Caixa de Pássaros

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Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de Pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler.

Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

Adorei a ideia do livro. Um “apocalipse” em que a pessoa vê algo e perde completamente a noção da realidade! É interessante perceber a angústia das personagens do livro enquanto elas perdem o contato com a humanidade e, principalmente, quando perdem a visão.

Antes de ler o livro, já havia assistido a resenha da Jade Abud, minha amiga – adoro as resenhas dela! -, então já tinha um pouco de ideia sobre como o livro seria, mas, ao contrário dela, gostei muito do livro!

[INÍCIO DOS SPOILERS]

Quando Malorie percebe estar grávida, tenta manter um pensamento mais cético em relação ao “ataque” que a humanidade está sofrendo, mas, quando os casos atingem os Estados Unidos e ela e a irmã perdem o contato com a família, acaba cedendo e as duas começam a se proteger e ficar dentro de casa.

O livro é um tanto claustrofóbico, tendo apenas uma localização onde a história se passa, variando a narrativa em passado e presente de forma que podemos acompanhar o desenvolvimento do problema. Quando ela sai deste ambiente seguro, a história fica ainda mais incrivelmente tensa e difícil e, convenhamos, insana. Quem imaginaria sair de barco por um rio com os olhos vendados?

Cada pessoa que entra na vida de Malorie é uma potencial ajuda e um potencial inimigo. A realidade pós apocalíptica em que ela vive é estressante e angustiante, principalmente quando fala sobre o parto que ela e Olympia acabam fazendo em casa.

E, pior do que o que acontece com as pessoas, perceber que as criaturas também afetam os animais é uma coisa de se cortar o coração. Apeguei-me mais do que imaginei ser possível a Victor, o cachorro de Jules.

Achei interessantíssimo o fato de não saber o que são as criaturas, como elas se parecem, o que elas fazem e porque estão no mundo. Deixa todo um novo universo disponível para a sua imaginação e eu adoro histórias assim: sem um final realmente preciso e destrinchado. Gosto de poder imaginar como as coisas podem acontecer.

[FIM DOS SPOILERS]

A Editora Intrínseca fez um papel fantástico com essa edição, colocando detalhes de árvores – ou raízes – em cada capítulo. Sou suspeita para falar da Intrínseca porque sou apaixonada pelo trabalho dela, mas realmente adorei a forma como o livro foi feito.

Em resumo, foi um livro interessante e que me prendeu mesmo eu tendo demorado 2 dias para terminar de ler e que com certeza me deixou angustiada por alguns instantes.

4/5 estrelas merecidas!

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Asylum

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Sinopse: Para Dan Crawford, 16 anos, o New Hampshire College Prep é mais do que um programa de verão – é uma tábua de salvação. Um pária em sua escola, Dan está animado para finalmente fazer alguns amigos em seu último verão antes da faculdade. Mas, quando ele chega no programa, Dan descobre que seu dormitório para o verão costumava ser um sanatório, mais comumente conhecido como um asilo. E não apenas qualquer asilo — um último recurso para criminosos insanos.

À medida que Dan e seus novos amigos, Abby e Jordan, exploram os recantos escondidos de sua casa de verão assustadora, eles logo descobrem que não é coincidência que os três acabaram ali. Porque o asilo é a chave para um passado terrível. E existem alguns segredos que se recusam a ficar enterrados.

Muitas coisas me chamaram a atenção para este livro. Uma delas foi o seu título – Asylum – que a editora manteve como no original. Pode parecer bobeira, mas ver Asylum e não Asilo ou Manicômio me incentivou muito mais a comprar o livro. E não é porque eu prefiro títulos em inglês ou nada do tipo.

É só porque eu acabara de jogar um jogo em estilo point-and-click que se chamava Escape the AsylumLembram que eu comentei em algum lugar do blog que eu sou uma pessoa aleatória, né..?

Jogos de fuga estilo point-and-click me deliciam desde a época do meu ensino médio com o jogo The Crimson Roome daí em diante não, não vamos falar sobre tempo só fui me embrenhando mais e mais nos Escape games. Um dos últimos que joguei foi Escape the Asylum, também de uma franquia como The Crimson Room, criado por Takagism, ou Submachine, criado por Mateusz Skutnik.

De qualquer forma, é preciso entender porque estes jogos é assustador, mesmo sendo absurdamente divertidos!

