Senhoras da Guerra

Para o item 28. Um livro em que o sobrenome do autor tem a mesma inicial do seu sobrenome, escolhi o livro Senhoras da Guerra do Orlando Paes Filho.

28. Senhoras da Guerra

Devo dizer que escolhi esse livro (porque era o único que o autor tinha a mesma letra de sobrenome e tals) porque realmente achei que ia gostar do livro. Sou uma apaixonada pela Grã-Bretanha, louca pelos livros do Bernard Cornwell, e curti bastante os primeiros livros de Angus, então sucesso!

Nope, errada.

Esse livro… Ah, se eu pudesse ter lido outra coisa. Mas não chorarei o leite derramado, vou explicar o que aconteceu.

O livro começou ganhando a minha revolta com o fato de categorizar os nórdicos como “piratas vikings”. Por definição piratas e vikings são duas coisas completamente diferentes, além do que, viking não é uma definição para “raça” e sim para “profissão”. Os nórdicos (escandinavos e afins) que invadiam rapidamente outros países, pilhavam, estupravam, conseguiam escravos e voltavam para casa eram vikings. Porque viking é o nome dado a esse tipo de “atitude”.

Deixando esse pequeno problema de lado, tive a ligeira (grande) impressão que tanto autor quanto editor esqueceram-se de revisar o texto. Não existe explicação para um personagem, sem nenhuma menção anterior a sobrenome ou apelido, simplesmente mudar de nome de uma hora para outra. De personagens que são declarados mortos em um capítulo estarem vivos no capítulo subsequente. Ou o neto de um personagem de repente conhecer o melhor amigo do avô e ser tratado como se fosse o avô. Sequência de fatos pra quê?

Outra coisa que me irritou profundamente: as personagens principais, as irmãs gêmeas guerreiras e senhoras da guerra, Gwyneth e Gwenora, eram personagens Deus-Ex, beirando a característica de Mary Sue. Tudo o que faziam eram melhores, a forma como conseguiram fugir do cativeiro foi insanamente Deus-Ex SEM O MENOR SENTIDO.

Em resumo: Não sei se é a idade (e com ela toda a chatice), se é meu prazer em ler coisas finamente pesquisadas (obrigada tio Cornwell), ou se simplesmente esse livro foi mal feito, mas não consegui gostar dele. Ganhou 2 de 5 estrelas só porque as gravuras são legais. (Sim o livro tem gravuras, muito bonitas por sinal).

Fiquei com medo de descobrir que Angus tem esses mesmos problemas e não os relerei.

Cem anos de Solidão

O trigésimo (e último) item do desafio de leitura deste ano foi um sorteio. E a minha amada, idolatrada, salve salve Tilim me indicou o livro Cem anos de solidão do Gabriel García Márquez.

30. Cem anos de solidão

30. Um livro recomendado por alguém do desafio.

Comecei a ler o livro sem entender bem de qual que era a história. Senti como se tivesse sido jogada em um livro pela metade e cheguei a me perguntar se o livro era em dois volumes e por algum acaso começara pelo volume 2. Devo salientar que um livro que não é demarcado por capítulos numerados não faz bem para minha cabecinha. (Sou dessas que põem na cabeça que lerá até o capítulo “x” antes de dormir – e nunca lê só até lá)

Com essas pequenas desavenças iniciais com o livro, devo dizer que adorei acompanhar as desventuras dos Buendía.

Úrsula é uma mulher que impõe respeito e, mesmo com todas as ideias desbaratadas, José Arcádio é um personagem muitíssimo interessante. Assim como o são toda a sua estirpe. Amei Melquíades e o sábio catalão dono da única livraria de Macondo.

Agora, a cidade em si… Não sei não. Acho que não seria um lugar agradável de se viver… Muito quente, muito ermo, muito… Não, calma. Acho que estou descrevendo Lost. (piada sem graça)

Cheguei a perguntar para meu irmão o sentido do título assim que comecei a ler o livro e não estava entendendo muita coisa – mesmo que estivesse adorando a história. (mas hein?) E devo dizer que no final, ou mais precisamente no meio, fiquei intrigada e impressionada com a facilidade com que cada personagem se perdia na sua própria solidão, na forma como se esqueciam da vida, das pessoas, e se perdiam em recônditos inexplorados de suas mentes e almas.

E o que mais me chocou foi como é um livro muito atual.

Ficção sim, personagens irreais sim, porém com uma realidade chocante de pessoas que se esquecem que através de uma mensagem de texto, uma foto, uma tela, estão tratando de/com outras pessoas, perdidas em seus objetivos e pensamentos próprios, nem um pouco preocupados com o que trazem para a vida dos que estão à sua volta.

