Identidade

Kylo Ren Shorelle.png

Enquanto treinava com os outros padawans não conseguia se identificar com eles, não conseguia verdadeiramente acreditar nos preceitos da Força que Mestre Skywalker – seu tio – os ensinava.

Enquanto os outros sentiam receio quando o Mestre falava sobre os caminhos do Lado Negro, indicando o quão fácil é ser tentado e que apenas com muito treino e paz interior os Jedis triunfarão, sentia-se atraído, interessado, queria saber mais.

Sua família evitava falar sobre o passado, querendo viver apenas o presente, mas foi através do pai que descobriu a verdade sobre seu avô. Não sobre Anakin, mas a verdade por trás da máscara que encontrara na casa do tio. Conhecera, enfim, Darth Vader.

E o amou.

Viu na figura de Vader o pai que o compreendia, o mestre que o amava, a família a qual pertencia. E abraçou o chamado, seguindo, anos depois, os passos que o avô antes trilhara.

O capacete que usava era mais do que o resgate de um símbolo de poder, era uma necessidade.

Não física, mas psicológica.

Sempre que se encarava no espelho via o rosto de seu pai, os olhos de sua mãe e sentia a dúvida começando a criar espaço em seu coração. Não era algo que poderia aceitar.

Assumiu, assim, um nome diferente, um novo mestre.

Através de sua Força, de suas habilidades, de seu novo rosto ajudou a Primeira Ordem a continuar de onde a Nova Ordem fora interrompida. O Império continuaria, persistiria. Enquanto ele vestisse o capacete, enquanto seu caminho estivesse à sua frente. Enquanto seu coração continuasse firme.

E foi então que ela apareceu.

Precisava descobrir a localização do último mestre Jedi. E para isso precisava dela. Sentia a Força dentro dela, sabia que ela era muito mais do que parecia, do que acreditava ser.

Sentiu, talvez pela primeira vez, esperança, acreditando que não trilharia mais o seu caminho sozinho. Poderia treiná-la, tê-la como companheira.

Surpreendeu-se por vê-la resistindo aos seus poderes, por volta-los contra si mesmo. Por ser fraco.

Fraco por não conseguir quebra-la, por ainda ter dúvidas sobre o caminho a seguir. Por ter medo.

Livrar-se do pai foi mais difícil do que sequer imaginara. Foi tomado por sentimentos que julgava não possuir mais. A dor era intensa, latente. Excruciante.

Foi a campo, perseguindo sua presa. Mesmo ferido, mesmo sangrando, mesmo que sua alma gritasse. Tinha um dever a cumprir.

Acreditava que a dor diminuiria caso conseguisse cumprir seu papel, seu dever, capturar sua presa.

E lutou.

Lutou como se fosse sua última luta, como se ali pudesse alcançar tudo o que sempre sonhara. Como se ali honrasse o seu mentor.

E perdeu.

Perdeu a chance de capturar sua presa, perdeu a honra de possuir a única verdadeira lembrança de sua família. Perdeu sua alma.

Ela poderia tê-lo matado com facilidade, mas o permitiu viver. A batalha se findara, mas a guerra continua.

Foi levado por seus companheiros de batalha, foi curado. Redobrou o treinamento e preparou-se para o próximo encontro. E o capacete agora não mais era tirado.

O símbolo da Primeira Ordem tornou-se mais forte, mais intenso, mais tenebroso. A mera menção de seu nome causava medo por onde quer que passava.

A cicatriz em seu rosto ainda queimava, lembrança que nem mesmo o capacete fora capaz de toldar. Ela ainda estava lá, viva, livre.

E ele iria captura-la.

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Uma pequena fanfic de Star Wars: The Force Awakens para uma querida amiga. Star Wars pertence à Lucas Films, a imagem pertence a Shorelle.

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