Como a sua personagem está presa, sentimos um pouco do medo da situação. Não é de todo uma situação agradável não conseguir sair de um ambiente conhecido – imaginem quando ficamos trancados em um banheiro ou um elevador, é claustrofóbico e incômodo, mas sabemos que alguém pode nos ajudar. Agora, quando nos encontramos em um ambiente completamente diferente e sem nenhum meio de comunicação com o meio externo? É algo que beira a insanidade. Pensem nos filmes dos Jogos Mortais!

Juntando isso a um ambiente desolado como um manicômio, onde sabemos que antigamente aconteciam diversos experimentos durante a busca para a cura de doenças mentais e voilà! uma dose de terror na sua vida.

De qualquer forma, me interessei pelo livro – sim a capa ajudou – e resolvi que seria uma boa guinada para encerrar outubro com livros de terror.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

Asylum começa de uma forma que não é exatamente a que eu gosto. As personagens parecem ser jogadas na sua cara, sem muita introdução ou história, simplesmente a situação está lá e você precisa aceitá-la, entretanto, é uma situação corriqueira, então sua aceitação é plausível e fácil de ser realizada. A personagem principal, por outro lado…

O fato de que o livro é narrado em primeira pessoa ajuda a montar o clima de paranoia e ansiedade, mas deixa a desejar com o fato de que a personagem principal – Dan – aparentemente sofre de distúrbios psiquiátricos que não são elucidados durante a leitura. Ou seja, é uma coincidência muito grande um garoto com distúrbios psiquiátricos ir passar suas férias de verão em um manicômio desativado.

O livro se baseia em coincidências difíceis de serem engolidas. Achei, de certa forma, muito forçado colocar relacionamentos 100% baseados na descoberta de informações antigas sobre o manicômio. E, como o Dan é uma pessoa extremamente fechada, paranóica e ansiosa, acabamos não conhecendo muito bem nenhum dos três protagonistas do livro.

E, honestamente, não conhecer os protagonistas de uma série de livros me deixa no mínimo frustrada.

A narrativa do livro, em si, me deixou irritada no começo dele. Achei de uma infantilidade extrema, narrando os desafios de se manter uma amizade, os primeiros passos de uma vida amorosa. Foi cansativo e extremamente piegas, beirando o abismo do clichê – mesmo que os três amigos sejam inteligentes, nerds, geeks.

E ainda assim, quando a história deixou de lado esse lado adolescente de ser e focou no problema de se morar em um manicômio desativado, devorei o livro em poucas horas.

O livro também é recheado de fotos antigas, tal como O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares desculpa, Intrínseca, será sempre o Orfanato para mim, só que, ao contrário d’O Orfanato, as imagens em Asylum foram modificadas digitalmente, muito provavelmente para auxiliar em deixar o clima do livro mais tenso.

O que me deixou um pouco frustrada é que há mais fotos do que é mencionado no texto, então não é tão bem ilustrado assim. Tiveram alguns momentos em que eu me pegava observando uma imagem e não havia descrição dela no texto e eu me perguntava qual a lógica de ela estar ali.

E, sejamos honestos, essas fotos não precisam ser modificadas digitalmente. Fotos antigas são assustadoras por si só.

Enfim…

[FIM DOS SPOILERS]

Foi o meu primeiro livro da Editora V&R e gostei do trabalho dela, mas não sei se a distribuição do texto e as capas dos capítulos é um traço herdado do livro original ou não. Eu, sendo sincera, não gostei da forma como o livro é distribuído, achei que ficou pesado visualmente, mas, como eu disse, não sei se é um traço do livro original ou preferência da editora. Não tenho conhecimento o suficiente sobre isso… Hmmm…

Foi um livro que o classifiquei com 3 estrelas relutantemente. Foi bom, mas não a coca-cola toda que eu esperava. E com certeza não foi tão assustador quanto minha expectativa.

3/5 estrelas. E não, não sei se continuarei com a saga de Dan, afinal, a história do Asylum se encerra muito bem ao final do livro.

Labirinto

Eu e minha maravilhosa mania de entender/supor coisas erradas. Honestamente, me senti como Sarah à medida que caí em mim e percebi que, ao contrário do que eu imaginava, Labirinto não é “o livro que deu origem ao filme”, mas sim a romantização do script do filme.

Vê como não devemos supor como as coisas realmente funcionam, Sarah?