A solidão é tratada no livro de várias formas, de angustiante a tranquilizadora, de sofrível a aprazível.

E me encantei com isso. Me identifiquei com isso.

Dois garotos se beijando

Devo dizer que não imaginei que esse livro me emocionaria e que eu me identificaria tanto com ele dessa forma. Dois garotos se beijando foi o livro escolhido para o item 24. Um livro LGBT (pun intended).

24. Dois garotos se beijando

A narrativa do livro se dá por meio de um narrador “morto” e isso foi uma das coisas que me deixou maravilhada. Acompanhamos 4 grupos diferentes de personagens por todo o desenrolar da história, mas sempre com a narração impressionante dessa geração anterior de homossexuais – uma geração que já “acabou” e deu lugar para toda uma nova geração.

Temos Craig e Harry, os dois garotos que se beijam para ultrapassar o recorde de beijo mais longo (32 horas, isso que eu chamo de um beijo longo…); Avery e Ryan, os garotos de cabelos rosa e azul respectivamente, que acabaram de se conhecer; Peter e Neil que já namoram a algum tempo; e Cooper, que ainda não se assumiu e vive uma vida isolada.

A história central é a do recorde do beijo, mas isso não significa que as outras três histórias girem entorno dela.

É um livro que mostra adolescentes aprendendo a lidar com a vida como um todo e não só amorosa, mostra a luta pela igualdade, o desejo de reconhecimento, a coragem, o amor, a esperança.

Os personagens são o mais próximo de pessoas reais o possível. As dúvidas, o medo, o desespero… Todos os problemas que um adolescente passa, que uma pessoa passa… Foi emocionante demais.

E o que é pior, mostra a realidade do que a sociedade LGBT passa. O desprezo, o ódio pelo diferente, o asco, tudo aquilo que mostra o porque livros assim são importantes. E em um nível mais subentendido tem a discussão sobre a AIDS, uma doença que ainda é causa de tantas discussões, tantas mortes.

Me identifiquei com cada personagem, com cada pedacinho deles. E chorei. E os amei. A vontade que dá é de colocá-los em potinhos, de abraçá-los e dizer que está tudo bem mesmo não estando, mesmo sendo mentira. Se apenas isso pudesse ajudá-los a seguir em frente.

As Crônicas de Nárnia 01

Tudo começou quando eu era menor (porque criança nunca deixei – e pretendo nunca deixar – de ser) e me descobri apaixonada pelo maravilhoso mundo da Terra Média de Tolkien, por Hogwarts de Rowling, pelos vampiros de Rice. Sou uma pessoa que ama o fantástico, o sobrenatural, a magia de ver um mundo novo se desdobrando à minha frente. Então nada mais lógico do que ler As Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis.

Não poderia estar mais enganada.

A começar que assisti o filme antes de ler o livro. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa foi um filme tão meh que não senti aquele afã de desespero para ler o livro. Em segundo lugar vi o livro de proporções bíblicas (mesmo que eu saiba que meu volume único de O Senhor dos Anéis ser maior).

Simplesmente não senti aquela conexão que senti com todos os outros amores de fantasia que permeiam minha vida.

Mesmo assim, dei uma chance. E descobri que acho a narrativa de Lewis muito forçada. Além de ser uma versão mais lúdica da Bíblia. Não é muito a minha praia.

MAS AI VEIO O DESAFIO DE LEITURA 2016. Sério… Já li/estou lendo tantos livros que estavam juntando poeira nessa casa que só daí já devo agradecer. Infelizmente o único livro que tinha em casa com um autor que usa iniciais (27. Um livro de um autor que usa iniciais (Ex. J.K. Rowling)) que eu não tenha lido são As Crônicas de Nárnia. Já viu pra onde a história está seguindo?

27. As Crônicas de Nárnia.jpg

Decidi dar uma segunda chance ao livro. E assim sendo, me esforçarei para ler todos os livros que compõem o volume único ainda esse ano (mesmo que no grupo tenhamos decidido que cada crônica conta como um livro).

E para dar o pontapé (quase) inicial, reli o primeiro dos livros. O Sobrinho do Mago.

Nárnia - 01

Meus problemas com esse livro começaram com a terminologia “Mago” quando eles estão claramente falando de um “Feiticeiro”, mas não deixarei minhas raízes RPGísticas influenciarem (mais) minha resenha.

