Discrepância

Sonho.jpg

– O que há de errado, 27?

Piscou os olhos rapidamente e voltou a atenção para os quebra-cabeças à sua frente. Respirou fundo e continuou seu exercício de onde havia parado.

– Apenas um pouco cansado, 51.

Forçou a mandíbula enquanto via 51 escrever em sua prancheta. Sua distração seria contabilizada como dificuldade. Piscou lentamente mais uma vez e esforçou-se em terminar rapidamente o exercício.

Ao terminar o quebra-cabeça e tocar no temporizador, percebeu que seu tempo continuava próximo ao de 33, o experimento modelo. Recebeu suas medicações e saiu da sala fortemente iluminada para a semi-penumbra do corredor. Caminhava para sua acomodação ainda lembrando-se das imagens que o atingiram durante o experimento.

Não compreendia exatamente o que acontecia com a garota, não entendia porque ela carregava uma espada, muito menos o motivo pelo qual ela lutava. Só conseguia perceber, realmente, as cores.

Tantas cores que nem sabia qual era o nome delas – se elas ao menos tinham um nome. O céu, o chão, o sangue que escorria pela pele da garota e até mesmo a pele dela. Nunca vira alguém tão cheio de vida.

Tão cheio de cor.

– 27, seu próximo experimento começa em 30 minutos. – a voz automática avisou em seu ouvido – Favor dirigir-se ao laboratório 4.

Piscou e, por um mísero instante, desejou estar naquele mundo colorido. Engoliu as duas pílulas – brancas, como todo o resto de sua vida – e começou seu caminho para o laboratório 4.

Sua mente um quadro em branco.

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