Farei essa resenha, então, de uma forma ligeiramente diferente do meu padrão resenha livro-filme. Iniciarei com o filme, para depois falar sobre o livro.

Labirinto – A Magia do Tempo Por que sempre com o subtítulo, Brasil?

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Sinopse: Totalmente frustrada por ter que cuidar do irmão mais novo em mais um final de semana, a adolescente Sarah (Jennifer Connelly), que possui muita imaginação, acaba dando vida aos duendes personagens do seu livro favorito “Labirinto”, para que eles sumam com o bebê. Mas quando o pequeno Toby (Toby Froud) realmente desaparece, Sarah precisa ir atrás dele neste mundo de conto de fadas e tentar resgatá-lo das mãos do maldoso Rei dos Duendes (David Bowie). Protegendo o castelo, encontra-se o labirinto – um emaranhado de armadilhas repleto de estranhos personagens e perigos desconhecidos. Com o intuito de salvar Toby a tempo, Sarah terá que enganar o rei ficando amiga dos duendes que o protegem, na esperança de que a fidelidade deles não passe apenas de uma ilusão num lugar em que nada parece ser o que é!

O filme é de 1986 e devo dizer que me impressionei com ele. A atuação de Jennifer Conelly é uma graça mesmo existindo momentos em que eu quis socar a cara dela…, fora que ver David Bowie como Jareth foi algo grandioso. Meu crush por Bowie foi intensificado e acabei me apaixonando pelo Rei dos Duendes – e ele canta! Oh meu Deus, e como canta!

Existiram momentos em que fiquei curiosa em relação a todo esse relacionamento Sarah-Jareth, pois parecia que o Rei desejava a garota ao mesmo tempo em que não queria que ela conseguisse chegar ao centro do Labirinto. Fiquei com aquela ligeira impressão de que alguma cena tinha sido cortada, que o livro original tola poderia me dar mais informações.

Além da atuação, achei interessante como o labirinto foi criado, a forma como os duendes e todos os outros seres que Sarah encontra eram bem feitos. É claro que há algumas cenas meio trash – o filme tem 30 anos! -, mas nada que impeça uma boa apreciação da obra – que permanece sendo uma obra-prima mesmo após 3 décadas.

Recebeu 4/5 estrelas.

Labirinto

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Peço desculpas pelas fotos desfocadas, mas a minha câmera do celular simplesmente não presta… E não achei na internet foto de tudo pra postar aqui, então…

Sinopse: Trinta anos sem perder a magia. Tudo começou em um pequeno “labirinto” real na cabeça de James Maury, mais conhecido pelo nome de Jim Henson. O cartunista, músico, roteirista, designer e diretor sabia acessar como ninguém o coração das pessoas e o seu maior dom foi dar vida a seres inanimados. A nova geração pode não lembrar do seu nome, mas com certeza tem seus personagens gravados na memória: Os Muppets, Vila Sésamo, Muppets Babies e até a inesquecível Família Dinossauro. Além deste, Henson também criou fábulas como “Labirinto”, em parceria com George Lucas, filme que encantou toda uma geração quando foi lançado, há 30 anos, com David Bowie como Jareth, o Rei dos Duendes, e também responsável pela trilha sonora, e uma jovem Jennifer Connelly no papel de Sarah, a protagonista que deseja que os duendes levem Toby, seu meio irmão e – para seu espanto – é atendida. Arrependida, ela é desafiada pelo Rei dos Duendes a atravessar o sombrio Labirinto, repleto de perigos e seres mágicos.

A novelização de Labirinto finalmente é publicada em português, em uma edição à altura do mestre. Escrita por A.C.H. Smith em parceria com Henson, a edição apresenta pela primeira vez as ilustrações dos duendes feitas por Brian Froud, que trabalhou no filme, além de trechos inéditos e nunca vistos com 50 páginas do seu diário, detalhando a concepção inicial de suas ideias para Labirinto, comemorando os 30 anos do filme em grande estilo.

Como podem ver, o livro é a novelização do script do filme, com conteúdo inteiramente novo – ilustrações e diário de criação – e feito de forma magistral pela Editora DarkSide. A capa do livro é idêntica ao livro de Sarah no filme e achei a imagem de Sarah e Jareth dançando simplesmente divina como mais um detalhe a mais do livro.