O livro se inicia com Digory e Polly se conhecendo. São duas crianças vizinhas uma a outra e que decidem passar o tempo juntas explorando suas casas e vizinhanças e basicamente fazendo o que toda criança faz: metendo-se em enrascadas.

Digory mora na casa de dois tios, sendo que sua mãe também vive ali, adoentada. A tia de Digory, Leta, é uma senhora muito responsável e que mantém a casa em ordem, enquanto o tio, André, é descrito como um lunático.

Em uma de suas explorações, Polly e Digory acabam no sótão do tio André e são coagidos a participar de uma experiência. Nessa experiência, os garotos acabam viajando para um novo mundo.

E daí em diante, é só ladeira abaixo.

Eles acabam acordando quem não devia, adentrando um mundo vazio, encontrando Aslam e presenciando a criação de Nárnia. Por uma série de desventuras acabam precisando chegar no Jardim do Éden e pegar uma das maçãs das Hespérides.

BAH!

A história – desconsiderando-se as passagens bíblicas e mitológicas – é boa, é interessante. A criação de Nárnia foi simplesmente mágica! (Adoro ver a criação de novos mundos… por isso gosto tanto de RPG) Não é um livro de todo tão infantil – como li algumas resenhas por aí -, mas, NA MINHA OPINIÃO, é muita “catequização” desnecessária. Deixasse implícito o paralelo Aslam/Deus e seguisse sua própria narrativa!

Enfim… Será uma longa jornada por essas 752 páginas.

O Colecionador de Ossos

Para o item 03. Um livro que virou filme, escolhi o livro O Colecionador de Ossos de Jeffery Deaver.

03. O Colecionador de Ossos

O livro se inicia com o sequestro de duas pessoas no aeroporto. E devo dizer que me senti angustiada do início ao fim do livro, porque Jeffery Davies foi sensacional com sua escrita e descrição que sentia como se eu fosse uma vítima/policial em sua história.

Só daí já considero um dos melhores livros policiais que li na minha vida (não que essa lista seja grande -q).

Acompanhamos Amelia Sachs, uma policial de radiopatrulha que foi a primeira a chegar na cena do crime, e Lincoln Rhyme, um policial da “polícia técnica-científica” aposentado por motivos de saúde e que foi chamado para ajudar no caso, enquanto eles e toda a polícia de Nova York busca o assassino em série “O Colecionador de Ossos”.

É interessante ver a construção de cada personagem, que não são apenas personagens rasos, mas sim muito profundos, com um background rico e delicioso de se descobrir a cada página virada. O enredo segue em um crescendo, dividido em 5 partes de tal forma que a cada sessão você se sente compelido a ler mais e mais. Senti-me envolvida a tal ponto que queria decifrar cada pista deixada, queria entender a mente do assassino, queria salvar as vítimas.

E sim, a angústia foi quase aterradora. Senti o desespero das vítimas, a força de vontade de Sachs, a indiferença de Rhyme – e o seu desespero pessoal -… Recebeu 5/5 estrelas com facilidade e sem nenhuma sombra de dúvidas. (Mesmo que a minha edição da coleção negra tenha tido alguns erros de edição/tradução – fiquei confusa quando o número 238 se tornou 823 em algumas páginas… -q)

Assim como fiz com Drácula, resolvi reassistir o filme, porque fazem muitos anos e eu era meio criança e não me lembro muito da história.

On we go…

O colecionador de ossos.jpg

Começamos citando que é Denzel Washington, Angelina Jolie (novinha! *-*) e a Queen Latifah <3. Ótimos atores para os papéis principais, então já fico feliz.

O filme tomou um caminho ligeiramente diferente do livro. E por ligeiramente eu quero dizer quase é uma nova história. Desgostei bastante o Rhyme (filme) ser uma pessoa absolutamente agradável, enquanto o Rhyme (livro) beira o insuportável.

Continuou com a mesma atmosfera tensa, mas achei bem mais tranquilo que o livro. As vítimas foram tratadas de forma diferente e a linha de pensamento do Rhyme é comparável aos arroubos de pensamentos do House de forma que toda a linha de raciocínio que é tratada no livro não aparece no filme.

Ainda assim, foi uma adaptação interessante. O livro é melhor, como (quase) sempre.

Valeu pela Queen Latifah. ❤

Drácula

17. Drácula

Drácula de Bram Stoker foi o livro escolhido para o item 17. Um livro que você já começou a ler.

