Dois garotos se beijando

Devo dizer que não imaginei que esse livro me emocionaria e que eu me identificaria tanto com ele dessa forma. Dois garotos se beijando foi o livro escolhido para o item 24. Um livro LGBT (pun intended).

24. Dois garotos se beijando

A narrativa do livro se dá por meio de um narrador “morto” e isso foi uma das coisas que me deixou maravilhada. Acompanhamos 4 grupos diferentes de personagens por todo o desenrolar da história, mas sempre com a narração impressionante dessa geração anterior de homossexuais – uma geração que já “acabou” e deu lugar para toda uma nova geração.

Temos Craig e Harry, os dois garotos que se beijam para ultrapassar o recorde de beijo mais longo (32 horas, isso que eu chamo de um beijo longo…); Avery e Ryan, os garotos de cabelos rosa e azul respectivamente, que acabaram de se conhecer; Peter e Neil que já namoram a algum tempo; e Cooper, que ainda não se assumiu e vive uma vida isolada.

A história central é a do recorde do beijo, mas isso não significa que as outras três histórias girem entorno dela.

É um livro que mostra adolescentes aprendendo a lidar com a vida como um todo e não só amorosa, mostra a luta pela igualdade, o desejo de reconhecimento, a coragem, o amor, a esperança.

Os personagens são o mais próximo de pessoas reais o possível. As dúvidas, o medo, o desespero… Todos os problemas que um adolescente passa, que uma pessoa passa… Foi emocionante demais.

E o que é pior, mostra a realidade do que a sociedade LGBT passa. O desprezo, o ódio pelo diferente, o asco, tudo aquilo que mostra o porque livros assim são importantes. E em um nível mais subentendido tem a discussão sobre a AIDS, uma doença que ainda é causa de tantas discussões, tantas mortes.

Me identifiquei com cada personagem, com cada pedacinho deles. E chorei. E os amei. A vontade que dá é de colocá-los em potinhos, de abraçá-los e dizer que está tudo bem mesmo não estando, mesmo sendo mentira. Se apenas isso pudesse ajudá-los a seguir em frente.

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