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A contracapa já traz alguns dos desenhos dos duendes, o que ajuda na hora de imaginá-los – afinal eles são diferentes daqueles que aparecem no filme – e para dar um gostinho de quero mais na leitura.

Da história em si, não tive dificuldades para identificar as cenas extras, até porque eu assisti o filme tem menos de uma semana e achei que cada uma ajudou a entender e desfrutar ainda mais – e melhor – a história.

Como uma narrativa novelizada não gosto deste verbo agora temos acesso ao que os personagens estão pensando e sentindo de uma forma muito mais precisa do que no filme, então o que eu achei estranho no filme – a relação dicotômica Sarah-Jareth – é muito melhor explicada.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

Sarah e Jareth sentem desejo entre si, ambos temendo o poder latente que Sarah demonstra com seus desejos e decisões e, principalmente, com a forma como ela cativa as pessoas ao redor dela. Jareth sente-se ameaçado pelas atitudes dela, ao mesmo tempo em que pensa em como seria tê-la ao seu lado, amando-o, temendo-o.

Eu estou shippando hard os dois! E nada me tira da cabeça que o Rei Duende é na verdade a coruja branca, então ele continua por aí! Possivelmente à espera de um novo desejo por parte da Sarah.

O final do filme é ligeiramente diferente do final dado ao livro, o que achei muito mais sensato. Não fazia o menor sentido ao final do filme todos aqueles monstros que ela viu no labirinto fazerem parte da sua vida, sendo que a teoria era que ela estava deixando esse lado mágico da sua vida para trás.

[FIM DOS SPOILERS]

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Adorei poder ver os desenhos originais, a como eles imaginaram cada personagem, como eles mudaram cada um e, até mesmo, os primeiros esboços de como eles se moveriam. O trabalho de Brian Froud é muito lindo e nos transporta para um mundo mágico.

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Na parte do diário de Jim Henson achei muito interessante ver como era o processo de criação dele. Todos os temas, rascunhos, desenhos… Bem, a forma como ele conseguiu criar este – e tantos outros – universo maravilhoso de Labirinto foi simplesmente fantástico. Sendo uma pessoa que tem um pézinho na escrita, me reconheci em seu diário, com todos os rascunhos e ideias desbaratadas anotadas sem uma forma concisa de leitura…

Foi um livro que mereceu suas 5/5 estrelas.

Exorcismo

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(Imagem da internet)

Sinopse (retirada do site GoodreadsSe a ficção consegue ser tão assustadora, imagine o poder contido na história real? Muitos não sabem, mas a obra-prima de W. Peter Blatty, O Exorcista, não se trata de uma invenção. Ela foi inspirada num fenômeno ainda mais sombrio, desses que a ciência não consegue explicar: um exorcismo de verdade.

A história real aconteceu em 1949, e você pode conhecê-la — se tiver coragem! — no livro EXORCISMO, do jornalista Thomas B. Allen, lançamento da DarkSide Books em 2016. Exorcismo narra em detalhes os fatos que aconteceram com Robert Mannheim, um jovem norte-americano de 14 anos que gostava de brincar com sua tábua ouija, presente que ganhou de uma tia que achava ser possível se comunicar com os mortos.

Thomas B. Allen contou com uma santa contribuição para a pesquisa do seu trabalho. Ele teve acesso ao diário de um padre jesuíta que auxiliou o exorcista Bowdern. Como resultado, seu livro é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren definiram a obra de Thomas B. Allen como “um documento fascinante e imparcial sobre a luta diária entre o bem e o mal”.

Tudo se inicia com uma ida não programada para Brasília, onde está acontecendo a III Bienal Brasil do Livro e da Leitura no Estádio Mané Garrincha entre os dias 21 a 30 de outubro de 2016. Como nunca havia ido a uma Bienal do Livro antes, achei uma viagem válida e posso dizer que gostei bastante da experiência.

Além de conhecer novos livros, editoras independentes e poder gastar dinheiros comprando livros, deparei-me com este livro da Editora DarkSide.

Sou uma pessoa crente em Deus, mas que não segue nenhuma religião, mesmo tendo sido criada na Igreja Católica. Posso dizer que sou interessada no tópico exorcismo desde o fatídico – e tenso – dia em que assisti O Exorcista pela primeira vez. Desde então sigo um padrão complexo de assistir a filmes/seriados com o tema exorcismo e ter vários pesadelos por dias sem fim além de um cagaço dos mais intensos até deixar a história cair em certo esquecimento.

