra disponível na Netflix momento merchan. Achei extremamente interessante – e assustador – porque sempre tive contato com a possessão e exorcismo pela cultura católica-cristã, então… É.

Acho que já deu para perceber que sou um pouco medrosa e masoquista em relação a temas de terror, certo? Sim, eu leio/assisto para ficar assustada. Vai entender.

O que mais me chamou atenção nesse livro e o que me motivou a comprá-lo afinal foi saber que é a história original na qual o livro e filme O Exorcista foi baseado. Como eu disse, meu primeiro contato com esse filme deixou marcas eternas no meu inconsciente, então nada mais justo do que ler o relato original. E, falando sério, tem como deixar a história ainda mais interessante e deliciosamente tensa do que saber que o relato do exorcismo foi real? É a máxima das histórias de terror, tudo vai bem e nem tão assustador assim, até que as palavras “baseado em fatos reais” aparecem. E sua coragem vai por água abaixo.

A história do livro, não um romance como eu esperava, mas sim o relato do caso do garoto Robbie, me prendeu de tal forma que não consegui largar o livro até chegar ao final. Fiquei absolutamente transtornada e envolvida com a história ali narrada. Só me convenci a deixar o livro momentaneamente de lado quando vi que era 1:30 da manhã, sabendo que no dia seguinte precisava acordar cedo e ir trabalhar; fora que estava tão envolta com a história que foi difícil dormir e não sonhar com o que estava relatado.

E isso porque nem chegara ao diário verdadeiro que está incluso ao final do livro.

Acho que vou me repetir, mas a minha criação católica foi muito forte, no sentido de que realmente cresci dentro da Igreja. Catequese, Primeira Comunhão, Crisma, you name it, eu fiz tudo o que era esperado pelos meus pais. O problema, entretanto, é que mesmo não acreditando piamente em tudo o que é pregado pela Igreja, a criação ficou ali, arraigada num nível tão basal que acabo me voltando a ela quando estou passando por momentos difíceis. Como ao final da leitura desse livro, por exemplo.

Como diz no livro, é meio que necessário acreditar no Demônio para poder aceitar e acreditar o que é pregado na Bíblia. Então coisas que mexem com essa minha parte – uma parte que eu não costumo dar tanta atenção assim – acabam me deixando um tanto transtornada.

é exatamente o que esse tema de exorcismo faz comigo, ele mexe com esse lado visceral, inominado, profundo. Uma parte grande que me constitui como pessoa. E assim dou início aos spoilers logo abaixo.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

O livro narra a história de Robbie – nome fictício para proteger a identidade da criança – em ordem cronológica, então acompanhamos o desenvolvimento, a piora dos sintomas e a transformação de uma criança comum, educada e feliz, em uma criança apática, indiferente ao mundo ao seu redor e agressiva.

Tia Harriet, irmã do pai de Robbie, é uma mulher espiritualista e apresentou o garoto de 14 anos ao tabuleiro de Ouija. Para o garoto era, inicialmente, mais um jogo de tabuleiro, mas a sua tia realmente acreditava que poderia entrar em contato com espíritos dos mortos e que tal contato não traria nenhum mal para ela ou sua família.

Os primeiros incidentes, que se iniciam após a introdução do tabuleiro de Ouija na vida de Robbie, são tão fracos, tão banais que não convence ninguém do mal – nem mesmo nós leitores. São apenas sons, sem nenhuma outra forma de “contato” com a família. Após alguns dias de sons de arranhões que toda a família escuta, logo começam os incidentes de objetos sendo movimentados sem nenhuma participação de alguém da família.

Todos os incidentes na casa da família, na escola, e até na casa do pastor da igreja luterana – religião a qual a família era devota -, eram centrados em Robbie. Logo não eram apenas objetos que se moviam, o próprio garoto começou a mudar. Tornou-se mais taciturno, recluso à casa por vergonha do que acontecia na escola, e começou a ter problemas físicos para dormir – a cama se mexia, o colchão se debatia, os arranhões eram escutados. A situação ficou tão complexa que ninguém da casa conseguia descansar… E o pastor luterano sugeriu, após convencer a família a levar o garoto a diversos médicos, de que a situação precisava de um padre católico.

Achei deveras interessante perceber que a Igreja Luterana, mesmo acreditando – até certo ponto – na possessão demoníaca, tem uma conduta completamente diferente da Igreja Católica. Interessante foi também aprender um pouco mais sobre os processos para dar início a um exorcismo. Gosto de saber como as coisas funcionam… Mas enfim.

Após um primeiro exorcismo mal sucedido Robbie começou a piorar. Arranhões, que não eram causados pelo garoto, começaram a surgir em seu corpo e já não havia noites de sono para a família. Seus pais criaram, então, um temor pela ideia de exorcismo, já que o filho se mostrou muito mais agressivo após o início da tentativa frustrada de exorcismo.

A partir daí, é só ladeira abaixo. O rapaz fica cada vez mais enclausurado, com cada vez mais problemas para dormir e até mesmo para se relacionar com sua família. E a minha angústia só crescia. Era nítido que ninguém realmente sabia o que fazer, como lidar com o que estava acontecendo com o guri, e eles acabavam tomando certas atitudes que me destruíam por dentro. Queria gritar com eles, ajudá-los a entender o que acontecia, o que deveria ser feito.

Quando o exorcismo começa de fato, a situação – que já não era simples – piora de maneira catastrófica. Era exigido muito de todos, principalmente do padre Bowdern e de forma ainda mais drástica do próprio Robbie. Eu me via dividida entre a vontade de abraçar os envolvidos dizendo que ia ficar tudo bem, e o profundo desespero enquanto aguardava, juntamente com todos, o derradeiro fim do caso.

[FIM DOS SPOILERS]

Céus!

Ao terminar de ler o Diário do padre Bishop – que participou como auxiliar do exorcismo do garoto – e todas as notas e bibliografia usadas pelo autor, posso dizer com toda certeza que foi um livro que mexeu comigo de tal forma que ainda não estou sabendo lidar…

Em relação à edição do livro em si, existem alguns erros de digitação que passaram desapercebidos, mas que não alteram em nada a leitura ou a minúcia com a qual o livro foi feito. O trabalho desta publicação foi magistral – como é o padrão da Editora DarkSide -, o livro em capa dura com relevo no local da cruz – como se fosse feita de areia e com o detalhe da cruz de ponta cabeça na parte de trás do livro-, a contra capa com o tabuleiro ouija completo com sua planchette – a peça que o espírito contactado usa para conversar com os participantes do “jogo” -… Tudo se somando para te colocar em contato com um lado mais visceral, mais instintivo. Você ou no caso eu realmente se sente de posse de algo real, palpável, talvez profano.

Quanto às considerações sobre o exorcismo, se a possessão é/pode ser algo real e ter realmente acontecido ao garoto Robbie… Bem, cabe apenas a você decidir no que acreditar.

Mereceu suas 4/5 estrelas.

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2 thoughts on “Exorcismo

  1. Se tem uma coisa que eu sempre digo é: NUNCA BRINQUEM COM OUIJA!! Mano do céu, esse tipo de coisa é muito perigosa! De verdade!! Eu realmente acredito que isso é uma porta de entrada pra que as coisas ruins se manifestem mesmo e aí, quando não se tem como resolver o problema, isso acaba fazendo mais e mais mal! Deuses, ao mesmo tempo em que eu fico curiosa eu tbm fico com um medo horrível! No entanto, quem sabe eu não crie um pouco de coragem pra ler…?! XD

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