Tenho um relacionamento de amor e ódio com esse livro. Devo dizer que sou apaixonada por livros de coisas sobrenaturais, então sempre tive vontade de ler esse livro. Entretanto, nunca realmente consegui terminá-lo – e olha que já comecei a lê-lo no mínimo umas 4 vezes. E é tudo culpa do Jonathan.

Calma, eu explico.

A culpa não é inteiramente do Jonathan, porque ele é um personagem muito legal, gosto dele, mas o problema são as entradas de diário dele. O início do livro é basicamente o diário de Jonathan e ele contando a viagem dele para a Transilvânia, para o castelo de Conde Drácula. E devo dizer que as duas ou três primeiras entradas de diário dele me foram um suplício ler.

De qualquer forma, ainda existe o problema da edição que tenho. A Editora Madras utiliza-se de um português tão rebuscado que tinha horas que eu olhava pro livro e ficava tentando decifrar o que significava as palavras. Fora os muitos erros de digitação/tradução. Estou insatisfeita com este livro pela edição que tenho – tão antiga que a cola da capa se soltou quase por inteiro.

A história, entretanto, é simplesmente fantástica, com personagens extremamente cativantes e carismáticos. Rolou até uns ships diferentes do que aparecem no livro (Arthur e Quincey, Quincey e John ❤ – porque sou dessas… XD). Depois que atravessei o início do livro com suas partes mais detalhistas e maçantes, engoli suas 380 e poucas páginas. Ia dormir mais cedo ontem, mas quem disse que consegui largar o livro antes de terminá-lo? E foi assim até as 02:20 am quando o terminei.

Ficou um gostinho de quero mais tão grande que resolvi assistir novamente o filme de mesmo nome.

Drácula (filme)

O filme é de 1992 (lembro que a primeira vez que assisti foi em VHS – a velha) dirigido por Francis Ford Coppola e com atores incríveis! Gary Oldman, Keanu Reeves, Winona Ryder, Anthony Hopkins… ❤

Devo dizer que foi uma boa adaptação do livro de Bram Stoker, mas ainda é uma pena que os personagens tenham sido tão retirados de sua essência. Enquanto acompanhamos, no livro, as desventuras de Jonathan, Mina, Lucy, Dr Seward e Van Helsing, no filme é mais focada a história do Conde Drácula. Alguns personagens mudaram completamente suas personalidades, dentre eles, os mais marcantes foram Van Helsing e Mina.

No mais, o filme é muito interessante, unindo as histórias de todos os personagens e, principalmente, de Mina e Drácula. Foi uma interessante adaptação, uma história fantástica e muito bem dirigida.

E falando em mortos-vivos… E o Keanu Reeves que não envelhece nunca??

Inked

Respirou fundo.

Ainda não acreditava que estava fazendo isso. Sentia o coração batendo descompassado no peito e as mãos tremiam. Quanto mais pensava, mais acreditava estar louca, ensandecida.

Exalou profundamente.

Mal havia percebido que prendera o ar. Afinal, o que fazia ali? Não era uma pessoa assim, impulsiva, que decidia as coisas no decorrer de uma batida de coração. Não. Sempre calculava tudo o que queria acontecer para que nada saísse do seu controle.

Não que fosse uma pessoa excessivamente controladora, só… Gostava de ter controle sobre suas escolhas. Não gostava de ser surpreendida e enchia o peito com orgulho ao dizer que nunca se arrependera de nenhuma escolha em sua vida. Ao que muitos de seus amigos riam-se com os olhos cheios de algo que se assemelhava à pena e diziam que ela nunca realmente vivera.

E se se arrependesse dessa escolha? Poderia culpar sua crise de impulsividade?

– Já se decidiu?

Abriu os olhos e se deparou com olhos castanhos pacientes. Assustou-se com o carinho que viu estampado naquele olhar. Com um dedo trêmulo indicou um desenho. Ele deu um meio sorriso e apontou a maca.

Sem ao menos dirigir a palavra a ele, despiu a blusa e deitou de lado. Arrepiou-se com o toque gelado do álcool e o calor que parecia emanar da mão dele.

– Diga se estiver doendo.

Fechou os olhos com força, as unhas machucando as palmas de suas mãos. Milhares de pensamentos cruzando sua mente e não conseguiu assentir ao que ele disse. Mal o havia escutado, morrendo de medo de tudo.

Quando a agulha perfurou sua pele pela primeira vez sentiu-se relaxar. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e ouviu o tatuador perguntar.

– Está tudo bem?

E sentiu ali, naquele momento, que estava exatamente onde deveria estar. Não se arrependeria do que era, do que aquela tinta significava.

– Não poderia estar melhor.

Tatuagem