Um dos últimos filmes sobre exorcismo que assisti – e que foi fantástico – foi sobre a possessão demoníaca na cultura judaica. O filme se chama Possessão e se encontra disponível na Netflix momento merchan. Achei extremamente interessante – e assustador – porque sempre tive contato com a possessão e exorcismo pela cultura católica-cristã, então… É.

Acho que já deu para perceber que sou um pouco medrosa e masoquista em relação a temas de terror, certo? Sim, eu leio/assisto para ficar assustada. Vai entender.

O que mais me chamou atenção nesse livro e o que me motivou a comprá-lo afinal foi saber que é a história original na qual o livro e filme O Exorcista foi baseado. Como eu disse, meu primeiro contato com esse filme deixou marcas eternas no meu inconsciente, então nada mais justo do que ler o relato original. E, falando sério, tem como deixar a história ainda mais interessante e deliciosamente tensa do que saber que o relato do exorcismo foi real? É a máxima das histórias de terror, tudo vai bem e nem tão assustador assim, até que as palavras “baseado em fatos reais” aparecem. E sua coragem vai por água abaixo.

A história do livro, não um romance como eu esperava, mas sim o relato do caso do garoto Robbie, me prendeu de tal forma que não consegui largar o livro até chegar ao final. Fiquei absolutamente transtornada e envolvida com a história ali narrada. Só me convenci a deixar o livro momentaneamente de lado quando vi que era 1:30 da manhã, sabendo que no dia seguinte precisava acordar cedo e ir trabalhar; fora que estava tão envolta com a história que foi difícil dormir e não sonhar com o que estava relatado.

E isso porque nem chegara ao diário verdadeiro que está incluso ao final do livro.

Acho que vou me repetir, mas a minha criação católica foi muito forte, no sentido de que realmente cresci dentro da Igreja. Catequese, Primeira Comunhão, Crisma, you name it, eu fiz tudo o que era esperado pelos meus pais. O problema, entretanto, é que mesmo não acreditando piamente em tudo o que é pregado pela Igreja, a criação ficou ali, arraigada num nível tão basal que acabo me voltando a ela quando estou passando por momentos difíceis. Como ao final da leitura desse livro, por exemplo.

Como diz no livro, é meio que necessário acreditar no Demônio para poder aceitar e acreditar o que é pregado na Bíblia. Então coisas que mexem com essa minha parte – uma parte que eu não costumo dar tanta atenção assim – acabam me deixando um tanto transtornada.

é exatamente o que esse tema de exorcismo faz comigo, ele mexe com esse lado visceral, inominado, profundo. Uma parte grande que me constitui como pessoa. E assim dou início aos spoilers logo abaixo.

[INÍCIO DOS SPOILERS]

O livro narra a história de Robbie – nome fictício para proteger a identidade da criança – em ordem cronológica, então acompanhamos o desenvolvimento, a piora dos sintomas e a transformação de uma criança comum, educada e feliz, em uma criança apática, indiferente ao mundo ao seu redor e agressiva.

Tia Harriet, irmã do pai de Robbie, é uma mulher espiritualista e apresentou o garoto de 14 anos ao tabuleiro de Ouija. Para o garoto era, inicialmente, mais um jogo de tabuleiro, mas a sua tia realmente acreditava que poderia entrar em contato com espíritos dos mortos e que tal contato não traria nenhum mal para ela ou sua família.

Os primeiros incidentes, que se iniciam após a introdução do tabuleiro de Ouija na vida de Robbie, são tão fracos, tão banais que não convence ninguém do mal – nem mesmo nós leitores. São apenas sons, sem nenhuma outra forma de “contato” com a família. Após alguns dias de sons de arranhões que toda a família escuta, logo começam os incidentes de objetos sendo movimentados sem nenhuma participação de alguém da família.

Todos os incidentes na casa da família, na escola, e até na casa do pastor da igreja luterana – religião a qual a família era devota -, eram centrados em Robbie. Logo não eram apenas objetos que se moviam, o próprio garoto começou a mudar. Tornou-se mais taciturno, recluso à casa por vergonha do que acontecia na escola, e começou a ter problemas físicos para dormir – a cama se mexia, o colchão se debatia, os arranhões eram escutados. A situação ficou tão complexa que ninguém da casa conseguia descansar… E o pastor luterano sugeriu, após convencer a família a levar o garoto a diversos médicos, de que a situação precisava de um padre católico.

Achei deveras interessante perceber que a Igreja Luterana, mesmo acreditando – até certo ponto – na possessão demoníaca, tem uma conduta completamente diferente da Igreja Católica. Interessante foi também aprender um pouco mais sobre os processos para dar início a um exorcismo. Gosto de saber como as coisas funcionam… Mas enfim.

Após um primeiro exorcismo mal sucedido Robbie começou a piorar. Arranhões, que não eram causados pelo garoto, começaram a surgir em seu corpo e já não havia noites de sono para a família. Seus pais criaram, então, um temor pela ideia de exorcismo, já que o filho se mostrou muito mais agressivo após o início da tentativa frustrada de exorcismo.

A partir daí, é só ladeira abaixo. O rapaz fica cada vez mais enclausurado, com cada vez mais problemas para dormir e até mesmo para se relacionar com sua família. E a minha angústia só crescia. Era nítido que ninguém realmente sabia o que fazer, como lidar com o que estava acontecendo com o guri, e eles acabavam tomando certas atitudes que me destruíam por dentro. Queria gritar com eles, ajudá-los a entender o que acontecia, o que deveria ser feito.

Quando o exorcismo começa de fato, a situação – que já não era simples – piora de maneira catastrófica. Era exigido muito de todos, principalmente do padre Bowdern e de forma ainda mais drástica do próprio Robbie. Eu me via dividida entre a vontade de abraçar os envolvidos dizendo que ia ficar tudo bem, e o profundo desespero enquanto aguardava, juntamente com todos, o derradeiro fim do caso.

[FIM DOS SPOILERS]

Céus!

Ao terminar de ler o Diário do padre Bishop – que participou como auxiliar do exorcismo do garoto – e todas as notas e bibliografia usadas pelo autor, posso dizer com toda certeza que foi um livro que mexeu comigo de tal forma que ainda não estou sabendo lidar…

Em relação à edição do livro em si, existem alguns erros de digitação que passaram desapercebidos, mas que não alteram em nada a leitura ou a minúcia com a qual o livro foi feito. O trabalho desta publicação foi magistral – como é o padrão da Editora DarkSide -, o livro em capa dura com relevo no local da cruz – como se fosse feita de areia e com o detalhe da cruz de ponta cabeça na parte de trás do livro-, a contra capa com o tabuleiro ouija completo com sua planchette – a peça que o espírito contactado usa para conversar com os participantes do “jogo” -… Tudo se somando para te colocar em contato com um lado mais visceral, mais instintivo. Você ou no caso eu realmente se sente de posse de algo real, palpável, talvez profano.

Quanto às considerações sobre o exorcismo, se a possessão é/pode ser algo real e ter realmente acontecido ao garoto Robbie… Bem, cabe apenas a você decidir no que acreditar.

Mereceu suas 4/5 estrelas.

Puella Magi Madoka Magica

Se você gosta de anime de garotas mágicas fofinhas, Madoka não é pra você.

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Não se deixe enganar pela aura de fofura, desenho maravilhoso e personagens profundos. Madoka Magica não é um anime fofo.

Ok, deixando de lado a tentativa de tornar essa coisa mais gorda daí de cima em algo assustador, precisamos falar sobre Madoka.

Primeiro conheci o anime através de uma grande amiga que o descobriu em um site/blog qualquer. Tem muito tempo mesmo, perdoem-me pela falta de informações consistentes.

A Débora me disse exatamente isso que falei ali em cima. Madoka não é um anime fofo. Não importa que o traço seja magnífico, que as personagens em si sejam fofas e muito menos que elas se transformem em garotas mágicas. O fato é: não é fofo. Nem tudo dá certo no final.

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Acompanhamos, no desenvolver da história, as escolhas de cada uma das garotas. Sim, elas são mágicas e sim, elas lutam contra bruxas – que é by the way a coisa mais linda e psicodélica do mundo -, mas nem tudo o que acontece, nem todas as bruxas com quem lutam, nem tudo é o que parece.

E elas não estão seguras.

É o meu anime favorito dos últimos tempos, um que eu não me canso de assistir – e sofrer, e amar, e chorar… – e que eu indico para todos os meus amigos. E para quem me conhece sabe como é difícil eu assistir/indicar animes.

Se você procura se surpreender com uma história profunda, cheia de tramas e problemas, Madoka é o seu anime. Agora, se procura uma história feliz de garotas mágicas, sugiro que vá assistir Sakura.

Um anime que com certeza merece suas 5/5 estrelas.

E ele está no Netflix ❤

Daredevil

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Em 2015 a Netflix deu início a sua mais nova empreitada: a adaptação de Daredevil (Demolidor) para a TV well, para sistema de streaming, visto que Netflix não é um canal da TV.

Eu devo dizer que, pra variar, não conhecia o personagem antes do filme com o Ben Affleck e, honestamente, gostei do filme. Não tinha muito o que reclamar dele – tirando, é claro, a Elektra que eu achei extremamente fraca como personagem e como atriz.

Então, partindo-se deste pressuposto, não me senti tão empolgada assim quando a Netflix anunciou a sua adaptação. Claro que, sendo uma adaptação pela Netflix e sendo um seriado sobre heróis, lá estava eu satisfeita com o seriado, mas não na hype que todos estavam.

Claro, que isso passou quando comecei a assistir.

Com certeza, hoje, tenho um grande respeito pelo trabalho da Netflix. A escolha dos atores é simplesmente perfeita, a forma e a velocidade com que a história é narrada só ajuda a nos deixar ainda mais ansiosos para fazer aquele bingewatch básico. E sim, eu crushei no Foggy. ELE É UM FOFO!

E, agora com o lançamento do mais novo seriado – Luke Cage – achei que era hora de tirar o atraso e assistir a segunda temporada do Daredevil.

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Enquanto na primeira temporada vemos o nascimento do Daredevil, sua luta constante contra o Rei do Crime e seus capangas e o eterno strugle para manter sua identidade secreta completamente separada de seu alias, na segunda temporada vemos um herói já muito bem formado, caracterizado e atuante nas ruas de Nova York.

Somos apresentados ao Punisher – Shane, você se redimiu, finalmente… – e à Elektra.

A história de Frank Castle me comoveu muito. Fiquei muito triste pelo que aconteceu à sua família e muito impressionada em ter a certeza de que basta um trauma grande para fazer a pessoa se perder de si mesma.

Elektra já me deixou meio… meh. Gostei da atriz escolhida – melhor do que a do filme – e achei a atuação dela muito boa, de verdade. Só que não gostei da reviravolta que deram para a personagem – e acho que é aí que mora o problema de não conhecer os quadrinhos. Não sei se a treta existe nos quadrinhos ou se foi algo criado para o seriado, mas é uma treta que não consegui comprar.

Adorei rever a Claire! Ela é a melhor personagem do seriado inteiro. Ponto final.

De qualquer forma, valeu muito a pena ter assistido o seriado. 4/5 estrelas. ❤

Memórias Secretas

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PUTA QUE PARIU QUE FILME FODA!

Ok, ok… Se controla, molier. Vamos tentar fazer uma resenha decente.

O filme se inicia em uma casa de repouso de idosos. O personagem principal, Zev, tem demência senil e seu amigo, Max, sofreu um AVC. Sim, é essa a situação a que somos apresentados.

Max é um caçador de nazistas, tanto ele quanto Zev estiveram em Auschwitz e sobreviveram – são judeus -, e juraram que teriam vingança daqueles que mataram suas famílias. Max, então, escreve uma carta explicando para Zev o que ele precisava fazer enquanto procurava por Otto Wallisch, o führer do bloco em que eles viviam em Auschwitz e que está nos EUA sob o nome de Rudy Kurlander.

Até aí, tudo bem, mas Zev sofre de demência! Ele não consegue se lembrar das coisas direito. Então todos os dias ele revive a morte da esposa, revive Auschwitz, revive sua missão – tudo isso lembrado através da carta de Max.

Toda a missão dele, todas as viagens e os planos são absolutamente trágicos. Fiquei esperando o pior o filme todo e fiquei com aquela vontade absurda de adotar o Zev. Queria trazer ele pra casa, servi-lo café e dizer que ia ficar tudo bem.

O final é completamente inesperado, chocante, maravilhoso. Não sou uma pessoa que gosta TANTO assim de drama, mas esse é um que vale a pena. Só se preparem para assistir cenas bastante… insanas.

5/5 estrelas com gosto e daria mais se tivesse como.